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Art Décor
J. R. Araújo
O movimento artístico
denominado "Art Décor" iniciou com a Exposição Internacional
de Paris em 1925, como uma tentativa de suavizar as formas dos
sub-produtos da Revolução Industrial, integrando-os à uma visão mais
artística, servindo aos propósitos de utilidade e arte na Arquitetura e
Decoração de Ambientes. Durante os quinze anos seguintes, os elementos
do novo movimento seriam largamente difundidos em feiras e exposições
internacionais. Alguns estudiosos incluem um período mais elástico como
representativo da Art-Décor, com início em 1920 (ou mesmo 1900)
até os anos 50. É preferível admitir que o período anterior a 1925
seja considerado como um pré-modernismo e os trabalhos produzidos após
os anos 40, mera influência. Na verdade, durante os anos em que
prevaleceu, o movimento era denominado de Estilo Moderno ou Modernista.
Somente nos anos 60, o historiador e crítico de arte britânico Bevis
Hillier, cunhou o termo Art Décor, inspirado na Esposisicion
Internationale des Arts Décoratifs Industriels et Modernes de Paris.
 Poster
publicitário da Expo - 1925
Nessa exposição,
o pavilhão dedicado à Arquitetura e Decoração
chamou atenção do público, com uma insinuante
proposta no design de cerâmicas, pisos, azulejos
e outros utilitários, numa abordagem baseada em
elementos da arquitetura e arte greco-romana, estilizados
num contexto moderno. A influência se fez
sentir não apenas na arquitetura, mas também
nas artes acadêmicas e aplicadas,
na pintura, mobiliário, esculturas, vestuário,
joalheria, desenho gráfico até
na construção e decoração dos
grandes transatlânticos.

O estilo denota economia
nas formas geométricas, desprovidos dos ornamentos rebuscados, com leve
influência egípcia, assíria, pérsica, bem como greco-romana.
Observa-se, também, elementos do cubismo, futurismo e construtivismo nas
formas suaves, margens e quinas arredondadas, estuques sólidos com cantos
igualmente arredondados, iluminação indireta, o uso de iluminação
decorativa a néon, elementos náuticos, assimetria, prédios com fachada
simples lembrando as máquinas, orgulho da produção industrial.

Exemplo de arquitetura Art-Décor, em Miami Beach, Florida
A sobreposição de
listras ou outros elementos geométricos de cores fortes sobre fundo de
cor mais suave, com predominância de azuis, rosados, violetas, amarelos,
sempre em tonalidades contrastantes, embora de mesma cor e em formas geométricas
ordenadas e simples, constitui elemento da maior importância. Embora
tenha surgido na Europa, Art Décor alcançou notável popularidade
nos Estados Unidos. Duas correntes representativas exibem os prédios e
arranha-céus das grandes cidades, como Chicago e New York, e os
restaurantes, hotéis e pequenos prédios das praias de Miami Beach. No
primeiro caso, nota-se a pujança e poder do domínio econômico, como
resposta á crise da Depressão Econômica, bem representados nos prédios
da Chrysler, Empire State e Rockfeller Center. No segundo caso temos a
influência de um modo de vida descontraído, próprio das praias
tropicais, sinônimo de férias e vida tranqüila. Em todo caso, Art Décor
se estabeleceu como uma arte industrial, dos tempos modernos, com toda a
velocidade necessária a uma sociedade das máquinas,
aliando praticidade, economia e sobretudo minimalismo,
num estilo de leveza e harmonia.
Recife,
Setembro de 2004
J.R. Araújo
e-mail - zecaro108@yahoo.com.br
T o p o
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