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As baterias de Bagdá
J. R.
Araújo
Em 1938, enquanto trabalhava em Khujut Rabu, perto de Bagdá, no Iraque, o arqueólogo alemão, Wilhelm Konig desenterrou uma jarra de barro medindo 13 cm, contendo um cilindro de cobre o qual envolvia uma barra de ferro. Como o vaso apresentava sinais de corrosão, testes revelaram resquícios de elementos ácidos como vinagre ou vinho.
Após essa primeira descoberta,
vários artefatos semelhantes, datados de cerca de 200 A.C. foram desenterradas no Iraque.
Apesar da maioria dos arqueólogos concordarem tratar-se de baterias, há
muitas controvérsias de como elas tenham sido concebidas e para quais propósitos
foram construídas. Para produzir corrente elétrica, são necessários
dois metais com diferentes potenciais elétricos, imersos em uma solução
eletrolítica para permitir a mobilidade de elétrons entre os metais. Foram
construídas réplicas usando o mesmo esquema, isto é, jarros de barro, um cilindro
de cobre envolvendo uma barra de ferro, imersos em vinagre, vinho ou suco de
frutas cítricas. O resultado foi a produção de corrente elétrica de até 2
volts. Teoricamente, ligadas em série, essas baterias poderiam gerar
correntes de voltagem mais alta. Toda essa situação é bastante incômoda
diante das perguntas: -
Como uma bateria pode ter sido construída, 1800 anos antes de sua invenção
por Alexandre Volta, em 1779 ? -
Como obtiveram esse conhecimento ? -
Para que as fabricavam ? - Teriam conhecimento teórico dos princípios da eletricidade ou teriam fabricado as baterias devido a descoberta acidental, sem prévio conhecimento teórico ?
Especula-se que tenham sido
utilizadas com propósitos medicinais, como anestésicos, embora dispusessem de
outros meios para o alívio da dor. Outra corrente defende o uso das
baterias na cobertura de peças com finíssimas camadas de metais preciosos como
prata e ouro. Isso explicaria o fato, também estranho, de se ter
encontrado peças antigas, revestidas de prata ou ouro com indícios da aplicação
dessa técnica. Existem até
aqueles que defendem o uso de tais baterias como meio de produzir efeitos mágicos
nos rituais religiosos para impressionar e mistificar os leigos, explicação
essa por demais simplória. Qualquer que seja o caso, os artefatos
existem e parece haver concordância entre os pesquisadores de que sejam
realmente baterias. Assim sendo, teremos que procurar as respostas à luz dos
fatos, por mais estranhos e incômodos que sejam.
Recife, Setembro de 2004 ________________________________________________ © Copyright 2005 - Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução do texto aqui contido sem a prévia autorização do autor.
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