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                                                                                                                  J. R. Araújo

 

                            

 

Desde a Antiguidade até início do Século XX que a utilização de extratos vegetais foi bastante comum nos tratamentos de várias doenças. Uma verdadeira ciência conhecida como Fitoterapia, muito utilizada pelos médicos de então, mas também conhecida dos povos nativos, indígenas, e muito difundida como medicina tradicional doméstica. Foi a partir da manipulação e sintetização de produtos químicos  e da produção de vacinas e anti-bióticos que o seu uso diminuiu. Ainda é muito usada entre os povos das florestas, as pessoas das áreas rurais, ou mesmo aqueles que mantêm esse conhecimento, repassado pela tradição, geração-a-geração. As plantas são verdadeiros laboratórios da Natureza, onde substâncias complexas são produzidas no interior de suas células em sínteses tão complicadas que o homem é incapaz de reproduzi-las. Por isso, vários compostos são ainda extraídos das plantas e diretamente utilizados em combinação com outros, produzidos em laboratório, na fabricação de medicamentos diversos. Isso atesta a validade e eficácia dos compostos produzidos pelos vegetais

As plantas têm ações diversas dentro do organismo, devido aos compostos químicos que contêm. Conhecer essas propriedades é de suma importância para que se saiba qual melhor aplicação numa determinada necessidade. A seguir, listamos algumas propriedades dos vegetais de acordo com suas ações.

Plantas estimulantes - contêm substâncias anti-depressivas, podendo ajudar na contenção de estados característicos de desânimo geral. Agem sobretudo no sistema nervoso central (hortelã, tomilho, alecrim, serpão, manjericão) ou no sistema digestivo (funcho, erva-doce, hortelã)

Plantas calmantes - agem diretamente no sistema nervoso (papoula, passiflora e o nenúfar), nos músculos e nervos controlando espasmos, cãibras e contraturas (louro-cereja, valeriana, hortelã, camomila e tília ), estados de ansiedade e excitação mental (espinheiro-alvar, cânfora e o lúpulo).  

Plantas emolientes -  ação benéfica nos estados inflamatórios, para uso local: betônica, malvaísco, linhança e malva.

Plantas fortificantes - muitas plantas são tônicas, por restabelecer as forças do organismo, como a Losna, dente-de-leão e a alcachofra, por exemplo.

Plantas diuréticas - favorecem a eliminação de líquidos, auxiliando as funções renais. Milho, cavalinha, língua-de-sapo, são exemplos.

Plantas depurativas - limpam o sangue, eliminando as toxinas do organismo. São exemplos de plantas purificadoras a alcachofra (para o fígado), bardana (sangue), quebra-pedra (rins).

Verificamos ainda as plantas hipotensoras (diminuem a tensão arterial), plantas mineralizantes (ricas em minerais), plantas de ação coagulante e aquelas que desempenham ação específica em determinados órgãos ou tecidos do corpo, regulando suas funções. 

 

     Frutos, raízes e chá de Jurubeba

 

A forma líquida, favorece a rápida absorção pelo organismo dos compostos fito-químicos, presentes nas diferentes partes da planta. A água é um solvente universal e as substâncias contidas nas células vegetais são solúveis em água. A maneira de se utilizar água quente ou fervente causa o rompimento das paredes das células e facilita a extração dos compostos essenciais. Devemos entender, todavia, que a água inicialmente usada para a feitura do chá, tem suas propriedades alteradas quando da liberação das primeiras substâncias, tornando o meio líquido um pouco mais ácido ou alcalino. Isso facilita a extração de outros componentes e, a partir de certo ponto, não teremos mais água, porém uma mistura de várias substâncias. 

Nem todos os estados doentios são sérios o suficiente para que se faça uma visita ao médico ou que precisemos tomar uma droga farmacêutica. Um chá pode muito bem solucionar uma condição de desconforto menor, como nos casos de constipação, indigestão, fadiga física ou mental, nervosismo, estresse, insônia. Na completa impossibilidade de acesso a um médico, ou medicação adequada, pode-se fazer uso de chás medicinais, sempre que a situação de enfermidade não seja muito grave.

Existem vários maneiras de fazer chás: tisana, infusão, decocção e maceração, explicados a seguir.

Tisana - este método consiste em colocar a água numa panela até ferver, em seguida acrescentar as ervas, tampar de novo e deixar ferver por mais 5 minutos. Após esse tempo tirar do fogo. Deixar descansar com a panela ainda tampada, coar e está pronta a tisana.

 

    

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Infusão - colocar as ervas numa panela e sobre elas despejar água fervendo, tampar e deixá-las repousar por uns 10 minutos. Este método é indicado para folhas e flores. Talos e raízes devem ser picados em tamanhos pequenos ou amassados em pilão, para aumentar a "superfície de contato" entre as partes da planta e a água quente. Para as partes mais duras das plantas, após verter a água fervente, recomenda-se deixar em repouso por 20 ou 30 minutos.

 

  

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Decocção - o preparo de chás por esse método é indicado para as partes mais duras da planta como as cascas, raízes e talos. Colocar as plantas numa vasilha com água fria, levar ao fogo e cozinhar por um período entre 5 a 30 minutos. Flores, folhas e partes tenras, devem ser cozinhadas por cerca de 10 minutos, enquanto as partes mais duras como as cascas, raízes e talos devem ser picadas em pedaços pequenos ou amassadas em pilão e cozinhadas por cerca de 15 a 30 minutos. Depois, tirar do fogo e deixar em repouso por uns minutos a mais e coar em seguida.      

 

    

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Maceração - as ervas devem ser colocadas de molho em água fria durante período variável entre 10 a 24 horas, segundo a parte da planta que se queira empregar. Para as partes tenras, como folhas, flores, sementes e talos novos deixar de molho por 10 a 12 horas. Raízes, cascas e talos brandos, deve-se picá-los e deixar de molho por 16 a 18 horas. Talos, cascas e raízes duros, picar e deixar de molho por 22 a 24 horas. A maceração tem a vantagem de preservar os sais minerais,  as vitaminas e os óleos essenciais mais voláteis das ervas que, na presença de calor, evaporariam facilmente.

Um fator importante na obtenção do chá é o tempo de repouso. Cada composto é liberado a uma certa temperatura, alguns quando a água está morna, outros em temperaturas mais altas, enquanto outros, ainda, quando o ponto de fervura é alcançado. A partir do momento em que o fogo é desligado (na tisana e decocção) ou após a água fervente ser despejada sobre as partes da planta (infusão), deixa-se o chá em repouso. È aí, que alguns óleos ou compostos essenciais são efetivamente liberados e à medida que isso ocorre, a composição da mistura (água mais substâncias extraídas) sofre mais mudanças, até que em dado momento o ponto de saturação (equilíbrio) seja alcançado e, então, teremos o chá.    

 

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Os chás possibilitam que se saboreie o "verdadeiro sabor das ervas" e isso é muito importante no processo curativo, pois facilita a ação medicinal efetiva das partes da planta utilizada. O sabor amargo, por exemplo, estimula a produção de sucos gástricos que nenhum outro sabor produz.

 

As propriedades medicinais das plantas são devidas às substâncias químicas sintetizadas pelo metabolismo vegetal. Existem alguns compostos comuns à maioria das plantas, como os flavonóides, acetofenonas, esteróides, fenóis. Algumas ervas têm compostos ativos muito fortes. O marroio (Marrubium vulgare) contém a furanolactona marrubina, cuja ação analgésica é muito mais forte que a aspirina.  Em 1995, um  grupo de pesquisadores da Bélgica estudou a nogueira da Índia (Aleurites moluccana) concluindo que esta planta tem ação anti-viral, especialmente contra o HIV. A  quebra-pedra (Phyllanthus niruri L) contém ácido linoléico, ácido linolênico, ácido ricinoléico em suas sementes, enquanto em suas folhas foram encontradas as seguintes substâncias: compostos fenólicos, vitamina C, ligninas, triterpenóides, flavonóides, quercitrina, quercetina, rutina, astragalina, nirurina, fisetina-4-0 glicosídeo, triacontanal, triacontanol e hipofilantina. As raízes contêm ainda derivados flavônicos, triterpenóides e esteróide estradiol. A maioria dos minerais podem ser encontrados nas ervas, pois desempenham papel importante no metabolismo vegetal. 

 

Que os chá são eficientes no tratamento de certas doenças é um fato conhecido desde a Antiguidade e cada vez mais comprovado pela pesquisa científica  nos laboratórios de análises das universidades e centros de pesquisa. A idéia de que os chás são eficientes nas ações medicinais é plenamente correta. Ao mesmo tempo, nada mais longe da verdade acreditar que os chá são igualmente inofensivos. Muitos têm ação tóxica, caso sejam ingeridos em grandes quantidades ou em grandes concentrações, outros são abortivos. Alguns têm efeitos deletérios sobre o fígado ou o sistema nervoso central. Mesmo em se tratando de plantas medicinais, deve-se tomar toda precaução possível, especialmente sob orientação de um médico especializado em Fitoterapia. Algumas ervas parecem não causar qualquer efeito colateral ou apresentar alguma contra-indicação, a despeito de pesquisas efetuadas. 

 

Todos os povos mantêm sua tradição de conhecimentos e usos das plantas medicinais. Inicialmente os xamãs, pajés e sacerdotes conheciam as ervas e seus segredos. Depois esse conhecimento foi amplamente disseminado para as pessoas comuns, tendo sido considerado a "ciência das vovós". O uso dos chás é tão disseminado que incorpora parte do folclore de um povo, compondo sua tradição, no melhor sentido: passando pelas gerações, de forma oral ou escrita. Quem nunca ouviu as expressões "o chazinho da vovó" ou que a erva tal é um "santo remédio" ?  Hoje, muitas cidades dispõem de projetos municipais ou de ONG de hortas comunitárias de ervas medicinais, em conjunto com profissionais da área de saúde, os chamados projetos fitoterápicos.

 

As partes das plantas são colhidas de espécimes diretamente na natureza ou em locais de cultivo, os chamados canteiros de ervas. Podem ser usadas secas, trituradas, reduzidas a pós, transformadas em chás, pomadas, ungüentos, tomadas por via oral, para uso interno, ou uso externo na forma de compressas, banhos e inalações. As partes devem ser ressecadas à sombra, pois os raios solares afetam as propriedades originais das ervas, pois fazem evaporar preciosos óleos voláteis essenciais, responsáveis pelos princípios ativos benéficos. Muitas pessoas, no entanto, preferem colher as ervas e utilizar as partes ainda frescas, na expectativa de que assim, suas propriedades curativas são aumentadas, pela ação energética das forças telúricas. Da energia da vida.

 

 

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O assunto é inesgotável, pois a quantidade de plantas é incalculável. Dispomos de uma lista de algumas das mais conhecidas plantas utilizadas na medicina doméstica. Clique na folha (link) ao lado para visualizar. Pesquise o suficiente, ouça e aprenda dos mais experientes, mas, lembre-se, consulte sempre um médico especialista.               Boa Saúde !

 

 

 

Recife,

14/07/2007

 

J.R. Araújo

e-mail - zecaro108@yahoo.com.br

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Bibliografia

 

Prof. Alfons Balbach, A Flora Nacional na Medicina Doméstica - Edições "A edificação do Lar" - 23ª edição - SP

Dr. E.A. Maury Chantal de Rudder, Guia Compacto das Plantas Medicinais - Editora Rideel, 2002 - SP

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Os sites a seguir oferecem informações mais detalhadas sobre ervas medicinais

 

http://www.plantamed.com.br/

http://plantaservas.hpg.ig.com.br/

http://www.cotianet.com.br/eco/herb/

Em todas as cidades do país, temos locais de tradicionais pontos de vendas de ervas medicinais. Em Recife se destaca a área no entorno do centenário Mercado de São José, no Centro. Lá encontramos as conhecidas lojas Dr. Raiz  e  M.J. Bandeira, além de outros comerciantes, nas quitandas de ervas.

 

T O P O

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