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Desmanche Genny Xacier
É preciso que eu tome a coragem das palavras, todas elas inconfessas dentro de mim. É preciso que eu me desmanche e me reconstrua e cate meus pedaços de colcha de retalhos. Precisamente, minha avidez é o sopro insólito, bocejado da noite com seu hálito de estrelas... Se tudo é intangível às mãos, resta aos olhos, recolher os gestos tangíveis: Tão próximos e perceptíveis, tão ácidos e medonhos diante dessa madrugada... É preciso que eu me dispa e me disponha de solicitudes, todas elas necessárias à minha prisão. É preciso que eu vá saboreando os espinhos como manjar de deuses pagãos e sirva, ao banquete das horas, a comida pronta ao sabor da minha boca faminta. Presumidamente, meu engano será tão humano, feito de gula e sobras para que me venha o êxtase, os sons das trombetas, o repicar dos sinos, os devaneios dos anjos, o rodopio das notas... A melodia surda. Apenas é preciso que eu me desconstrua e me reinvente.
______________________________________ Genny
Xavier
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