Retornar para Poesias

 

Desmanche

                                                                                                            Genny Xacier

 

 

 

 

É preciso que eu tome a coragem das palavras,

todas elas inconfessas dentro de mim.

É preciso que eu me desmanche e me reconstrua

e cate meus pedaços de colcha de retalhos.

Precisamente, minha avidez é o sopro insólito,

bocejado da noite com seu hálito de estrelas...

 

Se tudo é intangível às mãos,

resta aos olhos,

recolher os gestos tangíveis:

Tão próximos e perceptíveis,

tão ácidos e medonhos

diante dessa madrugada...

 

É preciso que eu me dispa

e me disponha de solicitudes,

todas elas necessárias à minha prisão.

É preciso que eu vá saboreando os espinhos

como manjar de deuses pagãos

e sirva, ao banquete das horas,

a comida pronta ao sabor da minha boca faminta.

 

Presumidamente, meu engano será tão humano,

feito de gula e sobras

para que me venha o êxtase,

os sons das trombetas,

o repicar dos sinos,

os devaneios dos anjos,

o rodopio das notas...

A melodia surda.

 

Apenas é preciso

que eu me desconstrua

e me reinvente.

 

 

 

 

 

 

______________________________________

Genny Xavier
Itabuna/Bahia
Professora de Literatura Brasileira e Redação

E-mail: gennyxavier@gmail.com

 

 

 

 

TOPO

 

 

           ____________________________ _____________________________

          © Copyright 2008/2009 - Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução do

            texto aqui  contido sem a prévia autorização do autor.