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| Página Inicial Ciências _______________________________ Geometria e Aparições J.R. Araújo
Alunos de graduação e pós-graduação em Matemática, freqüentemente deparam-se com análise e soluções de problemas que abordam o espaço em múltiplas dimensões ou n-dimensões (n.D ) quer sejam em sistemas de coordenadas ou de espaços vetoriais. Diferentes dimensões permitem-nos conceber representações geométricas diversas. Vivemos em um mundo tridimensional, familiarizados com a geometria de seus objetos constituídos de comprimento, largura e altura. É muito útil a possibilidade de projetarmos a representação de um objeto de dimensão superior em uma dimensão inferior. Podemos entender o termo “projeção” como se fosse a sombra de um objeto projetada num plano, causada pela interposição deste entre o plano e uma fonte de luz.
Por
exemplo, podemos
entender a
forma de
uma esfera
a partir
de sua “projeção” nas
páginas de
um livro por
meio de
um desenho ou
fotografia impressa,
transpondo, desse
modo, a
visão que
temos da
esfera em
três dimensões
( 3.D ) para
o plano
da página
(2.D). Embora
neste caso
a projeção
seja um
círculo, podemos
conferir-lhe traços, simulando
sombreamento, para realçar
a idéia
tridimensional. Podemos
ainda entender
a forma
esférica representando-a em um
sistema cartesiano
de coordenadas
com os eixos – xyz para
visualizarmos o comprimento,
largura etc. Da mesma forma, os
matemáticos projetam a
imagem de
uma figura
de n.D
em um
sistema de
(n-1).D como
uma simplificação.
Assim eles
“visualizam” um
objeto 4.D
como uma
escultura, que
seria sua
projeção em
3.D. Este
é um
princípio reducionista de grande
ajuda. Entretanto,
quanto maior
for a redução, i.e.,
de 4.D
para 2.D ou
de 3.D para 1.D,
ao invés
de uma
dimensão para
outra imediatamente
inferior, haverá
uma perda
maior de
informação. A análise
de objetos
representados em diferentes
dimensões é
um exercício mental
por si
só estimulante. Todavia vamos
imaginar algo menos
complicado, mas
igualmente interessante:
universos em
diferentes dimensões.
Nada há
de bizarro nisso,
visto que
atualmente alguns
físicos consideram
diferentes dimensões
em problemas
relacionados com
a Teoria
das Cordas
e que essas dimensões
extras, realmente ocorrem em
todos os
pontos do
universo, muito
embora sejam
extremamente diminutas
a ponto
de ser
quase impossível
detectá-las, mesmo
com os
mais sofisticados equipamentos utilizados
em pesquisa.
A Teoria
das Cordas
emergiu como
um bem
sucedido modelo
para compatibilizar
a Teoria Geral da Relatividade com
a Teoria
do Campo
Quântico e faz
menção a
sistemas com
onze-dimensões, quatro das quais perfeitamente compreendidas pelos
físicos. Assim, passemos a
estudar nossos
universos em
diferentes dimensões
na suposição
razoável de
que quanto
mais dimensões
tiver um
universo, maior
grau de
liberdade (locomoção)
terão seus
residentes e
maior seriam
suas capacidades
de comunicação, sociabilidade e
conseqüentes tratos culturais. Universo de uma dimensão Nesse universo, as criaturas teriam a forma de uma linha ou ponto e cresceriam apenas no comprimento. Desse modo, não poderiam passar umas pelas outras, pois para isso seria necessário uma segunda dimensão. Assim uma criatura apenas veriam a extremidade de seus vizinhos da direita ou da esquerda, que lhes pareceriam como um ponto. Poderiam se mover apenas para um lado e para outro ou para frente e para trás, até que pudessem atingir um dos vizinhos. A comunicação seria apenas de uma criatura com seus vizinhos imediatos e a estrutura social seria bastante limitada por essa linha única de comunicação.
Os tratos culturais seriam de pouca abrangência com ocorrência de grupos pequenos, devido a limitações na comunicabilidade. O nascimento de uma criatura, interromperia para sempre o contado entre vizinhos. A reprodução sexuada forçaria com que os filhos nascessem do lado da criatura feminina, se os “casais” quisessem permanecer unidos para sempre. Caso tivessem mais de um filho, a mãe perderia seus filhos mais velhos de vista (e vice-versa) podendo ter apenas o mais novo de um lado e o pai desse do outro.
Universo em duas dimensões
As
criaturas neste
universo teriam
apenas formas
tais como
triângulos, círculos,
quadrados ou
qualquer outra,
entretanto seriam
planas, constituídas
de comprimento
e largura
mas não
teriam qualquer
noção de
altura. Poderiam
se mover
em qualquer
direção, mas
como não
existe altura,
conceitos como
acima e
abaixo não
seriam sequer
imaginados. Uma criatura ao
ver outra,
inicialmente perceberia
esta como
se fosse
uma linha.
Entretanto, poderiam mover-se
umas em
torno das
outras e
reconheceriam a
identidade da
companheira ao
verem vários
comprimentos de
diferentes ângulos,
visualizando, assim,
sua forma.
A comunicação
e a
estrutura social
seriam mais
abrangentes, pois
poderiam se
comunicar com
qualquer outra, facilitando,
desse modo, uma maior
difusão cultural.
O que aconteceria, então, se uma criatura proveniente do universo 2.D penetrasse no universo de uma dimensão ? Uma coisa podemos afirmar quanto ao visitante, seria-lhe muito fácil penetrar e sair do universo de uma dimensão fazendo uso do conhecimento que ele teria da dimensão extra como mostra a figura . Ao lado, criatura proveniente de um Universo de duas dimensões visitando um Universo unidimensional. Os residentes do universo 1.D, testemunhariam algo inusitado, incompreensível, nunca visto e que lhes causaria assombro. Eles veriam surgir do “nada” uma criatura, vinda não se sabe de onde, que se interpolaria entre dois deles e que poderia sumir e aparecer entre dois outros ! O visitante apenas se moveria através da segunda dimensão podendo entrar e sair de seus universo, explorando-o ao longo de toda sua extensão.
Imagine agora uma visita de uma entidade 3.D a um universo 2.D. O viajante poderia penetrar no plano 2.D fazendo uso do recurso extra (altura) por ele conhecido, mas totalmente inconcebível para as criaturas 2.D. Estes o perceberiam apenas por sua largura e comprimento, não tendo qualquer acesso a sua característica extra, sua altura ou algo além do plano. Por mais que o pesquisassem, teriam acesso a muito pouca informação sobre ele e seu mundo 3.D. Compreensão mesmo, seria impossível ! No universo bi-dimensional, as criaturas (coloridas) têm formas planas, confinados em duas dimensões, comprimento e largura. Ao se aproximar, um visitante tri-dimensional (verde) poderia facilmente penetrar no mundo 2D, Os dimensionais o veriam como uma criatura de forma igualmente plana (cor verde), mas não poderiam conceber sua característica extra, sua altura.
Talvez isso explique como ao longo da nossa história temos relatos de pessoas que testemunharam o súbito aparecimento e desaparecimento de objetos ou pessoas, fantasmas ou extra-terrestres de forma inexplicável e incompreensível. Teriam elas feito uso de recursos próprios de uma outra dimensão ? Seria esse o mecanismo subjacente às aparições ?
Por
mais que
lhes sejam
óbvios, esses
recursos estão
completamente fora
de nossa
possibilidade de entendimento.
Por viverem
em mundos
de dimensões
superiores, eles
teriam maior
“grau de
liberdade” ou capacidade
de locomoção
que nós
e isso lhes
confiaria entendimentos
e valores
sócio-culturais mais
abrangentes que
os nossos. Certamente
que eles
seriam mais
desenvolvidos, material
e espiritualmente
que nós.
O uso de recursos
extras de
dimensões superiores,
possibilitaria o livre
trânsito desses
visitantes ao
nosso mundo,
pois poderiam
entrar e
sair sem
qualquer impedimento
e, para
nós, isso
se revestiria
do mais
profundo mistério.
A Álgebra
Linear analisa
espaços em
n-dimensões, podendo
n assumir
valores tais
como 1, 2, 3, 4, . . . .
. . , ¥
. Imagine
então como
seriam as pessoas em
um mundo
de infinitas
dimensões ! Certamente
teriam total
liberdade de
locomoção, pois
teriam infinitas
possibilidades de
movimento com
uma capacidade
infinita de
compreensão e
conhecimento, vivendo numa
escala temporal
infinita (eterna) com valores ético-morais
inimagináveis. È razoável
supor que
essa dimensão
estaria no
ápice do
desenvolvimento. O lugar
ideal, desejado
por todos
os habitantes
dos mundos
inferiores, onde
a vida fluiria
eterna, na
mais absoluta
tranqüilidade e
plena de
conhecimento. Esse
deve ser
o lugar
ao que
se convencionou
chamar de
paraíso, onde todos
viveriam na
companhia do
Senhor das
Dimensões, numa
existência eterna
e plena
de alegrias
infinitas.
Recife, Outubro 2004
J.R. Araújo e-mail - zecaro108@yahoo.com.br
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