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                                                                                                       J. R. Araújo

 

Alguns podem dizer que a Natureza é caprichosa. Outros, mais que isso, diriam que ela é sábia. Nós sim, que não a entendendo, achamos que tudo deve acontecer e existir devido aos nossos próprios caprichos. Na Natureza encontramos coisas e eventos opostos, simétricos ou dualistas, longe entretanto de serem eventos mutuamente excludentes, são na verdade complementares. Não existem meramente como opostos, mas se complementam. Todas essas complementaridades, formam o que chamamos de maneira mais apropriada, espécies. Até mesmo dentro de cada espécie encontramos mais variedades. Nas espécies biológicas, encontramos tal variedade de tipos, estruturas, hábitos que é quase impossível termos total conhecimento de todas essas nuances, em todas as espécies. Tomemos, por exemplo, as escalas de grandeza dentro de um mesmo  gênero.  No gênero Equus, temos a espécie Equus caballus, o cavalo como o conhecemos. Animal de grande porte, forte e muito útil  ao homem desde tempos imemoriais, por sua força e destreza. Entretanto temos os pôneis, pequenos e frágeis em relação aos seus parentes maiores. Um cavalo pode ter uma altura de até 190 cm. Comparemos à dos menores pôneis que chegam a medir cerca de 50 cm. Existiu, todavia, uma espécie de cavalo, que viveu a cerca de uns 54 milhões de anos, no Período Eocênio, denominada Hiracotherium e que media apenas uns 20 cm de altura.

Abaixo, temos uma comparação dos tamanhos desses animais (na mesma escala) e a foto de um fóssil  do  Hiracotherium.

 

                                  

                                              

 

                      

                       Cavalo    1,80  m                               Pônei  40-50  cm            Hiracotherium 20 cm

 

Entre os Elefantes, o elefante africano (Lexodonta africanus) pode medir  4,0 m de altura, enquanto o elefante pigmeu de Bornéo (Elephas maximus borneensis) chega a 1,50 metros. Entre muitas espécies (todas extintas) de elefante anão, destaca-se o Elefante Anão de Creta (Elephas -Palaeoloxodon - creticus), que media até 1,0 m  de altura.

Entre a família Rodentia (roedores) temos o maior deles, a Capivara ( Hydrochoerus hydrochaeris ) com um comprimento de até 1,40 m. Verificamos uma variedade de coelhos e lebres de comprimentos médios entre  30-40 cm, enquanto o menor  roedor  conhecido é o Jerboa Pigmeu (Cardiocranius paradoxus Satunin) que tem o comprimento do corpo entre  52-68 mm.

Os exemplos são inúmeros, tanto entre os animais como entre os vegetais. A Natureza os fez de porte grande, médio e minúsculos. Não há qualquer razão para supor que entre os seres humanos essa regra haveria de ser  diferente. Temos  seres humanos de estatura até um pouco mais de 2,00 m, temos  os  pigmeus  que  medem  em  média 1,30 m  e  temos  seres  minúsculos . . .

 

 

No ano de 1200, em Nidaros (atualmente Trondenheim) na Noruega, o sueco Frederik Ugarph encontrou, na casa de um pescador, uma pequena estátua de madeira, medindo 15 cm de altura sem contar o pedestal e tinha gravada as palavras "NISSE  RIKTIG  STRRELSE" que significa literalmente 'Gnomo, altura  real'. Após muitos dias de negociação, Ugarph conseguiu comprar a estátua, que estava em poder da família do pescador havia muitos anos. Atualmente, ela pertence à coleção da  família Oliv, de Uppsala, Suécia. Exames radiográficos comprovam que a peça tem mais de 2.000 anos, tendo sido entalhada num pedaço de raiz de uma árvore muito resistente  e  já  extinta. A descoberta  dessa estátua parece confirmar aquilo que os próprios Gnomos sempre afirmaram acerca de suas origens escandinavas.

       

        Estátua de Uppsala

Foi somente após a Grande Migração dos Povos, em 395 d.C. que os gnomos começaram a ser notados nos Países Baixos, provavelmente por volta de 449 d.C., quando o posto avançado dos romanos, na Britânia, caiu frente aos anglo-saxões e aos jutos.  Existem evidências a esse respeito numa carta escrita por um sargento romano aposentado chamado Publius Octavus. Ele permaneceu em Lugdunum (atualmente Leiden, na Holanda) onde se casou com uma moça local e passou a viver em uma propriedade adquirida nos arredores da cidade. Nessa carta datada de 470 d.C., ele escreveu: Eu tive a oportunidade de ver, com meus próprios olhos, uma criatura minúscula. Ele usava chapéu vermelho e uma camisa azul. Ele tinha uma barba branca e calças esverdeadas e disse que vivia nessas terras há vinte anos. Ele fala nossa língua, misturada com algumas palavras estranhas. Desde então  eu tenho conversado com ele muitas vezes. Ele disse descender de uma raça chamada Kuwalden, uma palavra completamente desconhecida, e que havia apenas alguns poucos deles no mundo. Ele gosta muito de beber leite. Por muitas vezes eu o vi curando  animais  doentes nas  pradarias.

É curioso notar  que o sentido exato do termo kuba-walda, em linguagem germânica antiga significa "administrador do lugar".

Em seu livro escrito em 1580, o escritor Wunderlich menciona que naquela época os gnomos tinham estabelecido uma sociedade sem qualquer diferença de classes, que já se mantinha por mais de mil anos. À exceção do próprio rei, escolhido pelo povo, não existiam gnomos pobres ou ricos, inferiores ou superiores.

Existem indícios de narrativas da tradição oral, entre os europeus, de que até por volta do ano 600-650  d.C., os gnomos eram parte integrante da sociedade, mantendo um relacionamento discreto, porém  freqüente, com  os  humanos.

Um achado espetacular  foi feito em 1800, em Pennince a leste de Lancashire, Inglaterra, onde foram encontradas centenas de ferramentas diminutas, tendo  três centímetros de tamanhos e confeccionadas de forma perfeita, algumas com detalhes que só podiam ser vistos com o auxílio de uma lupa. O achado foi considerado tão desconcertante, que sem maiores explicações os especialistas rotularam de "aparatos provavelmente utilizados em rituais". Mas, porque teriam que  ser  tão  perfeitos  e  tão  pequenos ? Isso ninguém  sabia  explicar !

Na Escócia, ao final do Século 19, um grupo de pesquisadores descobriu uma pequena escada esculpida na rocha, contendo degraus de 2,0 cm de altura. Após seguir por uma trilha particularmente difícil, seguindo a escada rochosa, depararam-se com uma pequena necrópole contendo minúsculos ataúdes e, em seus interiores, pequeníssimos restos de corpos muito semelhantes aos humanos. Após o entusiasmo e publicidade iniciais sobre esse achado, algumas pesquisas foram realizadas, o assunto foi esquecido e hoje o que restam são relatos na imprensa da época.

Em 1932, nas montanhas San Pedro no estado americano de Wyoming (EUA), dois garimpeiros chamados Cecil Mann e Frank Carr encontraram uma múmia medindo 35 cm. Especialistas do Museo Americano de História Natural e do Departamento de Antropologia da Universidade de Harvard atestaram que a múmia era genuína e concluíram tratar-se de uma pessoa com idade aproximada de 65 anos. Os índios das Nações Shoshonees e Crows, nativos que habitam as redondezas onde ocorreu o achado, falam, nas lendas e folclore da tradição oral de suas tribos, sobre  uma  raça  de  pessoas  pequenas, que vivia  na  região, chamada por  eles  de  Nimerigar  1.

O alquimista suíço Paracelso, em sua obra 'Tratado sobre os Elementais' publicada em 1566, parece ter sido o primeiro a cunhar o termo gnomus, derivado de gnose (conhecimento), querendo indicar que esses seres diminutos e simpáticos eram possuidores de muitos conhecimentos.

Para Rudolf Steiner (1861-1925), fundador da Antroposofia, introdutor do Sistema Biodinâmico de Agricultura, e criador do famoso método Wardolf de Educação, a importância dos Gnomos na manutenção e renovação do meio ambiente, especialmente o solo, é um fato concreto e não mera retórica de fundo mítico. Nesse aspecto, ele proferiu muitas palestras sobre a importância dessas criaturas.

 

 

Gnomos são seres minúsculos, com estatura variando entre 10-15 cm. Vivem até idades em torno dos 400 anos.  São bastante ativos, muito inteligentes e curiosos.  São alegres, bem humorados e quando não estão nos momentos de tarefas diárias, preferem passar o tempo em brincadeiras, conversas ou longos passeios pelas redondezas.  Particularmente lhes chama atenção nossa tecnologias, invenções e estilos de vida, embora eles mesmos sejam afeitos à vida simples, o que faz com  que  praticamente não mudem  sua  própria  maneira de  viver.  Vivem  em  pequenas  comunidades, construindo  suas  casas  no  subsolo.

 

    

Levam um estilo de vida doméstica bem semelhante aos de seus irmãos maiores, nós humanos. São exímios artesãos, sabedores de como trabalhar os metais e a madeira, que utilizam na confecção de casas e móveis de uso comum.  Confeccionam sua própria porcelana. Conhecem  muitas artes e ofícios, embora não tenham qualquer inclinação pelo desenvolvimento econômico, visto que lhes falta qualquer traço de ambição.  Pelo que se sabe, são coletores de alimentos, que encontram nos bosques e florestas. Sua dieta é baseada em pequenas frutas, amoras diversas, folhas e raízes, das quais utilizam a fécula na confecção de bolos, tortas e pães, sempre adoçados com mel de abelha ou o néctar que eles extraem de algumas plantas e flores. São essencialmente vegetarianos, visto serem contrários a causar qualquer mal ou violência contra os animais. Podem  dispor  de  frutas  das  mais  variadas  espécies,  pois  detêm  a  técnica  ou  arte  de  miniaturizar  árvores  por  completo:  tamanho  dos  troncos,  folhas  e  frutos,  conhecimento  este  que  faria  a  alegria  de  qualquer  mestre  na  arte  do  Bonsai. Ao contrário do que se pensa, os Gnomos não fumam cachimbos nem consomem vinhos nem licores. Aliás desprezam o hábito entre os humanos do consumo de carnes e bebidas alcoólicas, evitando a todo custo pessoas que se dedicam a essas atividades, uma vez que cultivam um padrão de vida moral e espiritual avançado. São dotados de grande força, comparada a seu tamanho corporal  e gozam de excelente saúde, embora conheçam a medicina das ervas, as quais não cultivam em hortas explícitas, mas disfarçadamente em meio à flora circunvizinha. Por esse motivo, sempre se achou que eles não se dedicam à agricultura. Dedicam-se  com afinco à atividades de cultivo de plantas, ervas e todo tipo de cogumelos, visto serem imunes à toxidade destes.  A  bem  da verdade, são  exímios  cultivadores  de cogumelos,  no  que  fazem  em  túneis  especialmente  cavados  no  subsolo.

 

 

 

Os Gnomos são bastante tímidos e reservados. Dificilmente  são vistos durante o dia, sendo seres de  hábitos noturnos. Se alguém os  'surpreendem', é mais pela disposição deles mesmos em se deixar  ver. Donos de poderes psíquicos, são capazes de  entender   os   pensamentos de quaisquer  criaturas, sabedores de suas mais íntimas e reais intenções. Diante de um primeiro contato, os Gnomos mostram-se gentis e cordiais, embora não escondam uma certa desconfiança, não obstante entenderem o que se passa na mente  dos outros. As moças e senhoras Gnomos são mais tímidas e retraídas que  seus companheiros. A ponto de dificilmente serem vistas, quer durante o dia ou à noite. Normalmente permanecem a maior parte do tempo ocupadas nos afazeres domésticos. De regra, esses simpáticos seres  preferem  contatar  as crianças, visto terem elas a mente mais aberta, sem prejulgamentos, e possuidoras  da  natural  inocência infantil. Quando não conseguem fugir a tempo, diante de uma presença indesejada, os Gnomos se transformam de imediato em algum tipo de  animal, no mais  das  vezes  assumem  a  forma  de  um sapo.

 

São afáveis nas relações pessoais e nunca entram em disputas ou conflitos, seja entre si ou com os humanos. Têm grande conhecimento e sabedoria sobre os mistérios da terra e do cosmo e toda  a sua  cultura  é repassada  entre  as  gerações,  por  tradição.  Adotam uma espécie  de monarquia  bastante  peculiar:  o Rei é escolhido  dentre  o  mais  capaz  do  clã,  em  inteligência,  sabedoria  e  bondade. Na  vacância  do trono, pela  morte  do Rei, outro  é  escolhido  sempre  que  um  de  seus  herdeiros  não  seja  a  pessoa  mais propícia  à  tarefa,  dentre  os  homens  casados do  grupo.  Ser  Rei,  não  é  uma  tarefa  que  importe  em poder,  ou  prestígio,  entre  os Gnomos.  O  Rei  e  a  Rainha  desempenham  mais  o  papel  de  pais  dos outros  membros.  É  uma  posição  de  serviço e não de serem  servidos.  Quando  da  morte  do Rei  ou  da Rainha, aquele  que  sobrevive   renuncia  e  nova  assembléia  para  escolha  do  casal  real  é convocada. Pode  acontecer  que  um  príncipe  herdeiro  casado  convoque  uma  assembléia,  sempre  que  entenda existir  alguém  mais  capaz  que  ele,  na  comunidade.  O  casa  real  é,  em  tudo,  semelhante  a  casa  dos demais,  exceto  pelo  fato  de  ter  uma  grande  sala  para  que  ocorram   as  reuniões  e  assembléias.

 

 

Os  Gnomos  são  muito  dados  a  festas  e  reuniões  sociais. Os membros solteiros invariavelmente  aproveitam  essas  ocasiões  para iniciarem  um  namoro, que nunca necessita da aprovação  dos  mais velhos  dos grupos familiares envolvidos, uma  vez  que  todo rapaz  e toda moça  têm  qualidades  suficientes  para  iniciarem  uma  família. Nesse aspecto, os membros masculinos são muito galantes, presenteando a moça Gnomo com presentes e mimos diversos. O casamento ocorre não muito tempo após iniciado o namoro, e é quando acontece uma reunião dos mais velhos da comunidade para deliberarem sobre o melhor momento das bodas, tendo em vista que os preparativos para a grande festa envolvem toda comunidade. A cerimônia é oficializada pelo casal real e se constitui numa grande celebração, onde todos participam, trazendo bolos, doces e sucos feitos de diferentes frutas, comendo, rindo e dançando, ao som  de muita música, executada com instrumentos de corda, flautas e vários tipos de tambor. Após as festividades,  os noivos saem por alguns dias em passeio nupcial. Quando retornam, já encontram sua casa prontinha, com  móveis  e  tudo  o  mais, devidamente  construída  por  todos  os conhecidos.

 

 

Dessa forma, o casal recebe os presentes não por ocasião das festividades do casamento, mas quando  retornam  do  passeio. São presenteados inclusive pelo Rei e a Rainha, que confeccionam, eles mesmos, alguma  peça  artesanal  para  o  esposo  e  a  esposa, respectivamente.

Quase  de  imediato  sobrevém  a  gravidez, que  dura  em  torno  de  12  meses. Ao final, o casal é presenteado com  gêmeos, que podem  ser  dois meninos, duas meninas ou um casalzinho  de  bebês, o  que ocorre  na grande  maioria  dos  casos. Assim, a população de Gnomos não varia muito, e é muito raro algum Gnomo não casar, pois sempre existe um rapaz e uma moça, solteiros,  disponíveis  para  a  nobre  tarefa  de formarem  uma  nova  família. Uma família típica consiste nos  pais  e  duas  crianças,  embora  uma segunda  gravidez (quatro filhos) também  ocorra, o que faz  com  que  seja  considerada  uma  família numerosa.

Enquanto  são  pequenos, as  crianças estão ora com a mãe, ora com o pai, que lhes dispensa a maior atenção, com várias brincadeiras  domésticas. Ao ficarem  um pouco  maiores,  as meninas  passam  a maior parte do tempo junto às mães, quando aprendem as artes do lar, enquanto os meninos ficam com o pai, aprendendo as várias tarefas cabíveis aos homens.

 

                       

                                Casal de bebês Gnomos                              Casalzinho amamentando                Gnomo-pai com duas meninas

 

Ambos, entretanto, meninos e meninas, acompanham  o pai,  para aprenderem  sobre  coisas  da  floresta. Todo  o sistema de educação consiste no aprendizado básico  do  estilo de vida que conservam, quase invariável desde muitos tempos. Não se empenham em um sistema formal de educação, embora tenham alguns  escritos  e  livros  secretos  que  toda  família   estuda  diligentemente.

A infância dos Gnomos dura até seus 40 anos de vida, quando se inicia o período que corresponde à adolescência. Por  volta  dos  cem  anos, os  Gnomos  estão  na  idade  de  casamento. Existe  uma  levíssima tendência  a  nascerem  mais meninos  que  meninas, o que faz com que alguns  rapazes  queiram  permanecer solteiros.  Entretanto,  todas  as  moças  se  casam  e  mesmo  que  um  rapaz  não  deseje  o  casamento,  ele acaba  abrindo  mão  dessa  prerrogativa, caso  seja  necessário, para  que  uma moça  não permaneça solteira.  A  constituição  de  família  é  uma  norma  superior  entre  os  Gnomos.  Não  existe  entre  eles um conceito  individualista  de  vida, o  que  faz  com  que  todos  sejam  cuidadosos  com  os  demais, especialmente  com  as  crianças. Os  Gnomos  se  consideram  uma  única  família,  ao  invés  de  uma  raça.

 

        

 

Os Gnomos se dedicam à trabalhos voltados a subsistência da família ou da coletividade. Os homens trabalham na marcenaria, agricultura, confecção de móveis e utensílios, fundição de metais, coleta de alimentos nas florestas e bosques.  As mulheres  dedicam-se às atividades do lar, costura, coleta  de alimentos,  flores, preparação de alimentos e cuida da prole. Ambos educam os filhos e dedicam-se a confecção  de  artesanato  segundo  suas  habilidades.

 

 

Nas excursões que fazem nos bosques e florestas, evitam as trilhas utilizadas pelos homens ou pelos animais. Preferem criar seus próprios caminhos, pequenas trilhas ou estradas, embaixo da vegetação  dos  pequenos arbustos rasteiros. Assim, sentem-se mais confortáveis. Existe um mal entendido quanto à maneira dos Gnomos viajarem à grandes distâncias. Pensa-se que eles costumam viajar com a ajuda de alguns animais, notadamente, pássaros, acomodando-se neles numa gostosa carona. Não é bem assim. Os Gnomos podem assumir qualquer forma que desejarem. Por  conseguinte, quando querem cobrir grandes distâncias, transformam-se em aves migratórias e vão aonde desejarem, num vôo solitário, ou coletivo, envolvendo toda uma comunidade ou parte dela, na busca de locais mais adequados à sobrevivência. Isto explica o fato de que eles estejam espalhados por todos os continentes. Os Gnomos, todavia,  são muito afeitos a brincadeiras e podem  sim  subir  nas  costas  dos  animais  e  das  aves, apenas por  simples  divertimento.

 

     

Conhecedores dos segredos  da  terra, podem  perceber  catástrofes naturais  com  muita antecedência e nunca  são  surpreendidos  por esses  eventos. Dessa  forma  podem mudar de local, região ou mesmo continentes, sempre  que  as  condições  ambientais  mostrarem-se adversas.

Os Gnomos  não  são  seres  espirituais,  mas  seus  corpos são  de  carne  e  osso; são bem  parecidos  conosco, embora, isto  sim,  mais  espiritualizados. Devido  ao  estilo  de  vida  que  levam,  simples, embora cultivando uma  disposição  mental  elevada,  mantêm  uma  maior  sensibilidade, o que lhes  dá  vantagem  sobre  nós.  São  muito  solidários  com  todas as  formas  de  vida,  e  uma  de  suas  atividades  típicas  nos  bosques, florestas  ou  pradarias  é  cuidar  de  animais  feridos  ou  doentes. Entendem  a  língua  dos  humanos, das  plantas  e  animais,  embora tenham  sua  própria  linguagem.  Dessa  forma,  podem  se  comunicar  com  diferentes  criaturas, e  entender  suas  necessidades.      

Os Gnomos são bem humorados e brincalhões, mesmo  quando  adultos.  Divertem-se  com  os filhos  e  com  os  parentes  e  amigos. O  casal  namora  e  brinca  o  tempo  todo, inclusive  depois  de  anos  de  casamento.

   

Dedicam-se  a  proteger  a  flora  e  a  fauna, pois têm  pleno  conhecimento  dos  intrincados inter-relacionamentos  existentes  na  Natureza. Ao longo  dos  anos,  se  distanciaram  bastante  dos humanos, ao perceberem o  individualismo,  o egoísmo  exacerbado, a  ambição  e  falta  de bondade  para  com  os  outros,  sejam  eles humanos,  animais  ou  as  plantas. Evitam  as pessoas  de  má  índole  e  de maus  hábitos. Entretanto,  procuram  estar  perto  de  pessoas bondosas,  honestas  e gentis.  Freqüentemente  as observam  e  as  ajudam  no  que podem,  mesmo que  as  pessoas  disso  não  saibam.  Mantêm-se distantes  de  lugares  onde  predominem  atividades que  envolvam  paixões,  barulho  ou  desarmonia. Em  algum  estágio  da  vida  de  um  ser  humano, especialmente quando criança,  os Gnomos penetram-lhe  nos  sonhos, oferecendo  momentos agradáveis. Aqueles  que  participam  dessa experiência, normalmente  tornam-se,  ao  crescerem,  pessoas  bondosas, respeitosas  das  coisas  da  terra  e da  Natureza. Essa,  muito  mais  que  uma  atividade  lúdica  ou  divertida,  é,  para  esses  seres,  um momento  especial  para   educarem   seus  irmãos  maiores.

 

   

 

Em  alguns  momentos  um  Gnomo, homem  ou  mulher  se  isola,  na  beira  de  um  riacho, no alto  de  uma  colina,  sobre  uma pedra  ou mesmo num balanço,  perto  de  casa.  Fica  ali,  sozinho,  pensativo.  Não  é  por  solidão,  nem  tristeza  ou  algo  assim.  É apenas  uma  coisa  própria deles  mesmos. Ninguém  se aproxima, a menos que seja alguém  muito  íntimo  como a  esposa, um dos  pais, um irmão ou uma irmã.  Ao se  aproximarem,  ficam  ali  ao lado quietinhos, igualmente  sentados,  em silêncio. Nem mesmo  tentam  penetrar   nos  seus    pensamentos.  Compartilhar  desses  momentos é algo  muito  significativo  para  esses  seres  delicados,  pois  é  um  momento  de  suma  intimidade  e  muito  especial.

Temos  muito o  que  aprender  com  os Gnomos. Muitas  das  coisas  com  eles  já  aprendemos: os segredos  da  fermentação,  o  feitio  de  queijos  e  iogurtes,  como  cultivar  cogumelos  e  quais  cogumelos,  nós  humanos,  devemos  evitar. Como  extrair  mel  das  colméias  e  como  cuidar  do  solo. A ciência das ervas medicinais ou como  fazer  certas  ferramentas . . . Isso,  desde  muitos  anos,  quando  éramos  simples  como  eles  e  podíamos  compartilhar  uma  saudável  associação. Hoje  estamos  devastando  o  meio  ambiente,  derrubando  árvores  centenárias,  para  cultivo  de  pasto  para  gado,  não  para  tirar-lhes  o  leite,  bondosa  dádiva,  mas  para  em  algum  momento,  trair-lhes  a  amizade  cortando-lhes  o  pescoço  e  comendo-lhes  as  entranhas.  Estamos  poluindo  os  rios,  os  lagos  e  os  riachos. Estamos  fazendo  sangrar  a  Mãe  Terra,  humilhando  sua  Natureza.  Envergonhamos nossos  pequenos  e  gentis  amiguinhos,  mostrando-lhes  o  que  temos  de  pior,  o  desprezo  e  o  ódio  até  para  conosco.  Deixamos  de  ser  uma  família  e  para  alguns  nem  somos  da  mesma  raça !

Estamos  cada vez  mais  empurrando  essas  simpáticas  criaturas  para  mais  longe  de  nós. Nada  mais  natural,  visto  que  estamos  cada  vez  mais  distantes  de  nós  mesmos.

                                                       

 

 

 

 

                                                                          

 

 

 

 

 

 

 

Recife,

06/10/2006                                                                                     

               

 

J.R. Araújo

e-mail - zecaro108@yahoo.com.br

 

 

Referências

 

 

Ilustrações  dos  Gnomos  do  artista  Rien Poortlviet  -  extraídas  do  livro 

Gnomos, Editora Siciliano, 1987 - 5ª Edição 1992  São Paulo.

 

 

1 -  Mysteries of the Unexplained, Reader's Digest General Books, The Reader's Digest ......Association, 1982

 

 

Montagens  dos  gnomos  nas  fotos  J.R. Araújo

 

 

 

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