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J. R. Araújo
O processo de visão é complexo, envolvendo um fenômeno físico que chamamos de Luz , a captação da luz pelos olhos os quais emitem impulsos elétricos ao cérebro e o processamento desses impulsos pelo cérebro, o que nos possibilita a sensação de ver cores e imagens. A luz é constituída de fótons, partículas microscópicas que carregam a energia luminosa e se deslocam em um movimento ondulatório. Um feixe de fótons é um feixe de luz, vibrando a determinada freqüência, transmitindo uma certa energia.
Dispersão da luz branca por um prisma Vemos objetos por que eles refletem a luz incidente sobre os mesmos, proveniente de uma fonte luminosa. A fonte de luz mais natural e abundante que temos é o nosso sol, embora nos dias atuais possamos contar com fontes luminosas artificiais. Quer provenha do Sol ou de fontes feitas pelo homem, a luz utilizada na iluminação é o que comumente chamamos de luz branca. Fazendo-se passar um feixe de luz branca através de um prisma triangular a luz pode ser decomposta em outras cores. A Luz é uma onda eletromagnética da mesma natureza que as ondas de rádio AM e FM, radar, TV, micro-ondas, ultra-violeta, raios-x, raios-gama etc. e que se encontra na região visível do espectro eletromagnético. Propaga-se no vácuo a grande velocidade (300.000.000 metros por segundo). A luz pode assumir várias freqüências e para cada uma delas identificamos como uma cor. Todas as cores são combinações de três cores básicas ou primárias: vermelho, amarelo e azul. A junção da luz vermelha com amarela produz o laranja; amarelo e azul produz o verde, enquanto vermelho e azul resulta no violeta. As cores produzidas pelas cores primárias são denominadas cores secundárias. Combinações subseqüentes das cores secundárias entre si ou com as cores primárias produzirão as cores terciárias. As três cores primárias juntas produz o branco que é o somatório de todas as cores, como sabemos, ao passo que combinando as cores secundárias entre si ou as terciárias teremos o preto, que é a ausência de cor.
Notemos no disco de cores ao lado, que a adição de quaisquer cores primárias (P) adjacentes, forma uma cor secundária (S) que se encontra entre elas. Vermelho e amarelo produz laranja, enquanto amarelo e azul resulta no verde. Além disso, uma cor P e uma cor S diametralmente opostas no círculo são ditas cores complementares, pois a adição dessas cores produz o preto. Assim, se adicionarmos vermelho ao verde teremos o preto, ausência de cor, por exemplo. Amarelo e violeta, laranja e azul são também complementares entre si. Há, no entanto, diferença entre as cores proveniente de fontes luminosas e as cores refletidas por pigmentos e corantes. Qualquer artista plástico sabe que uma mistura de tintas vermelha e verde produz o marrom e não o preto. Ao misturarmos tintas de todas as cores, não obteremos o branco, mas uma cor indefinida que se assemelha a um cinza claro. As cores secundárias, se misturadas, não produzirão o preto, mas um cinza escuro. Isto é devido ao fato de que os pigmentos não refletem cores puras. Numa amostra de pigmento vermelho há uma prevalência dessa cor, embora contenha, também, quantidades muito pequenas de outras cores. O mesmo não ocorre com feixes de luz provenientes de fontes luminosas, especialmente se forem fontes LASER por serem totalmente puras. O olho é o órgão responsável pela visão. Nos humanos é um aparato muito complexo e sofisticado. Basicamente é composto pela córnea, íris, pupila, lente, humor vítreo, retina e nervo ótico. Na retina encontramos dois tipos de neurônios que agem como células receptoras de estímulos luminosos: bastonetes e cones.
Esses fotorreceptores coletam os estímulos luminosos e os transformam em impulsos elétricos que são enviados diretamente ao cérebro pelo nervo ótico. Os bastonetes são células de formato cilíndrico muito sensíveis à presença de pouca luz e, por isso, funcionam apenas na quase escuridão. Contêm uma uma membrana receptora onde se encontra uma proteína, Rodopsina, que detectar pequenos impulsos luminosos. Quando entramos num ambiente com baixa luminosidade, o pouco que vemos é por conta da ação dessa proteína nos bastonetes, que detecta formas e diferentes tons de cinza, sendo, entretanto, insensível às cores. Num ambiente com muito pouca luz, podemos ver os objetos com diferentes tonalidades de cinza, desprovidos de cores. Os bastonetes também desempenham papel importante na visão periférica. Os cones funcionam na claridade, proporcionam visão detalhada dos objetos e são responsáveis pela percepção das cores. Bastonetes e cones estão distribuídos de forma irregular na retina, formando um mosaico, onde os cones se concentram no centro e os bastonetes na periferia. Se quisermos ver uma estrela distante numa noite clara, devemos olhar um pouco para o lado da estrela, permitindo, dessa forma, que a luz fraca que ela emite incida nos bastonetes. Para vermos melhor as cores, devemos olhar os objetos de frente. Quando entramos em casa, vindos da rua, ao sol, digamos, do meio dia, por algum momento ficamos sem nada enxergar, até que nossos olhos se acostumem com o ambiente dentro de casa. Isto por que em ambiente fortemente iluminado, os cones estão muito ativos e os bastonetes não. É necessário alguns segundos para que os cones descansem e os bastonetes comecem a agir. O contrário ocorre quando estamos num ambiente pouco iluminado ou totalmente escuro e uma janela é aberta. Sentimos uma forte sensação de desconforto, pois os cones, agora inativos, recebem uma súbita "explosão" de luz. Quando feixes de luz, de cores diversas, atingem os cones e bastonetes, excitam fotoquimicamente certas proteínas que recobrem esses neuro-transmissores. Diferentes freqüência (cores) interagem com as proteínas fotossensíveis de forma característica. Cada freqüência excita essas substâncias a diferentes níveis de energia, liberando impulsos elétricos ao Córtex Visual, no cérebro. O cérebro recebe , decodifica, processa, analisa, interpreta e compara na memória esses pulsos elétricos, transformando-os em informação úteis. Sabemos que todo sistema físico ou físico-químico, quando recebe energia fica excitado, passando a um nível de energia superior. A tendência do sistema é voltar ao estado de equilíbrio, e ao fazê-lo, libera energia. Cada cor (freqüência) excita as células fotossensíveis (cones e bastonetes). Quando uma cor, imprime uma sensação, a maneira que a retina e o cérebro têm para voltar ao equilíbrio ou descansar é justamente por receber estímulo de luz de uma cor complementar. Note que o conjunto olho-cérebro quer descansar, então precisa da ausência de cor (luz), precisam do preto (escuro ). Se tivermos nossos olhos excitados pela cor vermelha, nada melhor que olharmos o verde. Se a excitação foi causada pelo azul, a cor laranja seria reconfortante. Mas, o que acontece com o sistema olho-cérebro quando após ser excitado, não recebe um contra-estímulo ? O cérebro é uma estrutura maravilhosa, perfeita. Nesse caso, ele cria uma espécie de imagem fantasma, que não existe de maneira alguma, mas que resolve o problema do contra-estímulo ! É um fenômeno visual / mental, muito interessante conhecido por IMAGEM EIDÉTICA. Comecemos por um exemplo bem simples, envolvendo as cores branca e preta. Olhe atentamente para a figura abaixo. Fixe a atenção no pequeno ponto azul-claro no centro da figura. Conte lentamente até 30 sem desviar o olhar. Depois olhe o quadrado ao lado, no ponto central e veja o que acontece.
A retina fica excitada com as partes brancas e, ao mesmo tempo, não recebe estímulos das partes em preto. A situação de descanso mais natural é compensar a excitação causada pelo branco (todas as cores) com seu oposto, a ausência de cor (preto). Assim o cérebro cria uma figura fantasma ou retro-imagem para descansar as áreas excitadas da retina.
Repita o mesmo exercício com as figuras abaixo. Agora conte um pouco além, lentamente até 40. Quanto mais tempo de estímulo, melhor efeito visual terá o exercício.
Com o propósito de compensar as reações químicas nas proteínas que tiveram algumas de suas moléculas excitadas pela recepção de luz, o cérebro projeta uma cor complementar àquela que causou o estímulo visual. O exemplo a seguir, embora envolvendo apenas os complementos branco / preto, tem grande impacto pós-visual. Para o exercício seguinte façamos um procedimento diferente; olhe a figura abaixo e fixe a atenção nos quatro pontinhos verticais e conte até 40. Ao invés de olhar algum espaço em branco ao terminar de contar, feche os olhos, incline a cabeça para trás, como se quisesse olhar o teto acima e a sua frente. Observe o círculo branco que se forma na pós-imagem e continue olhando.
Imagens Eidéticas são um fenômeno largamente estudado por neurocientistas, psicólogos, educadores e pesquisadores de métodos cognitivos. É um fenômeno intrigante. Diferente das ilusões de ótica, visto que essas se referem aos processos de análise e interpretação das imagens pelo cérebro, não sendo portanto menos interessantes que os efeitos da pós-imagem. Existem pessoas que estudam um fenômeno chamado Memória Eidética, onde pessoas alegam poder visualizar retro-imagens de objetos e até mesmo documentos após tê-los vistos por alguns segundos. Esse tema, entretanto, é bastante polêmico entre os estudiosos do assunto. Existem pessoas com poderosíssima recursos de memória, a chamada memória fotográfica que difere em essência de uma imagem eidética. A visualização de uma pós-imagem de um documento complexo não tem ainda comprovação científica, sendo portanto uma possibilidade discutível.
Recife, 29/06/2007
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