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Impressionismo

                                    J.R. Araújo

 

 

É comum  a  qualquer  empreitada  confrontar-se  com  dificuldades iniciais. Não  é  diferente  com  os  artistas  plásticos  e  não o  foi  com  o  movimento  de  arte  surgido  em  Paris,  na  segunda  metade  do  Século  19,  conhecido  como  Impressionismo.  Nessa  época,  havia  a  exposição  anual,  patrocinada  pelo  estado,  conhecida  como  Salon.  Era  o  único  evento  artístico  onde  os  pintores  tinham  a  oportunidade  de  mostrar  e  vender  seus  trabalhos  ao  grande  público.  Era  de  vital  importância,  especialmente  para  os  iniciantes.  Em  1874,  um  grupo  de  artistas  teve  seus  trabalhos  rejeitados  pelo  Salon. Não  se  abateram  e  tiveram  a  iniciativa  de  mostrar  seus  trabalhos  numa  exibição  coletiva  independente.  Era  um  grupo  formado  por  55  artista,  dentre  os  quais  Cézanne,  Pissarro,  Sisley, Renoir, Degas, Monet,  Manet  e  sua  cunhada, Berthe  Morisot.  Nas  palavras  de  um  crítico  “um  bando  de  lunáticos  e  uma  mulher “.  A  reação  foi  tremenda  e  as  críticas  choveram  de  todos  os  lados,  principalmente  dos  conservadores  da  Academia  de  Belas-Artes  da  França,   que  desde  1648  dominava  o  ensino  e  o  gosto  pela  arte  com  sua  escola  conservadora,  e  que,  de  uma  hora  para  outra,  viram  todas  as  suas  regras  serem  quebradas.  O  Impressionismo  era  uma  heresia  aos  padrões  clássicos  da  simetria,  bom  acabamento,  objetividade  formal,  balanço  de  formas,  cores,  luz  e  sombra  numa  representação  a  mais  fiel  possível   da  realidade,  com  temas  históricos,  heróicos,  mitológicos  e  religiosos,  das  Artes  Clássicas  das  antigas  tradições grega,  romana  ou  bíblica. 

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Ao olhar  a  tela  Impressões  do  sol  nascente  de  Claude Monet (1840-1926),  o  jornalista  e  crítico  de  arte,  Louis Leroy  ironizou, “mas  que  impressão !  Papel  de  parede  em  sua  forma  embrionária  tem  melhor  acabamento”.  Em  poucos  meses  o  termo  Impressionistas  era  conhecido  e  aceito  pelo  público  e  crítica  em  referência  ao  movimento.  De  início  os  artistas  preferiam  chamar-se  de  “Independentes”,  embora  mais  tarde  eles  mesmos  viessem  a  admitir  que  “impressionismo”  era  o  termo  mais  adequado,  até  pelos  conceitos  teóricos  que  faziam  de  sua  própria  pintura.  Embora  alguns  apreciassem  as  pinturas,  a  maioria  detestava-as,  incluindo  parte  do  grande  público.  Após  a  segunda  exposição,  Albert Wolff  usou  de  escárnio  e  desprezo  quando  escreveu  . . . é  difícil  explicar  ao  Sr. Pissarro  que  árvores  não  são  violetas  e  que  o  céu  não  se  parece  com  manteiga . . .  tente  explicar  ao  Sr.  Renoir  que  o  corpo  de  uma  mulher  não  é  uma  massa  em  decomposição  com  aquelas  manchas  azuis-esverdeadas . . .”  A  maioria  achava  difícil  entender  uma  arte  em  que  os  artistas  parecia  preguiçosos  em  terminar  seus  trabalhos,  com  aquelas  pinceladas  curtas,  breves  e  ásperas,  numa  mistura  de  cores  entre  pinceladas  contíguas.  O  certo  é  que  apesar  do  susto  inicial,  as  pessoas  começaram  a  mudar  e  melhor  sentir  as  mudanças  na  Arte.  Impressionismo  era  isso:  as  impressões  do  artista;  a  sua  visão  particular  de  ver,  sentir  e  transmitir  a  realidade.  

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A  partir  do  Impressionismo  a  Arte  entrava  na  subjetividade.  Devido  aos  avanços  científicos  da  época,  na  Òtica,  com  a  decomposição  da  luz  branca  como  constituída  de  várias  cores,  como  ao  atravessar  um  prisma,  como  bem  determinou  os  trabalhos  de  Isaac Newton,  os  impressionistas,  afinados  com  as  novidades,  imprimiram  uma  visão  da  luz  também  na  pintura,  onde  todas  as  cores  estavam  presentes  nas  pinceladas  breves  e  curtas.  È  uma  arte  onde   também  existe  a  preocupação  de  retratar  as  pessoas  na  espontaneidade  dos  momentos,  nas  tarefas  cotidianas  do  meio  rural  ou  urbano,  fugindo  ao  rigor  do  classicismo.  Mostram-se  o  dia-a-dia  das  praias,  dos  bosques  e  parques,  dos  piqueniques, das  festas,  jantares  e  almoços  nas  margens  dos  rios,  dos  lagos,  nos  barcos,  as  comemorações  informais,  em  cores  leves  com  muita  luz  e  descontração  num  indisfarçável  gosto  de  feriado  ou  final de semana.  As  pessoas  e  coisas  parecem  ter  sido  flagradas  por  uma  câmera  fotográfica  sem  a  rigidez  da  pose,  na  mais  profunda  intimidade  de  um  gesto  ou  de  um  momento.  A maioria dos pintores impressionistas nasceram  em Paris  ou  seus  arredores,  provenientes  da  classe  burguesa,  sendo  este  o  mundo  que  retrataram  em  suas  pinturas,  muito  embora  de  forma  não  menos  romântica  que  pintaram  a  natureza  e  a  vida  campestre.  Em  seu  ensaio “ Pintores  da  vida  moderna”, o  poeta  Charles  Baudelaire  instigou  seu  amigo  Edouard  Manet  . . . faça-nos ver  e  entender,  com  pincéis  ou  lápis,  o  quão  grandes  e  poéticos  nós  somos,  em  nossas  gravatas  e  botas  de  couro”.  Esse  conselho  repercutiu  positivamente  nos  outros  impressionistas  que  adotaram  de  imediato  o  gosto  pelos  temas  da  vida  real. 

 

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Degas  (1834-1917) pintou  os  bastidores  das  óperas  e  do  balés  parisienses.  Monet  imortalizou  as  Estações  Ferroviárias  de  Paris.  Quase  todos  os  impressionistas  pintaram  pessoas  apressadas  nas  ruas  de  Paris  ou  desfrutando  os  momentos  de  folga  nas  alamedas,  nas  corridas  de  cavalos,  nos  cafés  concertos,  restaurantes  e  parques.  Difundiram  o  hábito  de  levarem  seus  apetrechos  e  pintarem  a  natureza  ao  ar  livre.  Isso  motivou  grande  escândalo  quando  Berthe  Morisot  (1841-1895),  cunhada  de  Manet,  também  adotou  esse  hábito,  pois  era  impróprio  para  mulheres  da  época  outra  atividade  que  não  as  do  lar.  O  ideal  impressionista  era  a  apreensão  da  brevidade  do  efeito  da  luz  sobre  as  superfícies  da  forma  mais  natural  possível,  com  pinceladas  rápidas,  curtas e  multicoloridas,  visto  que  a  luz  existe  em  todas  as  cores Mais  tarde  muitos  seriam  os  seguidores,  inclusive   Van  Gogh  e  Paul  Gaugin.

 

Recife,

Outubro de 2005

 

J.R. Araújo

e-mail - zecaro108@yahoo.com.br

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