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  Mestre Vitalino – Um Artista Naïf

                                                                               J. R. Araújo

 

Arte naif é a arte do povo, arte popular, especialmente da área rural, embora possa  manifestar-se no contexto  urbano. Não  constitui  uma “escola”  ou  movimento em que se possa delinear suas raízes históricas ou  conteúdo  formal  bem definido.  Entretanto,  alguns elementos significativos lhe são bastante comuns, mesmo diante da diversidade  cultural  em que  possa  aflorar.  O  Brasil,  França, Haiti,  Itália  e  toda  África,  são  considerados  os  países  de  maior  conteúdo e  importância  na produção  de arte-naif.  O  laboratório  é  a  realidade do  homem  simples,  autodidata,  que  busca na  sua  arte, seu  maior  dom:  capacidade  de  expressão.  É  arte  figurativista,  de  apelo  ao imaginário  popular,  que retrata  o  dia-a-dia  da  realidade  social  com  humor,  no  mais  das  vezes, refinado.  Desprovida  de  elementos heróicos,  incorpora,  todavia,  elementos míticos  lendários da  sociedade  local, retratando-os  de  forma  bem cotidiana,  quase  casual. Na  verdade o  grande herói  é  o  próprio homem  em  suas  atividades  profissionais  ou  sua aventura  pessoal, sempre  na busca  de  uma  vida melhor.  A  ausência  de  elementos  emocionais  e a despretensão sócio-política  fazem  dela  uma  arte sem  qualquer  leitura  subjacente,  não  engajada   e   por  isso  chamada  naif, ingênua. 

         Vitalino  Pereira  dos  Santos,  Mestre Vitalino, ceramista  pernambucano, nascido em  Caruaru no ano  de  1909, filho  de  mãe  ceramista  e  pai   lavrador,   começou,  desde   cedo,  a  “brincar” de fazer  bonecos;  inicialmente  bois, vacas,  jegues  e  cavalos  como  seus  próprios  brinquedos. Mais tarde aumentaria seu acervo criativo incluindo vaqueiros,  cangaceiros, médicos e dentistas em ação, advogados, costureiras, família de retirantes, cenas  de casamentos, batizados e  festas  diversas, bandas de pífanos, grupos de festejos  etc. Tudo  que  sua  imaginação  fértil podia  criar, captando  o universo  em que  vivia.  Divulgou  sua  arte  da  maneira  mais  naif  possível:  nas  feiras  locais, em  especial  a  Feira  de  Caruaru,  com  objetivo  único  de  vender  suas  peças  como  brinquedos   de  crianças.

 

                                                                                

                                      Vaqueiro                                    Boi                       Lampião e Maria Bonita              Casamento

Bem conhecidas são suas peças de grupos, entre elas podemos citar os enterros em  rede, bandas de pífanos ou forró, vaquejadas etc. Outro aspecto interessante é seu trabalho consonante o imaginário popular como “O vaqueiro que virou cachorro”, “A luta do homem com o lobisomem” e outros, temas freqüentemente descritos nos livretos de  literaturas de cordel. 

 

                                                                                      

                                       Banda de Pífanos                                                    Retirantes

Após  ficar conhecido em Caruaru  e  todo o estado,  transpôs  fronteiras  e,partir dos anos quarenta, sua  obra começou  a  ser divulgada  inicialmente  no  Rio de Janeiro  e  logo  para   todo país.  Hoje, suas  peças  estão espalhadas  em   museus  e  nas  coleções  de  admiradores,  de estudiosos  de folclore  e  arte  popular.  Algumas  de suas  peças  estão expostas no Museu de Arte Popular de Caruaru, Casa Museu Mestre Vitalino, no Alto do Moura, na casa  onde  viveu, no acervo do Museu  do Homem  do  Nordeste  da  Fundação  Joaquim  Nabuco,  em  Recife  e  até no  Museu do  Louvre,  Paris. 

         Mestre  Vitalino  criou  escola;  tanto  que  após  sua  morte,  em  20  de  Janeiro  de 1963, suas peças continuaram  produzidas pelos filhos, netos e outros ceramistas da  região.  Sendo  o Brasil considerado um dos mais importantes países do mundo no que concerne a art-naif, certamente que Mestre Vitalino  ocupa  uma  posição de maior  destaque.  

 

 

Recife,

Setembro de 2004

 

J.R. Araújo

e-mail - zecaro108@yahoo.com.br

                                                                       

Créditos

Figuras: casamento, casal de cangaceiros, boi, vaqueiro - www.terrabrasileira.net/.../ 2artes/nd-vital.html

Figuras:  pífanos,  retirantes -  www.artesanato-sol.com.br/ loja.htm   

   

                                                                                                                                   

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