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Como tirar
notas altas
J.R. Araújo
Quando estudantes, somos assim: algumas matérias gostamos, outras nem tanto. Havia uma professora nos meus tempos de ginásio, ela ensinava Moral e Cívica, uma dessas matérias de que eu não gostava. Então fiz um truque pra me interessar. Notei que a professora era lindíssima. Isso passava desapercebido da garotada porque ela era bem simples, discretíssima, nas maneiras e no vestir, e tinha lindas mechas de cabelos grisalhos.
Então eu pensei “se eu me apaixonar por ela, eu sei como sou, vou querer chamar sua atenção sobre mim, assim poderei ficar entusiasmado e tirar boas notas; vou ficar com vontade de estudar, apenas para chamar a atenção dela”.
Assim coloquei meu plano em ação. É claro que no início a idéia era que a coisa toda seria artificial, apenas como auto-motivação. Eu consegui as melhores notas da sala e realmente chamei a atenção da minha professora. Junto com o sentimento de sucesso, outros sentimentos haviam se instalados. Havia esse risco sim, mas pensei que, decerto, eu estaria no controle. Nada a temer.
A ingenuidade da juventude tem dessas coisas, mas eu
não podia reclamar, afinal era uma coisa interna, só minha e com um certo sabor. Entretanto, cometi um delicioso erro: comentei com
um colega
sobre minha
paixão. Foi
inevitável, ele falou pra
mais alguém
e este,
por sua
vez, falou
para
a professora.
Um dia ela me
chamou. Todos já tinham
saído, estávamos
a sós
na sala
e ela
foi extremamente gentil. Fez
muitas perguntas,
mostrou-se interessada
por mim,
enfim . . . a princípio
eu fiquei nervoso (tinha apenas
14 anos), mas
ela soube
me deixar
à vontade. Conversamos
bastante, foi
maravilhoso! Fiquei nas nuvens! Ela
era inteligente.
Anos depois,
ainda podia
lembrar da
conversa e
de como ela
agiu. Foi muito
sutil, muito
agradável e delicada; soube
fazer com que eu
me sentisse importante e,
embora sem
perder
a classe,
até demonstrou
saber sobre o que eu sentia
por ela
e
que estava feliz
por esse
meu sentimento.
Uma mulher maravilhosa ! Era o
último dia de
aula naquele
ano e
ela se transferiu para
outra escola.
Eu nunca
mais a vi. Jamais
a esqueci . . . .
Recife, 21/07/2003
J.R. Araújo e-mail - zecaro108@yahoo.com.br
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