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Religião / Filosofia
A seguir, temos um
artigo que foi inicialmente apresentado, com o mesmo título,
como uma palestra on-line, na sala Chama Trina, no Terra, em 07 / 10 /
2005.
A LINHAGEM
SAGRADA
J. R. Araújo
INTRODUÇÃO
Heresia, se refere a uma doutrina destoante da
oficialmente aceita. Não significa, necessariamente, que esteja errada.
Considerar que Vincente Pinzón visitou o Brasil antes de Pedro Álvares Cabral
constitui uma “heresia” à história do Brasil, embora esse seja um fato
perfeitamente comprovado !
É
bastante relativo considerar uma idéia ou doutrina como sendo herética.
Os ensinamentos de Jesus
de Nazaré, por exemplo, constituíam-se uma verdadeira heresia ao sistema
religioso/social no ambiente judaico da Galiléia, durante o primeiro século
d.C.
As idéias a seguir constituem uma heresia, por
estarem em aberto conflito com a interpretação ou posicionamento oficial sobre
a história da vida e ensinamentos de Jesus de Nazaré, mas não se revestem de
meios ofensivos nem difamatórios, não sendo, portanto, blasfêmias.
Muito pelo contrário, procuram fortificar o conceito de santidade e
enaltecer a figura espiritualmente elevada do Mestre da Galiléia,
Ao
final desta exposição, espero que os tópicos aqui abordados estejam, pelo
menos, razoavelmente entendidos, sem que isso importe,
necessariamente, a concordância de
todos.
DE REI A PASTOR
O Livro dos Reis, no Antigo Testamento, narra como o
profeta Samuel ungiu a Saul, entronando-o como rei de Israel, ao derramar sobre
sua cabeça o óleo contido em um vaso. Saul foi, pois, ungido rei por Samuel.
Rei Davi
Um jovem pastor de ovelhas, chamado Davi, conquistou a
amizade do rei e, ao matar o gigante Golias, tornou-se herói, conquistando a
graça do rei e o respeito do povo. Davi cresceu em prestígio e isso finalmente
causou a inveja de Saul que tentou, inclusive, matá-lo mais de uma vez. Davi,
entretanto, manteve-se sempre fiel ao seu rei, Saul, o qual, mais tarde,
reconheceu essa fidelidade.
Após a morte de Saul e seu
filho Jônatas, Davi foi ungido rei de Judá em Hebron e algum tempo depois, os
anciãos de Israel ungiram-no rei de toda Israel. Davi permaneceu em Judá onde
reinou por sete anos e seis meses, indo depois para Jerusalém, onde reinou toda
a Israel por mais trinta e três anos. O reinado de Davi, não obstante ter
ocorrido num período de muitas guerras, foi próspero e muitas conquistas foram
efetuadas. Davi
foi sucedido por Salomão, seu filho.
O reinado
de Salomão, como o do seu pai, foi muito próspero nas Finanças, Construções,
Ciências e Artes, Literatura, Agricultura, bem estar geral da população e o
Império de Israel era unificado.

Templo de Salomão
Foi durante o reinado de Salomão que foi construído o
magnífico Templo, no qual foi guardada a Arca da Aliança. Nessa tarefa de
construção, colaborou o rei de Tiro chamado Hiram e vieram muitos artífices
nas diferentes artes de construção liderados pelo artífice-mestre, Hiram
Abiff, vindo de Tiro, que reputava-se como sendo conhecedor de inúmeras artes,
desde a Geometria, conhecimento de como utilizar os blocos de pedra, madeiras
diversas, e moldagem de pilares usando-se bronze. Era conhecedor das ligas metálicas,
dos mistérios da Natureza e toda sua ciência era mergulhada em segredos.
Fez construir as duas magníficas colunas de bronze, Boaz
e Jaquim, ricamente decoradas e descritas no Terceiro Livro dos Reis.
Após a morte de Salomão, quando reunidos em
Siquém, as
tribos do norte solicitaram ao monarca constituído, Roboão, filho de Salomão,
que diminuísse a carga de tributos imposta pelo seu pai. Roboão, não agindo
com a devida prudência, insultou pesadamente aos membros das tribos do norte,
que se rebelaram contra ele e se apartaram das do sul, no que resultou nos
reinos de Israel (separados da Casa de Davi) e de Judá, sob o comando de
Roboão.
Esta foi uma ruptura permanente, no que enfraqueceu o
povo judeu. Em conseqüência, o Reino de Israel foi destruído, após o reinado
de Salomão, com a tomada de Judá e Jerusalém pelos assírios, durante o sexto
ano do reinado de Ezequias (como rei de Judá) e nono de Oséias como rei de
Israel.
Alguns séculos depois, em 63 a.C, Pompeu investiu contra
Jerusalém, conquistando-a por definitivo e pondo um fim na Dinastia de Israel.
Em 37 a.C. Herodes Idumeu ocupou o trono de Israel, de
forma ilegítima, com a colaboração dos romanos. Reinou despoticamente, contra
os interesses de seu povo até o ano 4 a.C. Nesse período, houve uma enorme ascendência dos Fariseus na Judéia
e em toda Israel, que davam total apoio a Herodes que não passava de uma
marionete nas mãos dos astutos romanos.
SITUAÇÃO DOS
JUDEUS / Contexto histórico
O povo judeu era cativo, estava disperso e enfraquecido;
submetidos a uma autoridade estrangeira (não judaica) ou exilados em terras
distantes, os judeus perdiam aos poucos contato com sua própria tradição
religiosa.
Havia, também, muita inconsistência interna, dentro do
povo judeu, com muitas seitas ou doutrinas extremas e concorrentes.
No cenário judaico havia os Fariseus, os
Saduceus,
os Essênios, os Zelotes e os Sicários, entre outros grupos políticos de menor
importância.
Como a monarquia judaica era eminentemente teocrática,
baseada na Torah (cinco primeiros livros do Antigo Testamento), esses grupos
tinham interpretações diferentes sobre a Lei das Escrituras e cada qual tinha
conceitos e expectativas próprias de como seria e deveria agir o Messias
prometido.
Era esse o contexto político, social e
religioso que aguardava ansiosamente pela vinda desse salvador, o Messias.
O MESSIAS
ESPERADO
O que exatamente era o Messias ?
Segundo as expectativas dos judeus da época, o Messias
deveria ser alguém que pudesse liderar seu povo tornando-o livre da submissão
e da humilhação de serem subordinados aos romanos, de serem uma nação sem pátria.
Uma das funções do Messias seria a de restituir a genuína
Dinastia de Davi, e isso apenas seria possível com a ocupação do trono por
parte de um descendente legítimo dessa dinastia.
É exatamente por essa razão que os Evangelhos mencionam
a descendência de Davi até Jesus, como uma comprovação da linhagem genuína
de Jesus e da continuidade dessa linhagem.
Em outras palavras, a menção à genealogia de Jesus,
nos Evangelhos, reflete a ênfase dada por seus seguidores sobre a origem dinástica
de seu mestre, numa tentativa de legitimá-lo como pretendente ao trono, pois
caso a missão de Jesus fosse apenas religiosa/espiritual, esse detalhe
(menção a sua descendência) não
teria qualquer relevância.
O nascimento de um legítimo
herdeiro do trono de Davi, foi um evento muito significativo, atraindo a
visita até de reis estrangeiros vindos do Oriente para homenagear a chegada do
futuro rei de uma nação importante, como Israel. Herodes estava consciente
desse evento e tentou persuadir aos três reis visitantes a informá-lo do
lugar onde a criança estava. Eles entendendo a intenção de Herodes,
retornaram por outro caminho. Foi então que Herodes vendo-se enganado, mandou
que matassem todas os meninos com menos de dois anos na cidade de Belém, como
está narrado em Mateus, Capítulo 2.
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Como Messias, a situação política de Jesus era muito
delicada. Ele era reconhecido e por isso temido como o genuíno
pretendente ao trono, uma vez que Herodes sabia ser ele o verdadeiro herdeiro do
trono de Davi. Os antepassados de Herodes haviam usurpado o trono com a
colaboração mútua entre eles e os romanos. A ascendência de José e
Maria era conhecida por todos, o que fazia de Jesus uma séria ameaça aos
planos de Herodes. Na verdade, desde seu nascimento que Herodes o queria
eliminar.
Como poderia Jesus lutar contra o poder constituído da
época sem exércitos e sem recursos?
Jesus tinha o apoio do povo, embora não tivesse o
apoio da classe dominante, isto é, os parceiros e amigos de Herodes e os
sacerdotes do Templo, bem como os Fariseus e os Saduceus. Tampouco ele
interessava aos romanos.
Ele preferiu concentrar-se no povo, e era nesse povo que
ele estabelecia sua posição como Messias, com ênfase em seu aspecto
espiritual, e isto sem prejuízo de sua posição de rei por direito.
A prisão e morte de Jesus estava sendo planejada por
Herodes, Caifás, os príncipes dos sacerdotes, os magistrados e todos os
usurpadores.
O Sinédrio decretou a prisão e morte de Jesus com
astúcia e desespero político como podemos observar em João (11:47).
“Caifás disse: se o deixarmos fazer
milagres todo povo crerá nele e os romanos virão e tirarão nossos lugares”.
Todos os parentes e seguidores de Jesus corriam perigo,
pois os sacerdotes planejavam matar a todos, inclusive, também, a Lázaro
porque (após ser ressuscitado) muitos acreditavam nele e (por causa de
seu testemunho) seguiam Jesus (João 12:10).
A sua prisão e morte foi um evento essencialmente
político. A interpretação dada pela Igreja de que a condenação e a morte de
Jesus foi motivada por fatores ligados a sua doutrina, não coaduna com o que
está claramente disposto nos Evangelhos.
Em Marcos (15:26) lemos “E a
causa de sua condenação estava escrita nesta inscrição: O REI DOS
JUDEUS”. Ou Mateus (27:37) “E puseram por cima de sua
cabeça uma inscrição indicando a causa de sua morte: ESTE É JESUS, O
REI DOS JUDEUS”.
Esta inscrição não apenas tinha o propósito de
humilhar, mas era também uma clara ameaça. Tanto que Pilatos a escreveu
em Hebraico, Grego e Latim (Lucas 23:38) e (João 19:19-20).
Jesus estava consciente de seu
papel espiritual como Rei-Santo. Como santo pregava e ensinava as coisas
do espírito e como Rei, por demais conhecia os perigos dessa missão, e,
portanto se precavia, o que incluía planejamento, estratégias e cuidados, tais
como agir de modo a ser identificado como o Messias prometido à luz das
escrituras e dos profetas, evitar certos movimentos, certos percursos e, também,
a necessidade
do uso
de armas.
Quando da prisão de Jesus
pelos enviados dos sacerdotes juntamente com os soldados romanos no Horto das
Oliveiras, é por demais conhecido o episódio em que se fez uso da espada numa
tentativa de evitar a investida contra Jesus.
Todos os quatro Evangelhos
mencionam esse episódio. Mateus (26:51) e Marcos (14:47) não
identificam qual dos discípulos usou da espada e feriu um dos servos do sumo
sacerdote. Lucas (22:50) menciona que os que estavam com Jesus, vendo o
que ia acontecer, disseram-lhe: Senhor se os feríssemos à
espada ? E um deles feriu um servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe a orelha
direita. Embora não diga qual foi o discípulo que usou a espada, Lucas,
não obstante, diz que alguns deles queriam fazer uso da espada!
João faz referência a Pedro,
como o discípulo que empunhou a espada (João 18:10).
Notemos, todavia, que Jesus não
ficou horrorizado ou indignado, diante da atitude de Pedro ou de alguns discípulos,
apenas entendeu a desnecessidade do ato, naquele momento. Isto
não é nenhuma surpresa, visto que o próprio Jesus exortava a seus seguidores
para que utilizassem os recursos disponíveis (vendendo bens, objetos e até
suas túnicas) para utilizarem o dinheiro na compra de espadas ! ( Lucas
22:36 ).
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( * ) ________________________________
Estava previsto que o Messias também garantisse a
continuidade dessa linhagem. Para que isso fosse possível, era imperativo o
estabelecimento dessa linhagem segundo regras específicas.
As regras estatutárias para um casamento dinástico-sagrado
(Hierogamos) eram as seguintes:
1 No
início de Junho acontecia a cerimônia de noivado, quando a noiva apresentada
ao noivo, ainda permanecia na casa dos pais;
2 Três
meses após, em Setembro, seria formalizada a Primeira Cerimônia de Casamento,
onde a vida conjugal teria início, embora, nesse período, não fosse permitido
a conjunção entre o casal. A “noiva-irmã” servia o esposo à distância
e só comparecia à sua frente quando chamada por este. È importante notar que
a esposa era chamada de almah, virgem ou jovem mulher, na palavra semítica
original e que foi incorretamente traduzida para o latim como
virgo intacta;
3
Na segunda metade de Dezembro eram permitidas as relações físicas,
para, em caso de gravidez, o filho poder nascer em Setembro, o mês do Perdão,
como deveria convir ao Messias. Entretanto, caso não sobreviesse a gravidez, a
esposa ainda continuava a ter a denominação de almah, retornando à
casa dos pais e submetendo-se a um novo noivado em Junho, com um Segundo
Casamento em Setembro, reativando todo o ciclo já descrito;
4
Caso fosse confirmada a gravidez. após o mês de Dezembro,
haveria a confirmação do Casamento em Março
e eles
estariam definitiva e
devidamente casados.
Podemos ver que era um sistema bem definido e
controlado, onde o casal observava preceitos religiosos e verdadeiro celibato,
como pressuposto para a geração de um representante espiritualmente capaz na
recondução do povo de Israel à liberdade política e que implicava a própria
liberdade espiritual, segundo os preceitos da Torah e como deveria convir ao líder
do povo escolhido de Deus.
Assim, longe de ser um
casamento de paixões mundanas, o hierogamos ou o Casamento Sagrado/Dinástico
pressupunha o contato físico apenas em períodos permitidos, sob estrito
controle.
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O¨O __________________________________
Que Jesus era casado não existe qualquer declaração
explícita nos Evangelhos sobre isso, embora o mais importante, refira-se ao
fato de que nada em contrário seja mencionado e, realmente, existem fortes indícios
sobre seu status.
Como exemplo:
1
Era parte da cultura religiosa judaica, na época, que um
homem fosse casado.
2
Um Rabi só seria respeitado e ouvido nas Sinagogas e/ou nos
Templos se fosse casado.
Jesus pregava no Templo
regularmente e todos apreciavam e o ouviam atentamente (Mateus
13:55- Marcos 6:3).
3
Era estritamente proibido, a uma mulher judia tocar um homem
solteiro em público ou reservadamente na cultura de então.
Na época, seria considerado um grande escândalo que uma
mulher tocasse um homem judeu em público. Seria um escândalo, até, de
maiores proporções caso ela não fosse casada com ele.
Em Betânia, na casa de Lázaro e Marta,
havia uma mulher, irmã
destes, chamada Maria que podia sentar aos pés do Mestre e, a sós com ele,
absorver seus ensinamentos. Marta estava muito ocupada, com os afazeres de casa,
e reclamou a Jesus que sua irmã a tinha deixado só, enquanto ficava apenas
sentada, ouvindo-o. Jesus então respondeu-lhe dizendo: Marta, Marta, tu
afadigas-te e andas inquieta com muitas coisas. Entretanto uma só coisa é
necessária. Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada. (Lucas 10:38-42)
Numa certa ocasião, foi ela que derramou seu vaso de óleo por sobre a cabeça
de Jesus, ungindo-o e enxugando os seus pés em seguida com seus próprios
cabelos.
Podemos verificar que no caso, os discípulos e as
pessoas presentes não ficaram horrorizados com esse gesto da mulher.
Demonstraram irritação, contudo, devido ao alto preço do óleo utilizado.
Nenhum escândalo causou a cena em si. Pelo contrário, consideraram bastante
normal que a mulher tocasse Jesus, lavasse seus pés e os enxugasse com seus
cabelos. (Marcos 14:9)
Toda a cena foi considerada bastante normal! Normal
DEMAIS para que ela fosse uma mulher qualquer! Certamente que ela não o era!
O ato de ungir um homem, derramando óleo essencial por
sobre sua cabeça, é por si só muito significativo.
Apenas era permitida a unção
por óleo em situações especiais: quando do estabe-lecimento de um sacerdote,
de um rei e por ocasião das bodas, quando a noiva ungia o noivo. Mais tarde,
igualmente, poderia haver a unção do esposo pela esposa, na confirmação do casamento,
quando da comprovação da gravidez. A viúva, também, ungia o corpo do marido,
como parte final do ritual fúnebre.
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Nos Evangelhos é mencionado que algumas mulheres
acompanhavam Jesus e o assistiam em diferentes necessidades. Isso indica
que eram mulheres fortes, decididas e independentes, quanto a suas posses.
São mencionadas em sete ocasiões diferentes. Das sete vezes em que
essas mulheres são listadas, Maria Madalena é mencionada em primeiro lugar em
seis delas, antecedendo até mesmo Maria mãe. A exceção ocorre apenas
no Evangelho de João.
Isto não apenas denota a importância de Maria
Madalena como seguidora, mas sugere uma importante hierarquia.
Duas mulheres são mencionadas como seguidoras íntimas
de Jesus: Maria de Betânia e Maria Madalena.
Entre os pesquisadores, estudiosos da Bíblia
(exegetas), teólogos, padres e pastores, desde muitos anos, afirma-se que NUNCA
HOUVE UMA PROVA que confirme categoricamente ser Maria de Betânia e Maria
Madalena a mesma pessoa.
Após muito pensar, muito procurar e pesquisar por
uma ligação sobre a identidade dessas duas Marias, tivemos, de súbito, a
realização que comprova o elo entre as duas num sutil, mas consistente
detalhe, na seguinte passagem narrada no Evangelho de João e que aconteceu após
a ressurreição de Lázaro.
A CEIA DE
BETÂNIA
Ora, seis dias antes da Páscoa
(três
dias antes da crucificação), Jesus foi a Betânia, onde tinha morrido Lázaro,
que Jesus ressuscitou. E deram-lhe lá uma ceia; e Marta servia, e Lázaro
era um dos que estavam à mesa com ele. Então tomou Maria uma libra de bálsamo
feito de nardo puro de grande preço, e ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os
pés com os seus cabelos; e a casa
ficou cheia do perfume do bálsamo. Então Judas Iscariotes, um de seus
discípulos, aquele que o havia de entregar, disse: Por que se não
vendeu este bálsamo por trezentos dinheiros, e se não deu aos pobres? Mas
Jesus respondeu: Deixai-a, que ela reserve isto para o dia da minha
sepultura; porque sempre tendes os pobres convosco, mas a mim não me tendes
sempre. (João 12:1-8)
Notemos, em primeiro lugar, o que diz Jesus “que
ela reserve isto para o dia de minha sepultura” (!!!) e
isso ele disse em referência a Maria de Betânia.
Seis dias após a ceia em
Betânia, uma mulher foi à sepultura
onde estava o corpo de Jesus, levando consigo um vaso para ungir seu
corpo com o óleo que havia sido reservado alguns dias antes como
ele próprio havia pedido. TODOS os quatro Evangelhos afirmam que essa
mulher era Maria Madalena.
Este é o ELO que revela a coincidência de
identidade entre aquela que o ungiu com o precioso bálsamo de nardo (na
segunda-feira), reservou um pouco para quando de sua morte, conforme o pedido de
Jesus e aquela que foi ter à
sepultura dele, na manhã de Domingo de Páscoa, ainda na escuridão, ungir seu
corpo como ele havia pedido ou previsto.
As duas mulheres que podiam tocar e ungir seu corpo
com bálsamo de nardo, fazendo o que (na época) era de dever da esposa, eram a
mesma pessoa!

Na imagem acima, temos Maria
Madalena com Jesus no Sepulcro. Note no detalhe a aliança de
casamento; este era um fato comumente aceito na época em que o quadro foi pintado.
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Em Dezembro de 1945, na cidade de Nag
Hammadi, no Alto Egito, foram descobertos 52 textos, escondidos em potes de
barro no que resultou numa espantosa descoberta arqueológica. Havia uma
verdadeira biblioteca encontrada em Nag
Hammadi.

Fragmento do Evangelho de
Maria Madalena
Reconhecidos como autênticos por
especialistas do mundo inteiro, os textos encontrados foram identificados como
os Evangelhos de Tomé, Felipe, Maria Madalena, as Epístolas de Pedro a Felipe,
o Apocalipse de Pedro, o Apocriphon (livro secreto) de João, o Livro Secreto de
Tiago, o Apocalipse de Paulo, o Evangelho da Verdade, o Evangelho dos Egípcios,
além de vários textos menores, poemas e orações. Nenhum
dos livros atualmente aceitos como parte da Bíblia são
escritos originais, sendo cópias de cópias de períodos bem posteriores.
Alguns dos escritos de Nag Hammadi, entretanto, são originais, enquanto outros
são cópias, embora todos de períodos bem próximos dos primeiros anos após a
vida de Jesus. Não
foram acatados e incluídos na Bíblia porque foram encontrados /
descorbertos muitos anos após a Igreja ter definido quais os livros que
deveriam compor as Escrituras.
No Evangelho de Felipe, encontrado em Nag
Hammadi, há
uma passagem em que a posição de Maria Madalena fica evidente:
. . .
a que acompanha o Salvador é Maria Madalena. Mas
Cristo amava-a mais que todos os discípulos e costumava
beijá-la (freqüentemente)
nos lábios. Os outros discípulos se
ofenderam . . . e disseram-lhe: “Por que tu a amas mais
que a nós?” O Salvador respondeu e disse-lhes: “Por que eu não
os amo como (amo) a ela?”. (Felipe,
63:32, 64:5)
O epíteto “madalena” provém de magdaleder
que significa literalmente “TORRE DO REBANHO” ou a torre na qual o pastor
subia para observar e guardar seu rebanho. É sabido que Maria Madalena
detinha uma posição de influência entre os seguidores de Jesus. Entre
as mulheres sua ascendência hierárquica não deixa a menor dúvida, pois ela
sempre era citada em primeiro lugar. Entre os apóstolos também, pois
foi a primeira a quem Jesus se revelou após a crucificação e foi, por ele,
encarregada de levar essa notícia aos demais apóstolos.
O profeta Miquéias vislumbrou da maneira
mais clara possível a importância e destino de Maria Madalena, referindo-se a
ela, inclusive, pelo seu epíteto, magdaleder (Torre do Rebanho).
Em toda a Bíblia, não há um texto mais
claro e exato, proveniente da visão de um profeta:
E tu, torre do rebanho, nebulosa filha de
Sião, (o Senhor) virá até junto de ti; e virá até junto de ti o supremo
poder, o reino da filha de Jerusalém. Por que te abandonas à tristeza?
Porventura não tens rei, ou pereceu o teu conselheiro, pois se apoderou de ti a
dor, como da que está com dores do parto? (Porém) afligi-te e atormenta-te,
filha de Sião, como uma mulher que estás de parto, porque agora sairás da tua
cidade, e habitarás numa região (estrangeira), e irás até a Babilônia;
(mas) lá serás livre; lá te resgatará o Senhor da mão dos teus inimigos.
(Miquéias 4; 8-10)

Boticcelli-1467
Caravaggio -1596
A
profecia de Miquéias deixa claro que o reino da filha de Jerusalém (esposa do
Rei) teria que
ser interrompido, e ela sofreria as dores do parto numa terra distante. A partir
das pinturas acima, vemos que era
bastante aceitável à época em que foram pintadas, a idéia de que Madalena tenha estado grávida de Jesus.
Com o passar do tempo, entretanto, essa visão foi violentamente combatida e
caiu no quase esquecimento.
O SEGREDO
A descendência de Jesus e Maria
Madalena foi mantida em segredo para que fosse protegida, inicialmente, da
perseguição de Herodes. Assim, logo após a partida de Jesus, vemos que quase
nenhuma referência se fez à família ou pessoas intimamente ligadas a Jesus.
Isso é especialmente verificado nos Atos dos Apóstolos, em que não se faz
referência a Maria Madalena, Maria-mãe, os irmãos de Jesus, Lázaro, etc.
Eles tiveram que partir para longe (uma terra
estrangeira). O REINO da nebulosa filha do Sião (esposa do REI)
foi interrompido por causa de seus inimigos e ela teve que partir, com a
sua gravidez (dores de parto) e lá pôde finalmente ser livre.
A Dinastia Sagrada, o sangue real eram os
descendentes de Maria Madalena e Jesus, e ela passou a ser conhecida como a
portadora desse sangue real ou sang rèal, sang raal ou ainda santo graal. Isto
é, Madalena era tida como o “vaso” ou o “cálice” que trouxe em si o
“sangue” ou descendência de Jesus.
A LINHAGEM SAGRADA – Os Reis Merovíngios
Muitos registros dão conta das primeiras missões
evangélicas na Bretanha, creditando sempre essa iniciativa a São Felipe, apóstolo,
e a José de Arimatéia. O eminente clérico Eusébio (260-340), bispo de
Cesaréia, e Santo Hilário de Poitiers (300-367) escreveram sobre as primeiras
visitas apostólicas à Grã-Bretanha.
O cronista Gildas III (516-570) em seu De
Excidio Britanniae afirmava que os preceitos do Cristianismo foram levados à Grã-Bretanha
pouco antes da morte de Tibério César, que morreu em
37 d.C. O arcebispo
Isidoro de Sevilha (600-636) escreveu que “Felipe da cidade de Bethsaida, de
onde também veio Pedro, pregou o Cristo aos galeses, e trouxe às nações bárbaras
e seus vizinhos a luz do conhecimento . . . “, que está de acordo com
o que escreveu Freculfo, bispo de Lisieux, no século IX.
Segundo Freculfo, São Felipe enviou uma missão da Gália
para a Inglaterra para propagar a boa nova sobre a vinda de Jesus. No livro De Sancto Joseph ab Arimathea há a
afirmação de que em 63 d.C, José de Arimatéia foi até Felipe, o apóstolo,
que vivia entre os galeses.
Parece não haver qualquer dúvida, entre os
pesquisadores, quanto a presença de José de Arimatéia na Bretanha já a
partir de 35-37 d.C. isto é, apenas dois a quatro anos após a partida de Jesus.
É creditado a José de Arimatéia, a construção da primeira capela acima do
solo, a Capela de Glastonbury, na Bretanha, pois durante muitos anos (em outras
partes) os cristãos ainda se reuniriam
escondidos em cavernas, túneis e construções subterrâneas, o que só viria a
mudar após a junção entre a comunidade dos primeiros cristãos e o Império
de Roma.
O Vaticano inclusive, desde muito tempo, reconhece
essa presença naquela região, como atesta o Annales Ecclesiasticae
escrito em 1601, pelo Cardeal Barônio, que afirma ter José de Arimatéia
chegado à Marselha em 35 d.C., de onde seguiu com sua comitiva até a
Inglaterra.
Há uma forte tradição na região de Provença, que
reconhece a chegada de Maria Madalena, acompanhada de seus irmãos Marta e Lázaro,
de José de Arimatéia e outras pessoas. Esta visão da história,
está em perfeita consonância com os registros reconhecidos e aceitos.
Existe
esse conhecimento, baseado na tradição
local, de que Maria Madalena, vindo do Egito, chegou também acompanhada de uma
menina, cuja tez morena, bronzeada pelo sol do escaldante Vale do Nilo, logo
despertara a atenção de todos.
Ao chegar em Provença, Maria Madalena trouxe consigo
essa menina chamada Sarah Kali (princesa negra). Muitos pesquisadores acham que
essa menina era a filha que Madalena tivera no Egito.
Há, ainda hoje, uma forte adoração a Sarah no Sul da França,
que era especialmente significativa nos primeiros séculos da Era Cristã. Sara
era retratada pelos artistas como tendo a pele escura, por isso o apelido Kali
(negra) tomado emprestado do Sânscrito.
Tornou-se muito adorada pelos ciganos desde então,
pois estes são originários da Índia, e seu
culto sempre foi proibido e seus devotos perseguidos pela Inquisição. A
inquisição sempre foi muito forte na Espanha e Portugal e, por extensão,
tinha influência no Brasil.
Sarah Kali - em Saintes Maries-de-la-Mer
Suspeitamos, inclusive, que a imagem de Sarah Kali tenha
chegado ao Brasil, via Sul da França e Norte da Penísula Ibérica (Espanha e
Portugal) e seu culto desencorajado por algum padre local que obrigou que se lançasse
a imagem ao rio. Mais tarde, foi encontrada por pescadores, e adorada como
Maria, mãe de Jesus.
Da descendência de Maria Madalena na região do
Languedoc (Provença) pouco se soube até bem pouco tempo, pois a Igreja
engendrou uma verdadeira campanha para que os Reis Merovíngios (descendentes da
Linhagem Sagrada) fossem riscados da História.
Os reis merovíngios eram conhecidos como Reis-Santos.
Eram judeus, usavam cabelos e barbas compridos, ao estilo dos nazarenos e viviam
em constante oração, praticando a virtude. Procuravam governar o povo na
esfera espiritual apenas, e delegavam a administração dos afazeres políticos
e mundanos a um oficial do governo.
Apesar de reinarem no plano físico, a ênfase era colocada no "reinado
espiritual" como o verdadeiro reino, seguindo, pois, os passos de Jesus.
Adotaram como símbolos o Leão de Judá e
a Flor-de-Lis, a qual viria a
se tornar um símbolo da França.
Dagobert II (652-679) d.C
Seu mais conhecido representante foi Dagoberto II, também
chamado pelo povo de Santo Dagoberto. Quando da morte de seu pai, Santo Siegbert
da Austrasia, Dagobert II foi raptado ainda criança (4 anos) com o propósito
de ser assassinado. Contrariando determinações superiores, de alguma forma o
abade a quem ele foi confiado resolveu poupar-lhe a vida, levando-o para a
Escócia e Inglaterra onde foi educado em ambiente inacessível ao alcance da
Igreja. Mais tarde, quando adulto,
retornou à região de sua origem, onde morreu em circunstâncias suspeitas
enquanto participava de uma caçada. Segundo opinião dos
historiadores, teve sua morte planejada e executada com a participação
da Igreja de Roma.
Dagoberto era muito incômodo a Roma e, apesar de toda a perseguição
que sofreu, duas de suas filhas, Irmina e Adelia, foram, não obstante, canonizadas
santas, pela Igreja. Um interessante paradoxo !
Um descendente merovíngio do rei Dagoberto, Godofredo de
Bouillon, empenhou a primeira cruzada para libertar Jerusalém dos muçulmanos
e, saindo vitorioso, tornou-se o Rei de Jeruralém em 1099 d.C. Isso marcou o início
informal da Ordem dos Cavaleiros Templários, que teve sua fundação,
historicamente reconhecida em 1118, por Hughes de Payen. Godofredo também
fundou a Ordem do Sião, que mais tarde se chamaria Priorado do Sião e teve
como seu primeiro Grão-mestre, Hughes de Payen, que também liderava os Templários.
A Segunda Cruzada à Terra Santa, foi inspirada por São
Bernardo de Clairvaux, que conclamou uma multidão de cerca de 100.000 pessoas
na Igreja de Vézelay, dedicada a Maria Madalena e exigia dos Cavaleiros Templários
o voto conhecido como a “Obediência de Betânia”, em alusão a Maria Madalena e sua irmã Marta.
São Bernardo também traduziu, em 1128, a obra Geometria
Sagrada dos Pedreiros do Rei Salomão (Maçons). Era pois, um ardoroso devoto de
Maria Madalena, defensor dos Templários e Maçons e amigo dos
descendentes dos reis merovíngios, apesar da perseguição da Igreja
contra tudo que estivesse
ligado à heresia de Provença. Era,
pois, um santo da Igreja professando e defendendo temas aberta e
violentamente combatidos.
GUARDIÕES DO SEGREDO
Na raiz da manutenção do próprio segredo estava a
frontal oposição à Igreja de Roma que rechaçava qualquer atividade ligada à
Dinastia Sagrada com brutal violência. Era necessário que toda essa tradição
fosse mantida no maior segredo e isso demandava organização, poder e recursos.
Nada melhor que organizações justapostas, irmãs entre
si e compartilhando diferentes níveis de exposição pública.
No centro estava a Ordem do Priorado do Sião como a
mantenedora do segredo e a mais secreta dessas irmandades.
Depois vinha a Ordem Rosa-Cruz que se especializava nos
segredos místicos com uma exposição menos secreta que a primeira. Essa ordem,
não tem qualquer ligação direta com a atual AMORC.
Em seguida estava a Ordem dos Maçons, responsável pelos
segredos de construções de Templos e locais onde se podiam guardar todas as
coisas relacionadas com o segredo. Eram os construtores, que herdaram o
conhecimento desde a construção do Templo de Salomão. Eram os discípulos de
Hiram Abiff, o grão-mestre da construção do Templo.
Cavaleiro Templário
Então surgia a mais visível dessas irmandades, a Ordem
dos Cavaleiros Templários que era o braço militar, responsável pela
reconquista de Jerusalém e restabelecimento de um rei de descendência merovíngia
na cidade santa. Os Templários eram o braço mais visível dentre os
mantenedores do Grande Segredo.
No centro dessas ordens secretas ou irmandades estava
guardada, como a flor-de-lis, a descendência do Sangue Real ou Sangraal, os
reis merovíngios ou os descendentes da Linhagem Secreta de Jesus e Maria
Madalena.
Existem alguns pontos de convergência concretos que
correlacionam todas essas ordens: Algumas construções que não deixam dúvidas
sobre a irmandade dessas ordens secretas.
Elas compartilhavam entre si a mesma liderança. Seus líderes
eram os mesmos, denominados Grãos-Mestres. Isso foi assim até 1180 d.C.,
quando primeiramente houve uma ruptura na liderança entre os Templários e o
Priorado do Sião no episódio que ficou conhecido na história como “O Corte
do Olmo”. A partir de então, os Templários passaram a ter um Grão-Mestre
separado do Priorado e das outras irmandades, embora o vínculo tenha
permanecido forte entre todas elas.
Durante o reinado de Henry II, na Inglaterra, o Grão-Mestre
dos Cavaleiros Templários também o era dos Maçons, e empregava estes na
construção do Templo na Fleet-street, em 1155 d.C.
Na Inglaterra, a Maçonaria continuou até 1199 sob a
superintendência dos Grãos-Mestres Templários.
AS IRMANDADES SECRETAS E OS
DESCENDENTES MEROVÍNGIOS
A partir de São Bernardo de
Clairvaux e Hughes de Payen, as irmandades do Priorado do Sião, dos Maçons,
Rosa-Cruz e a Ordem dos Templários puderam se espalhar e se desenvolver, como
irmandades secretas muito influentes e mantenedoras do Grande Segredo.
Todas
compartilhavam a mesma liderança, que se denominava o Grão-Mestre.
Os Maçons deram um grande impulso nas artes da
Arquitetura e Engenharia de Construção. Denominavam-se “Os Filhos de Salomão”,
embora se espelhassem na herança de conhecimento de Hiram Abiff, o construtor
do Templo de Salomão.
Os Templários eram monges-guerreiros, que abraçaram a
causa de guerrear contra tudo o que ameaçava a independência de Jerusalém, a
Cidade Santa.
Instituíram um sistema de proteção a transportes
de valores, com inúmeros estabelecimentos de recepção e trocas ou compensação,
que ao se desenvolver, deu origem ao atual sistema de Cheques e Ordens de
Pagamentos.
Apesar de muito terem ajudado a Igreja, foram
brutalmente perseguidos pela Inquisição, que foi especialmente criada para
eliminá-los, a partir de um decreto do Vaticano instigado por Felipe IV , que
terminou com um tremendo massacre dos Templários em 1307.
Eles se renderam sem luta contra a Igreja, mas foram
brutalmente torturados e queimados, muitos, ainda vivos.
Houve
também uma violenta campanha para se tirar Maria Madalena de cena. No Evangelho
de Tomé, claramente mostra que Pedro tinha muita resistência a Madalena, a
ponto de ser advertido por André por causa de sua implicância contra ela.
É
digno de nota que Pedro nunca foi estabelecido como bispo de Roma (Papa). A bem
da verdade, o primeiro bispo nomeado de Roma foi Lino da Grã-Bretanha,
filho de Caractaco, conforme registrado nas Constituições Apostólicas da
Igreja. Lino foi ordenado por Paulo em 58 d,C. Isso enquanto Pedro ainda vivia !
Isso
confirma o que escreveu Irineu, bispo de Lyon, em 180 d.C. "Após fundar e
construir a Igreja de Roma, os Apóstolos deixaram seu ministério sob a
supervisão de Lino". Assim, Pedro nunca foi bispo de Roma e a hegemonia na
congregação dos primeiros seguidores era de Maria Madalena, chamada a TORRE DO
REBANHO.
Mais
tarde viria a ser estabelecida a supremacia de Maria Mãe, com a conveniente
ocultação da importância de Madalena, embora esta (conforme dispõem os
Evangelhos), detinha mais importância que a mãe de Jesus.
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João - Capela Hodnet
Ainda hoje permanece em segredo, porque havia
uma fusão nas pessoas de Madalena e João evangelista. Aos Rosa-Cruzes cabia o segredo
dessa estranha fusão, além de respeitarem o casamento dinástico como uma ligação
Alquímica.
Apesar de que o vitral da capela
Hodnet (figura ao lado), na Inglaterra indique ser João, na verdade vemos uma figura feminina,
segurando o vaso de alabastro, o qual exclusivamente é uma referência a
Madalena.
Talvez
seja uma referência a que se faz de João como o amado discípulo, que poderia
bem ser uma inserção posterior, para ocultar a referência a Madalena como a
amada discípula, que era a situação real, nos primórdios da Igreja. Em João
( 19: 25-27), está claramente dito que estava presente diante da cruz, no
momento da morte de Jesus, apenas Maria sua mãe, a irmã desta, também chamada
Maria, esposa de Cleofas, e Madalena. Há uma certa
ambigüidade, no texto, quanto a presença do próprio João. Então vendo Jesus
sua mãe e o amado discípulo (discípula ?) que ele amava disse: Mulher, eis
aí o teu filho (filha ?). Depois disse ao discípulo: Eis aí a tua Mãe.
Ora, vemos no Evangelho de Felipe que Madalena era a amada de Jesus, ao
contrário do que pregou a Igreja.
Era ela que estava sempre na companhia de Maria-Mãe,
convenientemente listadas como aconpanhantes do
grupo.
Na verdade, a Ordem Rosa-Cruz (Rosa = Madalena e Cruz
= Jesus), herdou o saber alquímico e a metalurgia dos conhecimentos de
Hiram Abiff, o arquiteto e construtor do Templo de Salomão.
Esta transmutação entre João em Madalena, pode bem ser uma simbologia
velada a essa verdade, guardada e disfarçada como
um segredo alquímico, ousadamente revelado no vitral da Capela
Hodnet.
Sabemos, sem qualquer sombra de dúvidas, que o principal
feito da Maçonaria-Livre foi a construção da Capela Rosslyn, em meados do Século
15. Rosslyn era também um importante reduto da Ordem. Mais tarde, pesquisas históricas confirmaram essa visão, pois a família
Saint Claire de Rosslyn tornou-se, por direito hereditário, a Grande-Mestra das
Artes, Fraternidade e Ordens da Escócia e, conseqüentemente, o posto de
Mestres dos Maçons da Escócia até o final dos anos 1700

Capela
Rosslyn - exterior
Assim,
William Saint Claire arquitetou e construiu a Capela Rosslyn, utilizando-se dos
planos para a construção do Templo de Salomão, incorporando motivos
decorativos maçônicos, rosa-crucianos e templários.
Existem incontáveis figuras do "homem-verde" na decoração da
capela Rosslyn, símbolo este estreitamente ligado ao culto da Deusa da
Fertilidade.

Capela
Rosslyn - Interior
Na
construção da Capela Rosslyn, havia uma preocupação obsessiva com segredo e
segurança, especialmente à rede de corredores e salas subterrâneas. Os maçons
construtores entendiam que algo de muito valioso estava para ser escondido no
santuário, em seu subsolo e isso era tratado com o maior segredo.
A
Capela Rosslyn, na Grã-Bretanha, é o mais importante ponto de convergência
entre as Ordens dos Maçons, Rosa-Cruzes, Templários e descendentes conhecidos
dos merovíngios, os herdeiros do sangue real, a família que
emigrou para a Inglaterra, desde 1057 d.C., em fuga das inúmeras perseguições
da Igreja: os Saint Claire de Provença.
SIMBOLISMO E ARTE
Durante momentos de crise política-social, nos mostra a
história, quando as liberdades de crenças e opiniões são perseguidas por
algum motivo, vemos que as informações começam a circular de forma secreta ou
codificada.
Na recente história da ditadura em nosso
país, devido à supressão das liberdades individuais, as informações e denúncias
passaram a ser veiculadas nas formas de textos da Arte Dramática, filmes, canções,
poemas e escritos diversos. Nesse aspecto, a classe artística com sua
criatividade é de suma importância.
Não foi diferente em relação ao
segredo da descendência real da Casa de Davi. Pintores, trovadores e
escritores, divulgavam o Grande Segredo de forma velada ou disfarçada, de modo
tão sutil, que apenas os conhecedores da linguagem simbólica utilizada
poderiam entender o significado claro das mensagens.
Assim, muitas estórias relatavam a dificuldade da
Princesa em finalmente encontrar o seu amado Príncipe, tendo sempre como obstáculo
central o concurso da maldade de alguma má feiticeira.
Como nos tempos mais remotos, as artes referiam-se
apenas a temas sacro-religiosos, e como esses temas são tão antigos, os
pesquisadores vêem neles referências veladas ao casamento entre os príncipes
da Casa de Davi.
No simbolismo de então os príncipes amantes eram
Jesus e Maria Madalena (uma idéia comum à época) e a má feiticeira era a
Igreja de Roma que tentava, a todo custo, destruir e obliterar a felicidade
deles.
Ao lado,
Pintura de Rogier van der Weyden-1450

Acima, detalhe mostrando as iniciais
HG para hierogamos - casamento dinástico / sagrado, próximo do bordado em
X (símbolo da junção masculino-feminino)
Por
toda a Europa os trovadores viajavam cantando o
amor entre o Príncipe e sua Princesa perdida. Não demorou muito e muitos
trovadores foram impiedosamente perseguidos pela Igreja! Ora, por que a
Igreja haveria de perseguir trovadores que apenas cantavam sobre os temas,
recorrentes, da paixão impossível entre um príncipe e uma princesa ?
Certamente que se sabia ser esse tema, uma velada
referência ao casamento dinástico entre Jesus e Madalena.
Na
pintura ocorreu o mesmo. Alguns pintores eram iniciados, ou conhecedores do
Segredo, por associação com algumas das fraternidades que, de modo subterrâneo,
faziam circular o segredo.
Entre esses pintores, estavam no centro dessas
fraternidades Leonardo da Vinci,
Sandro Boticceli, Rafael, Van Durer
e outros.
A
figura que aparece ao lado de Jesus (acima) é claramente uma mulher, usando as
tradicionais cores atribuídas a Madalena. Cópia da Última Ceia de Leonardo da Vinci
Pintura do Século 14 -
pintor desconhecido. vemos que a figura ao colo de Jesus é uma mulher.
Que outra mulher seria senão Madalena? Observemos a mão oferecendo
o pão: è a mão de Jesus ou da mulher ? Uma observação cuidadosa,
parece-nos mostrar que ambas as mãos de Jesus estão postas sobre a mesa,
enquanto a mão esquerda de Madalena repousa por sobre a mão direita de Jesus.
O quadro acima contém a clara informação acerca da importância de Madalena
dentro da comunidade dos primeiros seguidores. Existem muitos exemplos de como os pintores medievais utilizavam sua arte como
veículo de informação daquilo que era, tão somente, por demais conhecido e
comentado, mas que recebeu tratamento especial da Igreja, freqüentemente
violento, na tentativa de ocultar essa heresia.
ALGUNS SÍMBOLOS
UTILIZADOS:
Jesus
- Sol, espada, cruz, unicórnio (Salmos 23, 92), leão, urso, Leão de Judá.
O
Salmo 23 - 92, compara Jesus ao Unicórnio. Na cultura da época o chifre era
sinônimo de poder.
Madalena
– Lua, princesa, rosa, vaso, cálice, água, pomba, uva, Santo Graal.
A pomba - símbolo
conexo com Maria Madalena
Simbolos do Masculino -
Feminino incluem a espada ou o triângulo voltado para cima, representando
o falo masculino, enquanto o triângulo voltado para beixo representa o vaso ou
o ventre feminino. A junção entre esses símbolos, qualquer que seja a
disposição geométrica, sempre representa o casamento ou intercurso entre
homem-mulher.
Símbolos
da fertilidade – romã, homem verde, roseta, pentagrama, chuva, ciprestes, o círculo.
Homem verde - símbolo de fertilidade
. Inúmeras igrejas e capelas
construídas pelos maçons,
especialmente dedicadas a Maria
Madalena, contêm esculturas desse
símbolo de origem celta e
ligado ao culto da Deusa da
Fertilidade.
Câmara
nupcial – simbolizada pelo jardim. O Cântico dos Cânticos
narra o encontro da Noiva e do Noivo em um jardim.
Casamento
dinástico ou a Dinastia Sagrada – Estrela de Davi, videira, flor-de-lis,
plantas, árvores, vara florida, X, roseta, sementes.

Junções dos símbolos
masculino e feminino
Entre os pintores, alguns
foram inclusive Grão-Mestres do Priorado do Sião, como é o caso de Leonardo
da Vinci e Sandro Boticcelli.
Note
que nessa pintura, o pintor italiano (Simone Martini-1333) colocou Madalena no
centro emocional da cena, onde a cruz de Jesus forma um perfeito X bem acima do ventre
de Madalena. O "X", na linguagem simbólica, representa a junção do
Masculino (espada) e Feminino (vaso ou cálice).
Conclusão
Jesus era um judeu consciente, um rabbi e como tal
nada de novo estava ensinando. “Não vim destruir a Lei antiga, mas vim
cumprir” (Mateus 5:17).
Ele veio ensinar às pessoas a serem fortes,
fervorosas e puras em si mesmas. A buscarem e entenderem que “O reino de
Deus está dentro de ti” (Lucas 17: 20-21). Ele não ensinou que bastasse
um ato de arrependimento ou uma mera conversão protocolar. Ele
exortou a que todos façam seus próprios milagres, no constante aperfeiçoamento
de suas virtudes.
Seus ensinamentos foram deturpados por aqueles que
desejavam enfraquecer as pessoas e, assim, poder controlá-las. Ele NUNCA disse que só ele podia fazer
milagres. Ele incentivou TODOS a fazerem prodígios e
serem como ele.
O milagre de Jesus não foi curar um cego, mas fazê-lo
ver a verdade. Nunca foi curar um aleijado, mas fazê-lo seguir o caminho da
virtude. Tampouco foi trazer da morte um homem ou uma menina, mas mostrar a
todos uma maneira de viver a vida.
Entretanto, fizeram desses prodígios algo mais importante que sua missão de
nos ensinar a perfeição e nossa força, enquanto ligados às virtudes
espirituais.
Ensinaram que Jesus morreu para nos salvar, quando na
verdade ele viveu para nos ensinar!
Nenhum dos eventos isolados, na vida de Jesus, foi
determinante na sua missão como Rei-Messias, mas algo muito anterior a tudo
isso, quando uma herdeira de Benjamim (Maria) unira-se a um filho da casa de
Davi (José). Todos acharam ser este um arranjo perfeito, pois a linhagem
de Davi seria restaurada e Siâo seria finalmente libertada.
A missão messiânica de Jesus
pressupunha seu ministério, mas também sua
descendência, para a restauração da Dinastia Sagrada e nisso ele não
estava sozinho. Para o seu ministério ele podia contar com seus
dedicados e amados discípulos, especialmente os escolhidos como apóstolos. Para
a restauração da Dinastia Sagrada ele contava com ela, Maria Madalena.
Vemos
em Felipe que Maria Madalena era a companheira de Jesus. Aquela a quem ele
beijava nos lábios!
Como profetizou Miquéias, ela teria que
fugir a uma terra estrangeira e sofrer as dores do parto, pois estava
encarregada de dar continuidade à videira da Casa de Davi. E isto está
colocado de maneira bem clara!
Ela é aquela que podia sentar-se a sós
com o Mestre, em intimidade, e diante dele absorver seus ensinamentos, e essa
era a melhor parte que ninguém dela tiraria. Era sua discípula íntima
e amada esposa, sua companheira eterna e era parte da alegria que ele
encontrou neste mundo.
Recife
07 de Outubro 2005
e-mails
do autor: zecaro108@yahoo.com.br
zecaro@terra.com.br
Bibliografia:
Bíblia
Sagrada Católica- Edições Paulinas 1962
Bíblia
Sagrada Católica - Edição Barsa 1968
O
Santo Graal e a Linhagem Sagrada - Lincoln, Baigent e Leigh -Editora Nova
Fronteira 1993
Maria
Madalena e o Santo Graal- Margareth Starbird- Editora Sextante - 2004
A
Linhagem do Santo Graal - Laurence Gardner - Editora Madras -2004
Os
Evangelhos Gnósticos - Elaine Pagels -Editora Cultrix 1995
Os
Essênios- sua História e Doutrina - Christian D. Ginsburg -Editora pensamento
Geometria
Sagrada - Nigel Pennick- Editora Pensamento
Contagem desde 08/10/2005
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