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Uma Família mais que elementar J. R. Araújo
Foi um grande desenvolvimento da Física, quando os experimentos do físico inglês J. J. Thomson levaram à descoberta do Elétron ( e ) em 1897. Após uma série de experimentos Ernest Rutherford descobriu os Prótons ( P ) em 1918, com carga positiva e massa 1836 vezes a massa do elétron ( me ). Por volta de 1920, o próprio Rutherford postulou a existência de uma partícula com massa semelhante ao Próton, mas sem carga. Somente em 1932 , James Chadwick observou em laboratório essa partícula denominando-a Nêutron ( N ). Com isso pensava-se que toda a estrutura atômica estava delineada. Parecia tão simples ! O universo e toda matéria era formado por essas partículas elementares, ou blocos fundamentais da matéria. Logo viriam os teóricos, propondo soluções mirabolantes às equações da Física-quântica, que não raro, pedia um complemento da teoria com a proposta de existência de partículas adicionais. Na maioria das vezes, as idéias que nortearam tais propostas vieram de necessidades puramente teóricas e que mais tarde viriam a ser corroboradas pela verificação experimental, embora em outras ocasiões a descoberta tenha sido fruto de esforços em laboratórios. Em 1930 Wolfgang Pauli postulou a existência de uma partícula sem carga e sem massa ( uma espécie de fantasma ! ) no que foi apoiado por Enrico Fermi que explicou a transformação de um Próton em Nêutron ( ou vice-versa ) e a conseqüente emissão de um elétron ( positivo ou negativo) e mais essa partícula sem carga ou massa, a qual denominou neutrino (n). Dirac em 1932, sugeriu a existência do Pósitron ( p ) semelhante ao elétron, mas com carga positiva e que foi reconhecido como a anti-partícula deste. Um aspecto interessante entre a interação de uma partícula e sua anti-partícula é que ambas se “desmaterializam” ao entrarem em contato, dando origem a dois fótons ou raios de energia que viajam em sentidos opostos. Existem anti-partículas para todas as partículas conhecidas embora sejam raras de se encontrar. Quando uma anti-partícula penetra em uma região de matéria, imediatamente ela reage com sua partícula, aniquilando-se mutuamente e dando origem a dois fótons.
p- +
e+ ® 2
m0c2 (energia) Se
as partículas
vêm em
direções contrárias,
após a
aniquilação os
fótons de energia
se
afastam
para que
haja conservação
do momentum.
Quando um fóton tem energia quântica maior do que a massa de repouso do elétron ( E= m0 c2 = 0.511 MeV ) e mais a do pósitron, é possível que ao interagir com a matéria ( um núcleo atômico por exemplo ) dê origem a um par elétron – pósitron.
Para fótons de energia muito acima de 1.022 MeV, esse tipo de interação torna-se bastante freqüente. Notemos que isto ocorre com qualquer partícula e sua anti-partícula, um resultado previsto pela Teoria Quântica e observado em laboratório. Os Mesons foram preditos em 1935 por Hideki Yukawa, embora viessem a ser observados apenas em 1947 por C. F. Powell que detectou dois tipos de Mesons: o leve com massa 207me ( que se lê, 207 vezes a massa do elétron ) denominado Meson–mu ou Muon e o mais pesado, Meson-pi ou Pion com massa 264me responsável pelas forças fortes que mantém os prótons e nêutrons “presos” dentro do núcleo atômico. Kaons ( K ) foram propostos por Gell-Mann e Pais em 1955. Assim, em pouco tempo a confusão estava formada, pois todas essas partículas tinham suas anti-partículas ! A introdução da Teoria de Grupos, uma ferramenta importantíssima que só era de interesse dos matemáticos, na análise de sistemas quânticos simétricos, fez com que Gell-Mann e Zweig postulassem a existência dos Quarks, partículas bastante elementares que seriam os blocos fundamentais dos Prótons, Nêutrons e toda a família dos Mesons e suas respectivas anti-partículas. Anti-partículas são uma conseqüência inevitável da Mecânica Quântica Relativista e a existência do Pósitron predita por Dirac em 1928, dois anos antes de ser descoberta experimentalmente por Anderson atesta bem esse fato. Após 1970, a quantidade de partículas elementares era superior a 200. Convencionou-se classificar as partículas pelas suas massas, visto que a equação relativística E = mc2 relaciona energia e massa como diferentes aspectos de uma mesma grandeza física. Nesse sistema de classificação as partículas “leves” são os Leptons, a saber, o Elétron (e- ), Muon ( m- ) e Tauon (t-) com seus respectivos neutrinos, o Elétron neutrino, o Muon neutrino e o Tauon neutrino e todos eles com suas respectivas anti-partículas, perfazendo um total de 12 Leptons.
Tabela I
Hoje, aceita-se que dois tipos de partículas fundamentais entram na constituição dos átomos que formam a matéria. São os Leptons ( descritos acima ) e os Quarks. Existem seis tipos ou “sabores” de Quarks como descritos na tabela abaixo.
Cada um dos
seis tipos
diferentes de
Quarks são
denominados Sabor
Tabela II
Os Quarks existem apenas no interior dos Baryons (ou Hadrons ), confinados pelos campos de força forte, o que torna impossível isolá-los para medirmos suas massas. Os Quarks e os Leptons são os blocos estruturais da matéria, sendo considerados as partículas realmente elementares. A geração de físicos cujas pesquisas levaram ao desenvolvimento do modelo teórico dos quarks, percebendo as características quânticas inusitadas dessas partículas, usaram de refinado humor para nomear essas características. Topo, fundo, acima, abaixo, cor, estranheza, sabor, charme são alguns desses termos que nada têm a ver com o sentido que normalmente os empregamos no cotidiano. Esses termos descrevem estados quânticos, ou estados de energia, bem característicos, sem analogia com as definições da Física Clássica. Portanto, no atual modelo teórico, existem seis “sabores” de quarks que constituem os mesons e baryons até aqui conhecidos e que somam mais de 200. Os baryons mais conhecidos são os Prótons e os Nêutrons que são constituídos por 3 quarks. Usando a Tabela II acima podemos entender os diagramas abaixo: Os
prótons são
constituídos por
dois sabores
U e
um sabor
D
P
®
U
U D com a
carga +2/3 +2/3 –
1/3 =
+ 1 (carga
positiva ) Os
neutrons são
constituídos por
um sabor
U e
dois sabores
D
N ®
U D
D com
carga + 2/3
- 1/3 - 1/3
= 0
( carga nula ) Podemos
ainda relacionar as
partículas
Lambda
( l
), Sigma ( X
) e
Chi ( c
) como
representantes da
família Baryon. Os mesons são
diferentes combinações
de quaisquer
dois sabores
da Tabela
II. Os mesons
mais conhecidos
são os Muons ( m)
e os
Pions ( p
), além dos Kaons
( K ) e Rho ( r
) descobertos em 1960
e Ômega
( w
) descoberto em 1964. Todas
essa partículas
elementares, em
geral, são
encontradas com
cargas positiva,
negativa ou
nula e
ainda possuem
anti-partículas com essas
variações de
cargas. Algumas
como os
neutrinos não
têm cargas
ou massa
de repouso,
o que
significa que
só existem
em movimento,
exibem comportamento
bastante inusitado
o que
fez com
que os
físicos denominassem essas características
com nomes
que expressavam
suas total
surpresa. Além do
mais algumas
se transformam
em outras
como os
prótons em
nêutrons e
vice-versa segundo
esquema abaixo. Um
neutron
transforma-se em um
próton, um
elétron e
um neutrino,
liberando energia:
no g p+ + e - + V + energia
Um
próton
ao receber
energia,
transforma-se
em um
nêutron,
um pósitron
(elétron com carga
positiva)
e um
neutrino.
p +
energia n + e + + V
As
partículas
elementares
não podem
ser tomadas
como sendo
esféricas,
resistentes,
ocas ou
recheadas
de “algo”,
ou como
tendo cores
ou qualquer
dos atributos
que normalmente
conhecemos
no mundo
dos nossos
sentidos.
Elas nem
mesmo são
totalmente
partículas,
existindo
simultaneamente
como ondas
! Além do
que demonstram
um comportamento
bastante esotérico
na aniquilação
mútua entre
uma partícula
e sua
anti-partícula
produzindo
energia.
A operação
inversa,
quando
um
fóton
de
energia
suficiente
alta
passa nas
vizinhanças
de uma
partícula
pesada e
se “materializa”
em uma
partícula
e sua
anti-partícula
é outro
aspecto
de igual
“esquisitice”. Tudo
isso nos
faz perceber
que o
mundo real,
das partículas
elementares,
é repleto
de surpresas,
eventos
bizarros
e até
“caprichos”.
Em todo
caso, reflete-se
em um
estudo estimulante
o da família
das partículas
elementares,
que são
mais que
elementares,
são fascinantes
!
Recife, Setembro 2004
J.R. Araújo e-mail - zecaro108@yahoo.com.br _____________________________ Bibliografia D.H.Perkins, Introduction to high energy physics, Addison - Wesley Publishing Co. 1972 Stephen Gasiorowicz, Quantum Physics, John Wiley and Sons, Inc. 1974 George Gamow, Thirty Years that shook Physics – A story of Quantum Theory, Dover Publication, Inc–1966 Werner Heisenberg, Physics and Philosophy – Penguin Books –1990 George Arfken, Mathematical Methods for Physicists – Academic Press, Inc –1970 Richard P. Feynman, The Feynman Lectures on Physics – Arquivo em PDF da famosa série de palestras proferidas pelo Dr
Feynman.
_____________________________________________________ © Copyright 2005/2010 - Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução do texto aqui contido sem a prévia autorização do autor.
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