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                          Plantas: os segredos e o sagrado ( Parte III )

                                                                                                                                                                         J. R. Araújo

 

Desde  o  descobrimento  de  Backster  até   inúmeras   constatações  experimentais,  sabemos  que as plantas  sentem, pensam, ouvem, memorizam, ficam  felizes  ou  tristes, sentem  prazer,  medo  ou  dor e  imitam,,, No  reino  das  plantas  existe  uma  variedade  incontável.  Dentre  todas  as  espécies,  as orquídeas   são  consideradas  as  mais  evoluídas.   E  têm   uma   incrível  capacidade  de  imitar.  E COMO  ELAS  IMITAM . . .   ! ! !

As  orquídeas  fazem  truques   incríveis  para  atrair  um  inseto  e  fazê-lo  completar  a  polinização. Charles Darwin, inclusive, dedicou  muito  de  seu  tempo  pesquisando  sobre  esses  processos  e  escreveu  um  livro sobre a  reprodução  das  orquídeas. 

Existe  um  gênero  de  orquídeas,  chamado  Orphrys  que  imitam  a  fêmea  de  um  besouro  com  tal  perfeição,  chegando  ao  requinte  de  produzir  o  feronômio  expelido  pela  fêmea  durante  o  curto  período  de  acasalamento.  O  macho  pode  sentir  o  cheiro  a  quilômetros  de  distância.  Ao  tentar  se  acasalar  com  a  falsa  fêmea,  acaba  recolhendo  as  políneas  em  suas  antenas  depositando-as  no  estigma (órgão  feminino  da  flor)  polinizando  a  flor  que  logo  produzirá  um  fruto  (útero)  que,  repleto  de  sementes,  ao  abrir-se  soltará  uma  nuvem  dessas  sementes  que  originarão  milhares  de  novas  plantas. Imaginem  isso  !  Uma  flor  sintetiza  o  feronômio  de  um  inseto  com  um  propósito  bem  específico   !  !  !

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As duas da extremidade são Orphrys  especulum  e a do meio é uma  Orprhys  vernikya Notem  os  pelos  em  volta  do  labelo  da  flor,  imitando  os  pelos  da  fêmea  do  besouro. 

Existe  também  um  gênero  de  orquídeas  denominado  Dracula  (dragão em latim).   Originárias  da  floresta  amazônica  especialmente  da  Colômbia,  Equador  e  Venezuela,  em  altitudes  que  variam  entre  o  nível  do  Rio  Amazonas  (onde  neste  nível  também  ocorrem  algumas  espécies  no  Brasil)  até  altitudes  superiores  aos  dois  mil  metros  em  floresta  tropical  úmida  coberta  por  neblina. A semelhança  entre  as  flores  e  macacos  não  é  mera  coincidência; existem, nesses  habitats,  algumas  espécies  desses  animais  que  dividem  com  as  orquídeas  as  mesmas  árvores, os  mesmos  troncos,  os  mesmos  galhos. A semelhança  com  esses  pequenos  animais  é  estonteante. Apenas  não  está claro, ainda,  com  que  objetivo  essas  orquídeas  os  imitam.    

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As plantas  respondem de imediato  às  vibrações do ambiente em que se encontram. Freqüentemente não resistem à presença de pessoas invejosas,  maldosas ou ambientes em desarmonia.  Nesses  casos definham  e  até  morrem. Chamamos  a  essa  influência  “olho de seca pimenta”,  uma  expressão   por demais  conhecida  em  nosso  país

Plantas  e  ervas  são  largamente  utilizadas  na  Fitoterapia,  tratamento  médico  que  se  serve  de  seus  princípios  ativos  para  o  combate  de  determinadas  doençasMuitas  culturas  do  passado  reconheciam  as  plantas  como  seres  vivos,  dotadas  de  sensibilidade  e  as  respeitavam  pelos  seus  poderes  energéticos  e  curativos 

Os  florais  de  Bach,  denominação  usada  para  designar  a  terapia  desenvolvida  pelo  médico  inglês  Dr.  Edward  Bach  age  diferentemente  da  Fitoterapia.  O  Dr. Bach  descobriu  que  as  doenças  são  respostas  do  organismo  à  determinados  estados  psicológicos.  Verificou  que  certos  estados  de  desequilíbrio,  quais  sejam,  orgulho, crueldade, ódio, medo, ignorância, instabilidade, inveja, raiva, insegurança, depressão,  ansiedade, terror,  intolerância  e  egoísmo  conduzem  o  organismo  a  um  estado  mórbido. Pesquisou  e  elaborou  uma  lista  de  38  arquétipos  desses  estados  de  espírito  e  utilizou  as  essências  cuidadosamente  extraídas  de  38  flores  para  transformar  esses  estados  negativos.  A  terapia  com  florais  é  a  que  mais  se  aproxima  de  nossa  essência,  pois  considera  que  os  estados  mentais  em  que  nos  encontramos  influenciam  o  soma, o  corpo,  induzindo  a  uma  mudança  sutil,  porém  eficaz  em  nossas  disposições  negativas.  A  terapia  floral  induz  a  um  equilíbrio  de  “ordem  superior”,  fazendo  a  ponte  harmoniosa  entre  o  espírito  e  a  mente.  

Numa atmosfera equilibrada, ou  diante  de  pessoas  generosas  as  plantas  ficam  saudáveis  e  florescem, também,  generosamente.  Em  ambientes  onde  reina  a  harmonia  as  plantas  desenvolvem-se  de  forma  espontânea,  freqüentemente  além  do  esperado.  

Bastante  conhecido,  entre  os  que  puderam observar,  é  o  fato  de que em algumas  regiões  remotas  de  lugares  da  Índia,  por  exemplo,  livres  da  influência  da  vida moderna,  onde  as  pessoas  vivem  ainda  numa  atmosfera  cheia  de  bondade,  devoção  e  ideais  de  uma  vida  espiritual,  a  vegetação,  especialmente  em  volta  dos  templos,  ashrams  ou  mosteiros,  é  mais  que  luxuriante,  é  de  uma  beleza  incomparável  e  deixa  transparecer  a  vida  de  tal  modo  que,  em  muitos  casos,  pode-se  ver  um  brilho,  um  halo,  em    torno  das  folhagens,  das  flores  e  dos  frutos .............  

No  Ocidente,  próximo  a  mosteiros  e  em  lugares  onde  observa-se  uma  vida  de  oração  e  solitude,  as  plantas  também  demonstram  um  vigor  e  beleza  notáveis.  Muito  mais  que  galhos,  folhas,  flores  e  frutos;  é  o  próprio  testemunho  de  vida  que  brotacomo  que  a  nos  dizer,  “aqui  está  o  melhor  dos  fertilizantes.  Aqui  existe  oração  e  crescimento;  existe  a  busca  do  alto  por  todos  nós:plantas,  pássaros  e  homens”.   

Na  Índia,  muitas  árvores  são  lugares   freqüentes  de   peregrinação   por   terem   servido  de abrigo  a   uma  grande  alma  que  sob  sua  sombra  viveu  e  ensinou  coisas  da  impermanência  e  da  eternidade.  A correlação que se  faz é simples e direta: uma árvore que tenha dado abrigo a  uma  pessoa  santa, pela  associação  com  essa  pessoa, tornou-se  também santificada. Por  algumas  dessa  árvores,  esses  homens  santos,  renunciados  e  sábios  têm  especial  predileção. As  figueiras  (fícus), também  conhecidas  como  árvore  banyan,  são  as  preferidas  desses  sadhus.

O  lótus   é  apreciado  em   todo  Oriente  pela  sua  beleza, perfume  e  pela  aparência  de  pureza. É   a  flor  nacional  da  Índia.  Reverenciado  como  a  manifestação  do  divino,   evoca  a  pureza  transcendente, sendo  por  isso  muito  utilizado  nos  lagos  em  volta  dos  templos  e  ashrams. Não  é  a  toa  que  as mandalas  (formas  que  induzem  à  meditação)   têm  a  forma  de  um  lótus.  Os  chakras, vótex de energia  em  nosso  corpo  físico,  também  assemelham-se  ao  lótus  segundo  a  opinião  dos  textos sagrados  e  dos  sábios  videntes.   

                         

Kundalini devi              Senhor Buddha                Senhor Brahma                 Sri Vishnu

Nas representações  da  Divindade,  o  Lótus  sugere  a  base  de  onde  o  divino  se  manifesta.  Acima  vemos  uma  personificação  de  Kundalini-devi,  a  energia  vital  proveniente  do  Supremo,  o  Senhor Buddha,  nona  encarnação  de  Vishnu, segundo  descrições  dos  textos  sagrados,  o  Senhor  Brahma  ensinando  o  conhecimento  védico  e  uma  representação do Senhor Vishnu  em  sua  expansão  de  Paramatma,  ou  a  forma  que  penetra  e  sustenta  todos  os  átomos  e  dá  energia  e  movimento  a  tudo  que  existe  no  mundo.  Note  o  lótus  sob  seus  pés  que  são  chamados  pada-kamala  ou  pés-de-lótus.             

A experiência divina acerca de toda a vida como uma realidade  é em si mesma um treinamento espiritual, uma dádiva que, com freqüência marca o início de uma perspectiva espiritual, que favorece uma maior cooperação entre outras espécies de vida e nós mesmos. Como poderíamos expandir essa experiência, tornando-a parte de nossas vidas diárias ? O melhor ponto de partida é dentro de nós mesmos, tornando-nos amigáveis conosco. Não podemos ficar sensíveis aos inter-relacionamentos entre os animais, as plantas e nós, se endurecemos nossos sentimentos. Se não podemos sentir nossa própria natureza, como poderemos sentir a natureza que nos cerca ? Se tivermos tempo, para nos confrontar, estando sozinhos com nossas sensações e sentimentos, mesmo aqueles desagradáveis, estaremos começando a construir relacionamentos com o resto do mundo natural. Devemos reservarmo-nos momentos diários, sentados, quietos, apenas  parados, respirando, atentos.  Procurando sentir a vida pulsando dentro e fora de nós.  Ouvindo nossa respiração, calma, profunda e harmonizando-a com as pulsações da natureza. Assim veremos que, como que atendendo o chamado, toda a natureza se nos revelará, em nosso silêncio, em nossa comunhão.

Na  Cultura  Védica,  que  floresceu  na  Índia  até  cerca  de  5.000  anos  atrás,  elas  ou  qualquer  forma  de  vida  eram  tidas  como  cidadãs  e,  portanto,  passiveis  de  proteção  pelo  Estado.  Isto  era  assim  não  por  mero  sentimentalismo  mas  pelo  entendimento  profundo  de  que  somos  todos  almas  espirituais,  centelhas  emanadas  de  Deus  e,  por  um  curto  período,  estamos  aqui,  revestidos  de  diferentes  “roupas”  corpóreas. 

Uns  como  plantas,  outros  como  animais,  como  humanos . . .  Nessa  perspectiva  podemos  viver  todos,  em  harmonia  trilhando  o  caminho  que  cabe  a  cada  um,  na  certeza  de  que  somos  iguais,  em  essência,  apenas  executando  o  dever  que  nos  cabe  dentro  do  plano  divino,  ora  sendo  servidos,  ora  agindo  como  servidores

 

Recife,

Outubro/2005

 

J.R. Araújo

e-mail - zecaro108@yahoo.com.br

 

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