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==================================================================================================== Processando mudanças,
operando
milagres
J. R. Araújo
Devemos sempre permanecer em equilíbrio ! Como posso encontrar meu ponto de equilíbrio ? Seria uma pergunta imediata. Sabe aquele estado no qual nos sentimos bem ? Alegres, bem-humorados, dispostos, criativos, calmos, com uma gostosa sensação de bem-estar ? É isso, ou quase isso ! Nosso ponto de equilíbrio está em algum lugar entre a calma da meditação e a agitação do dia-a-dia. Permanecer em equilíbrio, economiza energias, promovendo nossa saúde física e mental, otimizando nossa capacidade de resolver diferentes problemas e desafios. Ao encontrar nosso ponto de equilíbrio, e nele saber permanecer, o passo seguinte é sabermos como potencializar, em nós, a maior das forças E qual a maior das forças ? Existem demonstrações espetaculares de força ! Tomemos um vulcão como exemplo. Ao explodir o cone de um vulcão, as ondas de choque destroem tudo que encontram no caminho. A lava atinge temperaturas muito altas, igualmente destruindo tudo em sua frente. Entretanto, alguns anos depois, uma fina camada de relva cresce e em alguns anos toda a vegetação local se recompõe. Este é um exemplo perfeito de um processo repentino, abrupto, revolucionário ! Pode ser, entretanto, que as forças envolvidas sejam tão grandes que causem mudanças na própria estrutura do sistema, transformando-o em algo novo, mesmo assim, este novo sistema passará a existir em seu estado intrínseco de equilíbrio. Entretanto, não é este o caso que, agora, nos interessa. Queremos entender o sistema que, apesar das mudanças, não se transforma em outro, mas mantém seu aspecto original. Tomemos a água como exemplo: não em seu aspecto revolucionário, como num maremoto ou numa tempestade, mas em seu aspecto de persistência, em seu leve e constante fluir. Assim, a água pode, no curso do tempo, abrir túneis sob a montanha e fazer buracos na dura rocha ! Podemos ver que os efeitos são muito mais permanentes. As mudanças quase ou totalmente irreversíveis. E tudo isso de forma tão suave...num processo evolucionário ! Suavidade, pois, é a maior das forças ! É a base de toda a evolução e que torna tão difícil, senão impossível, a recomposição daquilo que ajudou a mudar. Existe uma maravilhosa interdependência entre a suavidade e o ponto de equilíbrio. Quando qualquer sistema, seja ele físico, econômico, psicológico ou político-social, sofre uma brusca e violenta mudança (dizemos que este sistema foi perturbado), ele tende a voltar a um estado bem próximo, senão ao próprio estado anterior de equilíbrio. Liberando, de forma gradual, as forças causadoras da perturbação. Isto porque o equilíbrio caracteriza-se por ser o estado de menor energia do sistema, enquanto ativo. A energia envolvida na perturbação constitui um excesso que deve ser dissipado, trazendo o sistema de volta ao seu ponto de maior estabilidade, seu ponto de equilíbrio. Suponha agora um processo suave. O sistema está em equilíbrio, mas a mudança se processa de forma tão suave e imperceptível que praticamente não haverá perturbação, pois ao longo do processo a energia envolvida sendo sempre mínima, quase nada afasta o sistema de seu equilíbrio. Ao longo do tempo, de forma contínua, suave e gradual haverá uma transformação maravilhosa, com resultados mais permanentes, pois em nenhum momento houve perturbação e o equilíbrio, em todas as fases, caminhou com as pequeninas mudanças.
Assim, quando quisermos operar
quaisquer mudanças,
em nós
mesmos ou
no mundo em que
vivemos, e
conferir-lhes um caráter
mais permanente, devemos
primeiro
encontrar e permanecer
sempre
em nosso ponto
de equilíbrio e então
agir com
natural suavidade. A melhor das
mudanças é
aquela em
que moldamos em
nós mesmos a sabedoria, tolerância, persistência,
modéstia e
coragem. Tranqüilidade
é o
ponto de
partida. Suavidade é
a maior das
forças. Juntas,
estas duas qualidades operam
milagres.
J.R. Araújo
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