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Traduções do Sânscrito e
inglês, resumo, adaptação e notas complementares de J.R. Araújo
Sobre o Autor

Valmiki Rishi
Valmiki Rishi (rishi
= sábio) vivia nos Himalayas executando severas austeridades em
meditação. Chegou a um ponto em que todo o seu corpo foi envolvido por
um formigueiro, mas isso não incomodou o asceta, que, mantinha-se
indiferente a esses desconfortos que afligiam seu corpo. Devido à sua
austeridade e concentração, ele chamou a atenção dos semi-deuses, que
pediram ao semi-deus Indra que o visitasse e descobrisse o propósito de
sua meditação, visto que ele já influenciava todo o planeta com sua
meditação.
Indra compareceu à presença
de Valmiki. Após trocarem reverências, Indra indagou a Valmiki qual seu
propósito em executar austeridades tão severas. Valmiki informou a Indra
que desejava obter todo o conhecimento dos Vedas. Indra apontou para ele
três montanhas ao longe, depois pegou três punhados de terra do solo e
explicou a Valmiki Rishi que as montanhas eram como os Vedas e os
punhados de terra eram como o conhecimento obtido até então pelo sábio.
Certamente que é impossível
para alguém conhecer todo o conteúdo dos Vedas, mas que Valmiki (com o
pouco que aparentemente sabia) já era comparável com a maioria dos
grandes rishis ou sábios. Melhor seria parar de meditar e começar
o ensino dos Vedas para o benefício das pessoas em geral, pois ele já
tinha suficiente conhecimento obtido em suas três vidas anteriores.
Assim Valmiki, em obediência a Indra, desceu os Himalayas e fundou seu
ashram (eremitério ou mosteiro), ou ainda, sua academia de ensino
aos pés dos Himalayas, onde compartilhava o conhecimento védico com seus
alunos, dos quais Bharadwaja era o mais íntimo e se tornaria o mais
famoso dentre seus discípulos.
Valmiki Rishi é conhecido
como o Adi-kavi (Poeta Primordial), pois foi ele o primeiro a compor
toda uma narrativa épica na forma de versos. Como um grande sábio,
Valmiki Rishi tinha seu mosteiro próximo ao Rio Tamasa, num local de
colinas e florestas verdejantes, não muito distante do Sagrado Ganges,
onde vivia, cultivava e ensinava o conhecimento dos Vedas juntamente a
seus discípulos. Devido à sua pureza e ascese um dia ele foi visitado
também pelo Grande Sábio Narada Muni, que é uma personalidade tão
exaltada, que pode viajar por todo o Universo Material, bem como nos
infinitos Universos da Esfera Espiritual.
Narada Muni com
sua Vina
Narada Muni é o Sábio Santo
que viaja em todas as esferas da criação, ensinando e cantando as
glórias do Senhor Supremo, motivado pela compaixão à todas as entidades
viventes e impulsionado pelas ondas sonoras produzidas por seu
instrumento musical, a Vina.
Após receber dignamente o
grande Narada e prestar-lhe as devidas reverências, Valmiki propôs-lhe a
seguinte pergunta.
"Meu querido e reverenciado
Narada, ó maior entre os sábios, diga-me por favor, - Quem é aquele que
(possivelmente) pode ser pleno de todas as virtudes nesse mundo ? Que é
possuidor de toda perícia e conhece o que é correto? Que é consciente
acerca dos deveres e responsabilidades a serem executados, veraz em seu
falar e firme em suas resoluções? Quem é essa pessoa que seja correto em
sua conduta, que tenha todo o conhecimento, que seja amigo e amável para
com todos os seres vivos, e que, ao mesmo tempo seja poderoso e de
aparência extremamente louvável? Que seja cheio de esplendor, e adorado
até pelos deuses? Por favor, Eminente Sábio Narada, humildemente eu
peço, fale-me dessa pessoa, se é que ela possa existir . . ."
O Grande Sábio Narada Muni,
que possui conhecimento sobre Toda a Verdade, e que está além do
nascimento e da morte, ao ouvir os apelos de Valmiki Rishi, em grande
deleite espiritual falou as seguintes palavras: "Ouça, Ó Melhor entre os
Ascetas, considerando seu apelo, eu descreverei com alegria sobre as
glórias desse herói. Alegre-se em ouvir de mim, sobre tal Pessoa, dotado
de todas essas múltiplas e raras qualidades que você acabou de descrever
. . . Existe (sim) um descendente da Dinastia do grande Iksvaku,
conhecido por todos pelo nome de Rama. Ele controla sua mente por
completo, é poderoso, radiante e determinado, possui o conhecimento
sobre todas as Ciências, é conhecedor dos Vedas e do propósito dos
Vedas, é justo, nobre, benevolente e o melhor amigo de todos os seres
viventes. Ele mantém todos os universos, é belo, forte e poderoso, é uma
réplica de Sri Vishnu; ainda assim, Ele é muito simples e seu sorriso
encanta a todos, pois Ele é inigualável e inesquecível, para todos que O
conhecem . . ."
E assim, o Grande Sábio
Narada Muni, contou ao Sábio Valmiki Rishi sobre a vida e
extraordinários feitos de Sri Rama. Depois disso, Narada Muni terminou
sua narrativa, recebeu as devidas reverências de Valmiki, abençoou-o e
desapareceu tão de repente como se fosse o flash de um relâmpago,
numa tempestade sobre o mar.
Alguns dias depois, o sábio
se dirigia com seus discípulos ao Rio Tamasa, para fazerem suas
abluções, orações, meditarem e tomarem seus banhos matinal; descendo
pelas margens do rio, foram até uma cachoeira, onde as águas eram
límpidas como a mente de um rishi. Lá, Valmiki contemplava a
beleza da natureza local quando avistou um casal de pássaros animados no
galho de uma frondosa árvore, prestes a copular, em pleno fogo da
paixão. Neste momento, um membro de uma tribo primitiva, lançou sua
flecha atingindo em cheio o macho, que caiu ruidosa e mortalmente ferido
ao chão. A fêmea deu um grito de lamento e tristeza ao ver seu parceiro
caído, peito dilacerado, dando seu último suspiro. Valmiki estava
chocado com a crueldade do caçador, pois as aves estavam felizes, na
expectativa de iniciarem uma família. Por isso o Rishi pronunciou as
seguintes palavras: "Que você, ó mais baixo dos homens, não tenha paz em
sua mente até o final dos tempos. Sua crueldade é tão grande, pois você
foi capaz de matar uma das aves, no exato momento em que estavam tomadas
pela felicidade e paixão". Imediatamente Valmiki, que era um sábio
auto-controlado, maravilhou-se de que ele próprio tivesse proferido tais
palavras. Então, com o propósito de minimizar uma possível maldição, ele
confidenciou aos seus discípulos: "O que eu acabei de falar, é apenas o
exemplo de uma estrofe poética, construída segundo a métrica de oito
linhas e que pode ser recitada de forma melodiosa, não devendo,
portanto, ser entendido como nada além disso".
Pouco depois, o Senhor
Brahma, o engenheiro criador do Universo, visitou o eremitério do Rishi
Valmiki que o recebeu com grande reverência e emoção. Após observar as
regras de etiqueta prescritas nas Escrituras para a recepção de grandes
personalidades espirituais, Valmiki, abençoado pelo Senhor Brahma,
narrou o episódio sobre as aves e de seu receio em ter amaldiçoado um
caçador ignorante. O Senhor Brahma sorrindo falou-lhe as seguintes
palavras: "Oh jóia entre os eremitas, não mais pense sobre isso.
Asseguro-lhe que nada acontecerá àquele caçador. Que a estrofe que você
proferiu, seja utilizada como modelo para que você descreva as glórias
do divino Senhor Rama, exatamente como você ouviu do Grande Narada Muni.
Eu lhe dou o poder para que toda a gloriosa vida do Senhor Rama seja
revelada em sua mente, e que tudo que você escreva seja a mais pura
expressão da verdade. E que isso seja para o benefício de toda a
humanidade e perpetue a sua glória, ó melhor dos videntes."

O Rishi em seu ashram
Assim o grande Rishi
Valmiki, tomou como o dever de sua vida escrever em forma poética o
Ramayana, o grande épico composto em 24.000 slokas (versos),
distribuídos em 7 skandas (livros), escrito em Sânskrito,
utilizando uma linguagem refinada, de um lirismo dos mais sublimes e que
narra a gloriosa e divina presença do Senhor Ramachandra, descrito como
a própria encarnação de Sri Vishnu. Valmiki Maharishi (maha = grande,
rishi = sábio) estava constantemente ocupado em compor os 24.000
versos que descrevem as glórias do Senhor Ramachandra

Ramayana
Havia um rei santo chamado
Dasharatha, possuidor de todas as virtudes, descendente de Ikshvaku e
que tinha a capital de seu reino na cidade de Ayodhya, ao norte da
Índia. Nessa época, Ayodhya era a capital de um reino que se estendia
por todo o mundo. Ayodhya experimentava absoluto progresso, seus
cidadãos eram felizes e virtuosos e todos no reino (inclusive os animais
e plantas) viviam em perfeita harmonia. Dasharatha tinha três rainhas
consortes: Kaushalya, Sumitra e a mais jovem, chamada Kaikeyi.
Delas, o rei recebeu quatro filhos,
príncipes virtuosos: Rama (herdeiro do trono e filho de Kaushalya),
Lakshmana e Satrúghna (gêmeos nascidos de Sumitra) e Bháratta (nascido
de Kaikeyi). Todos possuíam conhecimentos e grande sabedoria, tendo sido
treinados pelos maiores mestres nas ciências materiais e espirituais.
Como estivesse muito idoso,
Dasharatha estava desejoso de se aposentar dos afazeres reais e queria
passar a administração do reino ao seu filho primogênito, o príncipe
Rama. Como pré-requisito para se tornar o príncipe regente, primeiro Ele
deveria desposar uma princesa.
O Rei Janaka, do reino de
Mithila (situado no território de Videha), estava promovendo um encontro
real, para a escolha do príncipe que desposaria sua filha, Sitadevi, que
era uma jóia entre as mulheres, plena de todas as virtudes espirituais,
de rara beleza, inteligência e educação.
Tornar-se-ia seu esposo,
aquele que conseguisse equipar um arco com o fio, esticando-o
adequadamente e, em seguida, disparar uma flecha. O arco foi presenteado
ao Rei Janaka pelo Senhor Shiva e precisava de vários homens fortes
apenas para ser carregado. Dobrá-lo, então, e fixar a sua corda, ou fio,
era tarefa quase impossível. Entretanto muitos príncipes concorreram,
atraídos pelas qualidades e beleza de Sitadevi. A maioria dos candidatos
nem conseguiu levantar o arco e os pouquíssimos que conseguiram
levantá-lo, não puderam dobrá-lo e equipá-lo com o fio.

Sri Ramachandra quebrando
o
arco na assembléia
Sri Rama foi o único que
levantou o arco, colocou o fio, atirou a flecha e em seguida quebrou-o
ao meio, assim como um elefante quebraria um bastão de cana de açúcar.
Todos ficaram maravilhados. Mais ainda, quando Sita aproximou-se do
Príncipe Herói, presenteando-O com uma guirlanda de flores, reconhecendo
Sua vitória sobre os outros pretendentes e aceitando-O como seu Noivo.
Todos puderam perceber a beleza e harmonia que existia entre o casal
real. Sitadevi tinha todas as características e marcas transcendentais
em seu corpo que completavam as marcas divinas, características de Sri
Rama. Os sábios presentes tiveram certeza, de que, mais que uma princesa
proveniente de uma destacada linhagem real e perfeitamente adequada a se
tornar a consorte de Sri Rama, Ela O completava de tal maneira que era
impossível imaginá-LOS separados. Sitadevi era mais que uma princesa
real; ela era a própria shakti do Senhor Ramachandra, assim
observaram os diligentes sábios.

Sri Sri Sita Rama
Todos os arranjos para a
cerimônia de casamento (vivaha) foram feitos, o que atraiu muitos
rishis, semi-deuses (devas), brahmanas sacerdotes,
anjos cantores (gandharvas), seres celestiais com suas esposas (apsaras),
príncipes (rajs) e reis (maharajs) de todos os lugares.
Estavam presentes todos os familiares das duas casas reais e a atmosfera
era de júbilo e felicidade transcendentais.
O sacrifício de fogo (agni-hotra),
executado pelos Brahmanas sacerdotes na cerimônia de casamento,
contou com a presença do Semi-deus do fogo pessoalmente, Agnideva, e
toda a arena de sacrifício estava decorada com sinais auspiciosos,
muitas flores e frutas. Havia uma multitude de cores, aromas e cânticos
de mantras. Neste exato momento, o centro de toda a criação foi
transferido para Ayodhya, pois o local estava impregnado da mais pura
energia espiritual. As cerimônias e festividades duraram vários dias.
Finalmente, passado o
período das festividades matrimoniais, os Raghavas (descendentes de
Raghu), liderados pelo Rei Dasharatha, ultimaram os preparativos para a
cerimônia de coroação de Sri Rama, como Príncipe Regente. Neste momento,
Kaikeyi, a esposa mais jovem, aproximou-se do Rei Dasharatha e
lembrou-lhe de uma promessa feita pelo Rei, alguns anos antes, quando os
príncipes ainda eram crianças. O Rei Dasharatha, em reconhecimento pela
devoção e amor de sua jovem rainha, prometeu-lhe atender qualquer pedido
que esta lhe fizesse. Kaikeyi, pediu-lhe que no devido curso do tempo,
entronasse seu filho, Bháratta, como príncipe regente. e. mais tarde,
quando da morte do Rei, Bháratta seria coroado o Rei de todo o Reino.
Tudo isso em detrimento do direito real, conferido por natureza a Sri
Rama.
Quando o problema foi levado
à corte e todos ficaram sabendo, houve muitos protestos, primeiro do
próprio Bháratta, que não concordava em tomar o lugar de seu querido
irmão, Rama, e mais veementemente de Lakshmana o qual, inclusive, usou
de palavras fortes, para criticar a atitude de sua própria mãe, a Rainha
Kaikeyi. Todos os sacerdotes e ministros do Reino condenaram essa
possibilidade. Sri Rama, entretanto, sabedor do caráter reto e justo do
Rei Dasharatha, concordou em ceder o trono a seu irmão Bháratta, para
preservar a palavra empenhada por seu pai. Sri Rama, assegurou à sua
madrasta, a Rainha Kaikeyi, que ficasse certa de que a promessa que seu
pai fizera, seria cumprida.
Diante disso, só havia uma
possibilidade para o Príncipe Rama e sua esposa Sitadevi: ambos teriam
que sair do Reino e viver no exílio. Uma vez que todo o mundo era parte
do Reino, Sita e Rama deveriam evitar as áreas urbanas, isto é, para
minimizar Sua influência, o Senhor Rama teria que viver nas florestas!
Toda essa situação causou
imenso sofrimento aos habitantes de Ayodhya e deixou o Rei Dasharatha
visivelmente abatido, em dor e lamentação. Lakshmana resolveu que não
abandonaria seu irmão e deveria ir com Ele, viver no exílio. Todos os
habitantes de Ayodhya seguiram, com muito dor, a carruagem que levava os
dois irmãos e Sitadevi até as fronteiras da cidade, às margens das
imensas florestas. O Príncipe Bháratta a todo momento se recusava a
aceitar essa situação.

Sri Rama, Sitadevi e Lakshmana, viajando pelas florestas
Chegando próximo às
florestas, Rama dispensou a carruagem e pediu que todos retornassem,
pois Ele, Sitadevi e Lakshmana seguiriam sozinhos pela floresta,
caminhando.
À medida que adentravam na
floresta, passavam por diferentes ashrams (mosteiros) e eram
recepcionados pelos rishis eremitas. Inicialmente, Sri Rama,
Sitadevi e Lakshmana foram para a floresta de Chitrakut, onde
construíram cabanas feitas de galhos e folhas de palmeiras.
O Rei Dasharatha, devido a
grande descontentamento ficou muito triste, e , em conseqüência, partiu
desse mundo. Bháratta, então, foi novamente visitar seu irmão, Rama,
para persuadi-lO a voltar e ser devidamente entronado como o Rei. Não
obstante todos os argumentos apresentados pelo seu irmão Bharatta, Sri
Rama convenceu-o a voltar e governar Ayodhya, pois isso estabeleceria em
definitivo a palavra empenhada por seu pai, que era reconhecido como um
Rei santo.

Bharatta
humilde e amorosamente diante do irmão
Bharatta, em sinal de
humildade e obediência, tocou os pés de Rama, e, coletando a poeira dos
pés de seu irmão, colocou-a sobre sua própria cabeça. Depois disso,
coletou água de um rio próximo e lavou os pés de Seu irmão. Sri Rama com
muita afeição pelo seu irmão mais novo, presenteou-o com suas sandálias
feitas de madeira de sândalo (daí vem o nome sandálias) e Bháratta
prometeu colocá-las no trono, como sinal de que Rama era o verdadeiro
Rei de Ayodhya e de que Ele estaria sempre presente, mesmo representado
por suas sandálias.
Após retornar, Bháratta
governaria o Reino a partir da cidade de Nandigrama, cerca de 30
quilômetros de Ayodhya, para que todos soubessem que embora ele
governasse, Ayodhya e o trono pertenciam a Sri Rama.
Após esse incidente, Rama,
Sitadevi e Lakshmana, finalmente estabeleceram residência na floresta de
Dandaka onde construíram duas novas cabanas de palhas: uma para Sitadevi
e Rama e outra para Lakshmana. Sri Rama escolheu essa floresta por ser
um local de acesso dificílimo, onde eles poderiam ficar totalmente
isolados dos cidadãos de Ayodhya e, assim, seu irmão Bháratta poderia
governar (por si mesmo) o Reino, livrando-se pouco a pouco de Sua
influência.

Em Dandaka, apesar da
simplicidade, viviam felizes e tranqüilos na mais perfeita harmonia .

Coincidiu que nesse período,
alguns espíritos malignos (rakshasas), detentores das piores
tendências, aterrorizavam os habitantes das florestas: humanos, plantas
e animais. Não conseguiam, todavia, se aproximar dos rishis e dos
mosteiros, mas causavam terror aos outros habitantes.
Divertiam-se dando gritos
tão terríveis, com o único propósito de causarem abortos nas mulheres e
fêmeas grávidas. Apareciam de súbito diante dos idosos (humanos e
animais) que morriam do susto causado pela presença assustadora e
repugnante desses terríveis demônios rakshasas (ogros). Usavam de
poderes mágicos para manipularem a mente das criaturas, fazendo com que
elas tivessem alucinações e morressem devido a doenças ou se jogassem de
precipícios.
Quando viam árvores
frondosas e belas, passavam seus excrementos nos caules, de sorte que as
árvores perdiam suas flores, seus frutos e secavam, afetadas por
terríveis doenças. Poluíam os rios e lagos com suas urinas e causavam
grandes distúrbios e devastação ambiental.
Sri Rama, ao tomar
conhecimento dessas atrocidades, partiu, juntamente com Lakshmana à
procura desses espíritos malignos, matando-os aos milhares.
Havia uma feiticeira muito
má, chamada Shurpanáka, que chefiava esses ogros. Ela era a feiúra
personificada. Tinha uma aparência horrível, hálito de peixe podre e seu
corpo exalava um terrível mau-cheiro. Ao ver a força de Sri Rama, ela
tomada de curiosidade e desejo sexual, aproximou-se dEle, fazendo
propostas numa linguagem vulgar, imprópria para a época. O Senhor Rama,
que era a própria manifestação da virtude, manteve-se calmo,
transcendental a esses insultos.
Sorrindo, Ele falou de
maneira gentil e educada para a feiticeira dizendo: "Ò linda e gentil
senhora, qualquer homem sentir-se-ia feliz ao seu lado. Mas eu já sou
casado com Esta senhora que está ao meu lado, chamada Sitadevi, Princesa
do Reino de Mithila. Não obstante, aqui também está presente meu
valoroso irmão, o Príncipe Lakshmana, que ainda não sendo casado, está a
procura de uma esposa adequada como só a senhora pode ser".
Shurpanáka ficou muito
alegre, e aceitou Lakshmana como seu futuro esposo. Lakshmana,
entretanto, para se livrar da situação, assim falou para a feiticeira:
"Ó grande e bela senhora, eu sou o irmão mais novo dEste valoroso
Príncipe de beleza inigualável. Eu nada tenho e sou mantido por Ele.
Pois sou apenas como Seu servo, e nada poderia oferecer à uma senhora
bela como você. Eu acho que Ele não continuaria ao lado de Sua esposa
Sitadevi, caso tivesse a senhora ao Seu lado, pois a sua beleza,
certamente faria com que um homem pensasse apenas e tê-la, ó formosa
senhora, como única esposa".
Nesse momento, Shurpanáka
não entendendo a ironia dos dois irmãos, partiu em direção à Sitadevi,
disposta a matá-La, pensando em livrar-se dEssa rival e conquistar o
amor de Sri Rama. Lakshmana, porém, tomado por súbita repugnância e em
defesa da vida de Sitadevi e do respeito que Rama merecia, usou da
espada e cortou o nariz e as orelhas dessa infeliz obsessora. Vendo seu
rosto desfigurado pela espada de Lakshmana e, por esse motivo, não
conseguindo remediá-lo com seu poder mágico, ela deu um horrível grito e
desapareceu.
Shurpanáka era a irmã do
poderoso Rávana, o chefe dos demônios, que reinava em Sri Lanka e queria
dominar o mundo, através da força e degradação. Era também seu irmão
Kumbhakarna, que estava sempre a dormir e, quando acordava, matava
pessoas. Os terríveis demônios Khara e Dushana eram seus irmãos mais
jovens. Vibhishana, seu terceiro irmão, entretanto, era uma alma
piedosa, cheio de virtude e nada tinha a ver com seus outros quatro
irmãos rakshasas.
Rávana, o demônio
de dez cabeças,
Rávana tinha uma forma
horrível, com dez cabeças e muitos braços, Era muito poderoso, em força
física e em poderes mentais.
Tão logo soube da
aniquilação de milhares de rakshasas (demônios) e da desfiguração
de sua malévola irmã, Rávana ( que possuía uma forma horrível de dez
cabeças, foi tomado de incrível ira, e com muito ódio prometeu vingança.
Enviou seus irmãos Khara e
Dushana (juntamente com milhares de ogros) para matarem Rama e
Lakshmana. Todos foram imediatamente aniquilados pelos Príncipes irmãos.
Isso apenas aumentou a ira
de Rávana. que convocou a ajuda de um demônio chamado Marícha. Este,
embora fosse muito mau, aconselhou a Rávana para não se indispor com os
dois Príncipes residentes em Dandaka. Rávana não lhe deu ouvidos e
ordenou-lhe participar do plano. Ora, Marícha dominava o poder de
assumir qualquer forma que quisesse e de emitir qualquer som.

Srimati Sitadevi, em Dandaka, ao ver o cervo dourado
Assim, durante uma manhã,
enquanto estavam despreocupados coletando flores e frutos, um lindo
cervo dourado apareceu nas imediações das cabanas de palha onde moravam
Sitadevi com Seu esposo Rama e Lakshmana, chamando Suas atenção.
Sita, devido a Sua natural
inocência, pediu a Rama que pegasse aquele lindo cervo, pois Ela o
queria como animal de estimação. Sitadevi fora criada para ser uma
princesa, como filha do Rei Janaka. Estava vivendo uma vida de
provações, desprovida de quaisquer dos confortos a que estava
habitualmente acostumada. Isso, já era demais para a pobre Sita, pensou
Seu esposo, que não media esforços para aliviar os inconvenientes a que
Sua amada estava submetida.
Lakshmana desconfiou de que
o cervo fosse Maricha disfarçado e comunicou este fato ao Irmão. Rama,
entretanto, só pensava em satisfazer sua amada Sitadevi, e não ouviu aos
conselhos de Seu irmão mais novo. Enquanto Ramachandra saiu à procura do
cervo, no intuito de satisfazer o desejo de Sua amada esposa, Lakshmana,
permaneceu alerta, em defesa de Sitadevi. O cervo dourado era muito
esperto, e não permitia ser agarrado pelo poderoso Rama. Ora, o cervo
não era outro senão Marícha disfarçado, o qual levava Sri Rama para
local cada vez mais distante, para mais dentro da densa floresta.
Em dado momento, Lakshmana e
Sitadevi ouviram gritos de Sri Rama, pedindo por ajuda. Sitadevi ficou
muito agitada e pediu a Lakshmana que fosse ao socorro de seu irmão mais
velho. Lakshmana, todavia, ficou desconfiado, pois sabia que não era
possível que o poderoso Rama pudesse estar correndo algum tipo de perigo
e recusou sair de perto de Sua cunhada, pois prometera a Seu irmão não
abandoná-la em hipótese alguma. Sitadevi, devido ao grande medo de
perder Seu amado, Rama, usando de palavras fortes, ordenou a Lakshmana
que fosse ao socorro do irmão. Admoestou Lakshmana.de que Ele estava
interessado na morte de Sri Rama, para que Bháratta assumisse o trono.
Lakshmana entendia que a confusão mental de Sita era apenas devido ao
fato de que Ela não suportava a menor possibilidade de viver sem Rama,
Seu amado.
Assim, Lakshmana concordou
em ir procurar Sri Rama, apenas para acalmar Sitadevi. Pois sabia que
nada podia acontecer ao Seu irmão. Tomou seu arco e desenhou um círculo
em torno da cabana onde moravam Sita e Rama, pedindo-lhe que por
hipótese alguma, cruzasse o círculo para fora ou o apagasse deixando
alguém entrar na casa, dizendo-lhe que Ela era protegida do Semi-deus do
fogo, Agnideva e que se alguém tentasse cruzar o círculo seria
imediatamente reduzido a cinzas. Após partir, Lakshmana entrou na
floresta á procura de Sri Rama.
Assim que Lakshmana partiu,
aproximou-se da cabana de Sitadevi um brahmana mendicante de
aparência gentil e pacífica . Ele indagou de Sita se Esta poderia
dar-lhe algo de comer. O brahmana parecia muito meigo e puro,
falando sempre de maneira humilde, com as mãos postas, fato este que
induziu Mãe Sitadevi a recebê-lo, e fazer-lhe alguma caridade.
Permitindo que o gentil sacerdote entrasse em sua casa (ao apagar o
círculo que a protegia), Ela apenas agia de acordo com as injunções das
Escrituras Sagradas, motivada pela bondade e pureza de Seu coração. Tão
logo entrou na cabana de palha, o brahmana de imediato revelou
sua real identidade e intenção. Ele era o terrível Rávana, que tinha
diante de si a delicada e gentil Sitadevi, a origem de todas as virtudes
femininas. A personificação da inocência e da pureza.
Depois de apreciar a beleza
de Mãe Sita, Rávana demonstrando desejo em se tornar Seu esposo,
raptou-A, levando-A em sua aeronave. No caminho, foram interceptados por
Jatayu, um poderoso e fiel amigo de Rama, que, para proteger Sitadevi,
travou uma heróica e mortal luta com Rávana. Jatayu, lutou bravamente,
infligindo golpes certeiros no adversário. Com muita força e destreza,
Jatayu cortava os muitos braços do rakshasa, mas logo em seguida
outros braços surgiam, como se fossem serpentes venenosas que, feroz e
desesperadamente, emergiam de um formigueiro prontas para atacar o que
estivesse pela frente, movidas por dor e loucura. Jatayu, contudo,
sentindo o peso da idade, finalmente caiu, mortalmente ferido pelo
cruel Rávana. Após ferir gravemente o bravo e fiel Jatayu, Rávana, o
líder dos demônios, agarrou Sitadevi violentamente pelos braços e
levou-A consigo. Todos os seres na floresta de Dandaka sentiram imensa e
súbita angústia. Os sábios nos mosteiros ficaram aflitos, as aves e
animais ficaram todos nervosos, a brisa parou por completo e o Sol
escondeu seu brilho. Maus presságios, caíram sobre Dandaka, quebrando
sua paz e harmonia. Toda a Natureza se entristeceu, pois tudo e todos
mergulharam na mais densa escuridão . . .

Sri Rama, exausto pelos
truques do cervo dourado, parou por um instante. Sem pensar por alguns
segundos em Sita, Ele pôde verificar a verdade sobre o cervo. Descobriu
de imediato que este era não outro senão o próprio Maricha disfarçado.
Isto foi suficiente para que mudasse de idéia sobre pegar o cervo vivo,
sem machucá-lo. Então sacou de Seu arco e flecha e disparou uma flechada
certeira, matando Maricha imediatamente, o qual, pouco antes de morrer,
revelou sua forma como um horrível demônio e deu um grito muito alto
pedindo ajuda, numa voz parecida com a de Sri Rama.
Foi este o pedido de ajuda
ouvido por Sitadevi e Lakshmana.
Rama pensava em Sitadevi, e
do perigo que Ela estava exposta. Pensou no grito dado pelo ogro,
imitando Sua voz e de como isso poderia afetar Sua esposa e Seu irmão.
No caminho de volta à Sua cabana, Ele encontrou o Seu amigo Jatayu,
mortalmente ferido, que contou-Lhe sobre o rapto de Sitadevi pelo
rakshasa Rávana. Após narrar o incidente, Jatayu deu um suspiro,
seus olhos fixos em Sri Rama e seu semblante feliz, pois tinha diante de
si, o Objeto de sua eterna meditação. Jatayu morreu nos braços do seu
amado Rama, e assim foi elevado ao Reino Espiritual, de onde jamais
retornaria. Logo após executar as cerimônias de cremação do corpo de Seu
fiel e devotado amigo Jatayu, Rama, no caminho de casa, encontrou-se com
Seu irmão. Conversaram sobre os acontecimentos e retornaram para o local
de suas choupanas, na expectativa de encontrarem Sitadevi.
Durante o percurso, os dois
irmãos observavam os sinais não-auspiciosos (de desordem e tristeza) que
encontravam na floresta. A apreensão dEles apenas aumentava. Finalmente
ao chegarem, o local estava vazio. O círculo feito por Lakshmana estava
rompido e Sitadevi lá não estava. Sri Rama em grande lamentação
perguntava a Seu irmão "Onde está Sitadevi, a Rainha do território
Videha ? Onde está a bela Sita, a origem de todas as virtudes, que
segue-Me por todos os lugares, que é Meu próprio pensamento e mais
importante que Minha própria vida ? Oh Lakshmana".
Após ser consolado por Seu
irmão mais jovem, os dois Príncipes, filhos de Dasharatha, adentraram na
floresta, em busca de Sitadevi. As árvores, os animais, as montanhas e
até os insetos davam dicas, sobre a provável direção que Rávana, o líder
dos espíritos malévolos, tinha levado a Princesa de Mithila. Em Suas
buscas, os dois valentes e virtuoso Príncipes encontravam todo tipo de
demônios, ocupados em barrar-Lhes o caminho. À medida que caminhavam,
Rama e Lakshmana destruíam esses rakshasas aos milhares.
Encontraram, então, um ogro
de forma monstruosa, chamado Kabandha que, após ser mortalmente ferido,
narrou sua história aos dois irmãos. Kabandha, em uma vida passada,
tinha uma forma bela, devido à sua bondade, penitências e caridade aos
demais. Era, todavia, brincalhão e irreverente e gostava de assumir uma
forma monstruosa para assustar e fazer gozação com as pessoas. Um dia,
aproximou-se de um Rishi (com o propósito de assustá-lo), chamado
Sthulashira, que era austero e rígido em seus princípios. O Rishi não
ficou assustado com a forma monstruosa de Kabandha, entretanto, não
gostou nem um pouco de sua irreverência e castigou-o com a seguinte
maldição: "Você vai permanecer por muitos anos nessa forma monstruosa".
Kabandha desculpou-se do Rishi dizendo que era apenas uma brincadeira. O
Rishi acedeu, dizendo. "Tudo bem, eu aceito suas desculpas. Então eu o
abençôo a que, após muitos anos nessa forma monstruosa, um dia, numa
floresta distante, após ser cremado pelo Divino Rama, você assumirá sua
forma original, e, mais que isso, retornará ao mundo espiritual".
Após contar sobre sua vida,
Kabandha disse reconhecer em Sri Rama, aquele mesmo Rama que o Rishi
havia prometido, em sua bênção. Ao dar seu último suspiro e depois de
ter seu monstruoso corpo cremado pelos dois irmãos, Kabandha, surgindo
das labaredas do fogo, apareceu em sua forma originalmente bela e
refulgente, e aconselhou ao Senhor Ramachandra para procurar Sugríva e
ensinou o caminho a chegar até o mesmo, pois ele seria de grande valia,
na busca de Sitadevi. Depois disso, Kabandha alcançou a liberação desse
mundo.
Sugríva era um valoroso e
justo Rei, chefe dos hominídeos, gorilas e macacos que viviam próximos
ao Lago Pampa, aos pés das Montanhas Rishyamuka.

Após raptar a bela e casta
Sitadevi, Princesa de Mithila, Rávana, o poderoso rakshasa,
levou-A até seu reino, situado no Sri Lanka. Ao chegar, ele foi recebido
por toda a cidade que em festividades comemorava a chegada de seu líder.
Todas as ruas e avenidas estavam repletas de demônios rakshasas,
exultantes e embriagados por vários tipos de bebidas e substâncias
inebriantes. Depois de ser saudado por seus seguidores nas avenidas de
sua capital, Rávana, orgulhoso de ter Sitadevi como seu troféu,
dirigiu-se a seu palácio, onde foi recebido pela corte de ogros. Lá, ele
tentou conquistar a simpatia de Sitadevi, primeiro oferecendo-Lhe muitos
presentes valiosos, como jóias e palácios. Depois falou de si mesmo, se
auto-elogiando, tentando convencê-LA de que ele poderia ser um esposo
adequado.
Sitadevi, que em nenhum
momento sequer parava de pensar em Seu amado Rama, recusou todas as
propostas do repugnante Rávana, dizendo-lhe que Ela tinha apenas Seu
esposo em pensamentos e dentro de Seu coração. Rama era Sua mente, Sua
alegria e Sua vida. Ela era Sua companhia constante e os votos de
fidelidade que tinha para com Seu amado esposo, eram o motivo maior de
Sua vida. Rávana ficou muito irado, e disse-lhe: "Você, é muito bela,
mas também muito tola. Jamais verá novamente Esse Seu Rama. Eu
pessoalmente O matarei. Depois disso, para demonstrar minha compreensão
e tolerância, darei um período de doze meses, para que Você, observe Sua
viuvez e tire de Sua mente a imagem dEsse herói, que já estará morto.
Mas eu advirto: caso Você não me aceite como esposo, prometo que
entregarei Você a meus queridos amigos, eles cortarão Seu corpo em
pedacinhos, e eu terei o maior prazer em comê-los num suntuoso
banquete!". Rávana, então, ordenou a seus subordinados que levassem
Sitadevi para o bosque de árvores ashokas que circundava o
palácio, pois Sitadevi recusava em aceitar a hospitalidade, o teto, os
alimentos, objetos ou qualquer facilidade, proveniente de uma criatura
tão baixa e vulgar, como esse Rávana. Sitadevi sequer levantava Seus
belos olhos de lótus, para olhar a figura de um ser tão repugnante.

Sitadevi, que era a
personificação da castidade, ocupava-se apenas em permanecer, dia e
noite, sentada no bosque de ashokas, sem nada comer, apenas
mantendo Sua devoção e amor, dedicados a Sri Rama, em profunda
meditação.

Dirigindo-se para o Lago
Pampa, Rama e Lakshmana cruzaram florestas muito densas, sempre seguindo
a direção indicada por Kabandha, que tinha finalmente obtido sua forma
original e liberação desse mundo. Cruzaram florestas de árvores
suntuosas em flores e frutos até chegarem, após vários dias de
caminhada, às margens do Lago Pampa. Lá, encontraram o mosteiro (ashram)
de uma poderosa, sábia e santa senhora, chamada Sháberi. O mosteiro era
completamente inacessível. Ninguém nele poderia penetrar, sem
consentimento interno. Sri Rama e Lakshmana foram recepcionados pela
bondosa Sháberi, que os recebeu com devoção e humildade, lavando-Lhes os
pés, as mãos, e oferecendo-Lhes todo o tipo de flores e frutos. Após
esse encontro, Sháberi atingiu o mais alto grau de perfeição e os dois
irmãos seguiram viagem, rumo à margem oeste do Lago Pampa.
Chegaram finalmente à base
da Montanha Rishyamuka, território do reino de Sugriva.
Sugriva tinha um irmão
chamado Váli, o qual tinha tomado seu reino, e o condenado ao exílio.
Vali era de mentalidade demoníaca e tinha acordos com os ogros. Rama e
Lakshmana ajudaram Sugriva a derrotar Váli que pereceu na batalha e
entronaram Sugriva em seu direito genuíno ao trono, trazendo finalmente
a paz aos habitantes de Rishyamuka.
Sugriva e seu amigo Hánuman
tornaram-se os mais fiéis e devotados amigos de Rama e Lakshmana. Após
ouvirem as desventuras dos Príncipes de Ayodhya, desde o exílio até o
rapto de Sitadevi, decidiram ajudar na recuperação da Princesa de
Videha, a amada consorte do Senhor Rama. Sugriva sentiu simpatia pelos
Príncipes irmãos, pois Eles tinham uma história em muitos aspectos
semelhante a sua.

Hanuman tinha
Sita-Ram no coração
Gradativamente, a amizade
entre Sugriva e Hánuman para com Sri Rama e Lakshmana, cresceu até se
transformar em pura devoção. Hánuman era mais que um amigo, era um
devoto fiel, tendo Sri Rama como seu amado Senhor. Constantemente
meditava em Sita-Rama e Os tinha sempre em sua mente e em seu coração.
Hánuman, o maravilhoso e
sábio homem-macaco, depois de alguma procura, descobriu o paradeiro de
Sitadevi em Sri Lanka. Chegou à cidade, e matou muitos ogros. Ao
encontrar Sitadevi no bosque ashoka, deu-Lhe um anel, dado por
Sri Rama para ser identificado por Ela como um amigo e aliado confiável.
Hanuman contou-Lhe sobre a chegada iminente de Seu amado esposo,
dizendo-Lhe que ficasse confiante pois sua liberdade estava próxima.
Hanuman foi então surpreendido por alguns ogros e teve que lutar com
eles. Depois de matar algumas dezenas de ogros, Hánuman fugiu do palácio
de Rávana e retornou para Rishyamuka. Ao chegar, prestou suas
reverências ao Senhor Ramachandra e contou-lhe onde tinha encontrado
Sitadevi, que estava bem, apesar de muitos dias sem se alimentar.

Planos foram urgentemente
feitos para a invasão ao Sri Lanka, terra do impiedoso Rávana. Ao
chegarem às margens do oceano, ao sul do sub-continente indiano, Sri
Rama, ordenou ao Oceano que drenasse suas águas ao nível mais baixo
possível. Feito isso, milhares de macacos e hominídeos, começaram a
construir uma fabulosa ponte, colocando imensos blocos de pedra sobre o
leito do estreito marítimo que separa os dois reinos.
Com a maior brevidade
possível, Sri Rama, Lakshmana, Sugríva e Hanuman (ajoelhado), juntamente
com os outros macacos, estavam diligentemente empenhados na construção
da ponte que os levaria a Sri Lanka.
Em seguida o exército de
hominídeos e macacos, liderados por Sugriva e Hánuman, em companhia de
Sri Rama e Lakshmana, cruzou o estreito que separa Sri Lanka da Índia,
invadindo de surpresa a cidade governada pelo maligno Rávana. A batalha
foi um evento épico, de proporções inimagináveis. Os macacos liderados
por Sugríva e Hanuman, atacaram os ogros aos milhares. Muitos macacos
pereceram, mas todos os ogros foram exterminados.
Sri Rama, matou Rávana em um
único combate, sem qualquer possibilidade para uma vitória do Demônio.
Todos os espíritos malignos foram aniquilados do globo inteiro.
Após a grande batalha, Sri
Rama abençoou os macacos e heróis que combateram de Seu lado e haviam
perecido em combate. Como que despertando do sono, todos eles retornaram
à vida e não houve lamentação de perdas. Também não havia feridos entre
aqueles que combateram ao lado de Sri Rama.
Os ogros mortos em combate,
ascenderam à planetas celestiais (onde teriam uma chance de
regeneração), pois embora houvessem lutado contra Sri Rama, pereceram em
Sua Presença, e isto, por si só, era um grande merecimento.
Rávana e outros que
pereceram diretamente pelas mãos do Divino Rama, foram imediatamente
transferidos à esfera espiritual. Pois, garantem os Vedas, sendo o
Senhor transcendental às dualidades materiais, não há qualquer diferença
entre Sua Ira, Seu Amor, Compaixão etc. Seu toque imediato é suficiente
para aniquilar todas as reações advindas de karma ou maus
hábitos.
Dessa forma, mesmo sendo um
terrível demônio, se alguém for tocado diretamente pelas mãos de Sri
Rama, ele alcança a mesma destinação das almas mais perfeitas.

O Senhor Rama sentiu grande
alívio ao resgatar Sua amada Sitadevi. Todos os sábios e rishis, os
cidadãos do globo, semi-deuses e todas as criaturas estavam igualmente
aliviados. A Paz e Harmonia estavam restabelecida. Vibhishana, o piedoso
irmão de Rávana foi entronado como Rei do Sri Lanka. Todos os cidadãos
justos de Sri Lanka, que tinham fugido para as florestas durante o
reinado de Rávana, retornaram para suas cidades, felizes por um recomeço
promissor.
Sri Rama recebeu de presente
dos semi-deuses um aeroplano chamado Pushpaka. Juntamente com Srimati
Sitadevi, Lakshmana, Hánuman, Sugríva, Vibhishana e outros, Ele voou de
volta para Ayodhya, parando antes no mosteiro de Bharadwaja, de onde
enviou Hánuman para avisar Seu irmão Bháratta de Sua iminente chegada.
Sri Rama abraçou Seu
devotado amigo Hanuman, ao enviá-lo para Ayodhya, onde este levaria as
boas notícias do resgate de Sitadevi e avisaria a todos da iminente
chegada de seu Senhor.
Bháratta e todos os cidadãos
de Ayodhya finalmente ficaram felizes com a chegada de seu Rei,
Ramachandra. Kaushálya, Sua mãe, e outros membros da família real
estavam igualmente felizes. Bháratta pessoalmente fez todos os arranjos
para a coroação de Seu irmão como o devido Rei de Ayodhya.
No momento da coroação,
diante da assembléia de sábios, rishis, semi-deuses, membros da
família, príncipes, reis e convidados, alguns críticos super-zelosos
(membros da classe sacerdotal) recriminavam Sri Rama por ter aceitado
Sitadevi, depois dEla ter ficado algum tempo distante, sozinha à mercê
de um demônio. Havia certa dúvida sobre a castidade e intocabilidade de
Srimati Sitadevi. Esta, diante de todos, sentindo-se ofendida e
ultrajada em Sua honra, resolveu entrar nas chamas do fogo de sacrifício
(agni-hotra) disposta a abandonar Sua vida, pois não suportaria
ver Seu amado Rama ser criticado, diante de Seu próprio infortúnio.
Ao entrar no fogo do
sacrifício que estava prestes a iniciar, todos ficaram chocados com a
determinação de Sita, estavam em desespero, o horror estampado em suas
faces.

Agnideva salvou
Sitadevi do fogo
Então de súbito, o próprio
semi-deus do fogo, Agnideva, saiu das chamas, carregando em seus braços,
intocada pelo fogo, a bela e casta Srimati Sitadevi, a Rainha de Mithila
e origem de todas as virtudes. Todos ficaram maravilhados de que
Sitadevi não tivesse sofrido nada, mesmo estando no meio das chamas de
onde o próprio Agnideva, estava emergindo. Certamente que este era um
sinal auspicioso, que demonstrava a pureza de Sita.
Agnideva pessoalmente
testemunhou sobre o caráter impoluto de Sita, Sua indubitável castidade
e fidelidade a Seu amado Rama, assegurando a todos que Ela, jamais fora
realmente tocada por Rávana e contou o seguinte episódio.
Quando Lakshmana fez o
círculo protetor, em volta da cabana de palha e foi a procura do Seu
irmão, Rama, Ele invocou Agnideva (com mantras) para
supervisionar aquele círculo e queimar qualquer um que o cruzasse.
Agnideva, confessou, que fez mais que isso: Ele retirou Sitadevi daquela
cabana e em Seu lugar colocou uma cópia perfeita (shaya), levando
Sita para uma esfera superior em companhia de algumas senhoras
celestiais. Embora a forma de Sita tenha sido raptada pelo demônio
Rávana, e não a Sita verdadeira, esta forma, não obstante, também
permaneceu casta e pura, não tendo tido qualquer contato íntimo com o
demônio.
No momento que Sri Rama, em
Sri Lanka, se aproximou de Sitadevi, a qual estava sentada no jardim de
árvores ashokas, Agnideva resgatou a cópia (shaya),
devolvendo a verdadeira Sita ao Senhor Ramachandra frações de segundos
antes dEste chegar, concluiu o Semi-deus.
Todos ficaram extremamente
felizes (inclusive os críticos) pois no futuro, ninguém poderia lançar a
mais tênue dúvida sobre o caráter e pureza da gloriosa Senhora do
Território dos Videhas, a filha do Rei Janaka e consorte do inigualável
e divino Sri Rama.
Ayodhya permaneceu por muito
tempo sob o Reinado do Senhor Rama. Toda a harmonia espiritual própria
desta era auspiciosa (Treta-yuga) foi completamente
experimentada, após um hiato de desarmonia, causado pela tentativa de se
estabelecer o caos, nesse período caracterizado por plena ordem material
e espiritual. Prevendo essa tentativa de trazer degeneração precoce à
Treta-yuga, uma era de absoluta harmonia, o Senhor Rama apareceu, para
proteger as pessoas virtuosas e restabelecer os princípios da
religiosidade.
Após terminar Suas
atividades manifestas neste mundo, o Senhor Sri Ramachandra, tornou-se
invisível e retornou para a esfera espiritual eterna, com toda a Sua
corte, parafernálias, amigos e amados (energias shaktis)
empregadas em Sua gloriosa manifestação.
Recife,
30/06/2006
J. R. Araújo
e-mail - zecarro108@yahoo.com.br

NOTAS COMPLEMENTARES
*
1 A narrativa sobre o Ramayana é repetida com fidelidade, de forma
resumida, em outras Escrituras Védicas Sagradas tais como o Bhagavata
Purana (Srimad Bhagavatam) e Vishnu Purana.
* 2
O Senhor Rama é descrito como manifestação do próprio Sri Vishnu ou
denominado bhagavan (termo especialmente utilizado para designar
a Pessoa Suprema)
*
3 Sitadevi, é a personificação da energia interna (Maha-shakti)
do Senhor Supremo e é sua energia primordial (Adi-shakti). È
esta energia que dá entusiasmo e prazer infinito àqueles que desenvolvem
sentimentos em direção ao Supremo.
*
4 Kaikeyi, em realidade, não era má, nem egoísta. Após pedir que seu
filho, Bháratta, fosse algum dia coroado rei, Ela procurou seu esposo e
renunciou a esse pedido. Rama, entretanto, sendo apenas uma criança,
pediu a Kaikeyi, que no devido curso do tempo, cobrasse de Seu pai, o
Rei Dashratha, a promessa que ele havia feito, uma vez que seu pai tinha
dado a palavra e isso não mais poderia ser desconsiderado.
*
5 Bharatta foi um Rei tão perfeito, que deu nome à Índia. Assim como a
Alemanha (para os alemães) chama-se Deutschland ou a Hungria (para os
húngaros) chama-se Magyar, da mesma forma para os indianos, em sua
língua natal, Bharatta é o nome dado àquele país, berço da
espiritualidade.
*
6 O Ramayana menciona que o irmão de Rávana, chamado Kumbhakarna,
cruzou o "Grande Oceano" e esteve em uma região muito rica, de florestas
luxuriantes, de onde extraía muito ouro e amedrontava os nativos.
Causava devastação e muitos distúrbios. Sri Rama veio até esse local,
expulsou Kumbhakarna e restituiu a paz no ambiente e entre as pessoas.
Essa região, segundo eruditos védicos, presentemente é onde se encontra
o Brasil. Na edição do Srimad Bhagavatam (Bhagavata Purana) do renomado
mestre espiritual A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, no Quarto Canto,
ele confirma este fato.
Muitos anos atrás, algumas
tribos amazônicas, ainda contavam uma lenda sobre um poderoso "deus
verde-azulado" que, voando pelo Céu, chegou na região e expulsou um
espírito mau, o qual aterrorizava e roubava ouro e outras riquezas.
*
7 Os Vedas dividem os ciclos ou períodos históricos em quatro eras (yugas)
bem definidas e alternantes. Começando com a Satya-yuga, onde as pessoas
têm uma longa duração de vida, e virtudes excepcionais, gradualmente há
uma degeneração em todos esses fatores, culminando com a Kali-yuga, a
era em que estamos, para depois haver uma ascensão positiva de volta à
Satya-yuga, como antes.
SATYA-YUGA - a Era do
Espírito, que é a de mais longa duração média (1.728.000 anos). A
qualidade característica é a Verdade e o método de elevação é a
meditação (dhyana),
TRETA-YUGA - a Era
mental, que tem a duração de 1.296.000 (em média). A qualidade
característica é a Força da Mente e o método de elevação espiritual
predominante é o Ritual Sagrado (yajña). Os episódios narrados no
Ramayana de Valmiki se passaram nessa Yuga.
DVAPARA-YUGA - a
qualidade característica é a Fé, nessa Yuga cuja duração média é
de 864.000 anos. O método predominante de elevação é a adoração (archana).
KALI-YUGA - é a fase
mais baixa e as pessoas são conscientes apenas do aspecto corpóreo da
existência. A duração dessa Era é de 432.000 anos dos quais já se
passaram cerca de 5.000 anos. A caridade (dana) é o método de
elevação prescrito para contrapor o egoísmo exacerbado.
*
8 Ayodhya fica no Norte da Índia, na região de Uttar Pradesh, próximo
à fronteira do Nepal. A região tem muitos templos dedicados a Sita-Rama.

* 9
Escavações arqueológicas em Ayodhya, revelam fundações de imensos
complexos palacianos, na área em que a tradição assegura ter sido o
local de nascimento de Sri Rama (ramajanmadesh).

*
10 Estruturas milenares em Sri Lanka testemunham um passado colossal
(em primeiro plano na foto). Curiosamente (assim como em Ayodhya) é
imensa a quantidades de macacos que habitam essa região.

* 11 Na década de 60, o projeto Gemini
da NASA descobriu uma estranha formação entre o Sul da Índia e Sri
Lanka, (fotos a seguir) apenas observável do espaço.


Após análises, os cientistas e geólogos da
NASA concluíram que a formação é feita pelo homem (artificial).
O traçado sinuoso segue os
pontos mais rasos do leito oceânico, é formado por uma camada de areia
(trazida pelas correntes) que recobre uma estrutura de pedras.
Foto efetuada pela Gemini XI
entre 12 a 15 de Setembro de 1966. Note que a travessia não foi feita no
ponto mais estreito (um pouco mais acima na foto), porém no mais
extenso, embora de menor profundidade.
O texto original publicado
pela NASA fala que não há dúvida sobre essa formação ser uma ponte e que
atestava a narrativa do Ramayana. A Agência ainda calculou que esta
ponte estaria no local por uns bons 1.750.000 anos !!!
Embora esse texto não mais
possa ser lido (no site oficial da NASA), alguns endereços de
sites a seguir reproduzem com fidelidade o original (no todo ou
em parte).
www.stevequayle.com/Giants/Ancient.Civ_Technol/021008.1750000yr.bridge.html
www.cyberspaceorbit.com/indexback49.html
www.tamilinfoservice.com/manitham/environment/sscp/ir.htm
www.skyimagelab.com/hanmonbrid.html
http://indiaoz.com.au/hinduism/articles/oldest_civ_nasa.shtml
Apesar das evidências
geográficas, históricas e do Ramayana, a incoerência, intolerância e
prepotência religiosa do Ocidente fez com que a ponte fosse denominada
de "Ponte de Adão".
Claramente nada tem a ver
com Adão, pois é a Ponte de Rama !
*
12 Eu gostaria de salientar, além de todas as qualidades espirituais
do Grande Rishi Valmiki, o fato de que no Ramayana ele diz que a
ponte construída sob a orientação de Sri Rama tinha um
comprimento de 8 yojanas (sem dispor de qualquer
instrumento moderno de avaliação), o que dá aproximadamente
32 milhas (cerca de 50 Km). A NASA calcula essa distância
em um pouco mais de 31 milhas !
Realmente
impressionante !!!
*
13 Na Índia há uma grande devoção a Sita e Rama. Tudo que identifica
virtudes, heroísmo, castidade, modéstia e todas as boas qualidades é
identificado em relação a Eles. Ao abençoarem seus filhos, os pais
sempre dizem "Sê como Sita" (Sita bhavasi) para as meninas ou "Sê
como Rama" (Rama bhavasi) para os meninos. Uma expressão bastante
comum "us me Rama nahi hai" (não existe Rama nele) - é dita para
designar uma pessoa sem dignidade, sem caráter.
*
14 Mahatma Gandhi, era muito devotado a Sri Sri Sita-Rama. Ele sempre
exortava aos indianos a serem como Rama, enquanto as senhoras deveriam
seguir o exemplo de Mãe Sitadevi. Quando de sua morte, suas últimas
palavras foram "He Rama ! ".
*
15 Na elaboração deste artigo, utilizamos primariamente o Srimad
Valmiki Ramayana, editado pela Motillal Jalan / Gita Press (1969) -
Gorakhpur / Índia
Como fonte de consulta
foi utilizado o Srimad Bhagavatam, de A.C. Bhaktivedanta Swami
Prabhupada (Canto 9 - Parte II) editado pela BBT (1977) - Los Angeles /
USA

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