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Reencarnação  ou  Ateísmo

                                                                                                                        J. R. Araújo

 

A mais antiga abordagem sobre a reencarnação encontra-se nos Vedas, antigas Escrituras Sagradas, reverenciadas em toda a Índia. O tema é exaustivamente explicado no Ramayana, Mahabharata, nos dezoito Puranas, nos Upanishads (coletânea de 108 livros sagrados) e muitos outros textos védicos. Vejamos o que Sri Krishna ensina ao seu discípulo Arjuna, logo no segundo capítulo do Bhagavad-gita.

"Nunca houve um tempo em que Eu não existisse, nem você, nem todos esses reis; e no futuro nenhum de nós deixará de existir. Assim como, a alma encarnada passa seguidamente, neste corpo, da infância à juventude e à velhice, similarmente, a alma passa para um outro corpo após a morte. Uma pessoa sóbria não se confunde com tal mudança".  Bhagavad-gita (2: 12-13)

Por esse motivo, a reencarnação é um conceito bastante familiar entre os orientais, sendo encarada com muita naturalidade.

A eternidade (numa visão linear) pressupõe existência em ambas as direções temporais. Existência eterna no passado, existência eterna em direção ao futuro.

Tomemos alguns conceitos geométricos por analogia. Uma reta se estende infinitamente em ambas as direções. Uma semi-reta estende-se infinitamente em uma só direção, a partir de um ponto na origem. Da mesma forma, não se concebe uma eternidade a partir de uma criação. Isto seria uma semi-eternidade !      

 

 

A pré-existência da alma espiritual, é também um pressuposto de sua eternidade. O corpo sim, este é criado e destruído. A alma, que anima ao corpo, é indestrutível, eterna. A existência da alma num corpo é como um segmento de reta que vai de A até B, ou, em nossa analogia, do nascimento à morte. Eternidade, karma e reencarnação são idéias inter-relacionadas.

Um dos argumentos que os cristãos usam para não aceitar o karma e a reencarnação, é a suposição errônea de que esses conceitos tornam fútil a soberania de Deus perante a Criação, tornando-O um mero espectador da tragédia humana. Sendo Ele soberano e onipotente sobre a Criação, Ele pode punir o mal e o fará de forma perfeita no final do mundo. Assim, eles asseguram, não há qualquer motivo para que leis impessoais como o karma e a Reencarnação executem essa tarefa.

Nada mais longe da realidade que isso.

A Lei do Karma é tão impessoal quanto qualquer lei que regule os fenômenos naturais do Universo, como a Lei da Gravidade por exemplo. Não há razão para supor que o dedo de Deus está continuamente a nos empurrar para baixo, cada vez que tentamos subir ! Ou que Uma Divindade Suprema esteja pessoalmente rodando uma manivela para manter os planetas girando em torno do Sol !  Essas leis existem sim e embora não possamos ver  a intervenção pessoal de ninguém, essa impessoalidade é apenas aparente, na medida em que tudo se mantém ou funciona apenas pela simples vontade de Deus. No que diz respeito ao funcionamento da Natureza, Ele não precisa ficar decidindo a cada segundo sobre o que fazer com todas as coisas. As leis existem universalmente como uma simples manifestação de Sua vontade, no início da criação. Isso é suficiente e esse é o real significado de Onipotência !

No que diz respeito à natureza das entidades viventes e dos seus feitos, Ele apenas testemunha, não de forma impotente, mas imparcial e Onisciente, por meio de Sua grande prova de amor para conosco, sua suprema dádiva:    nosso   livre   arbítrio.

Ele pôs diante de ti a água e o fogo; lança a tua mão ao que quiseres. Diante do Homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; o que lhe agradar, isso lhe será dado. (Eclesiástico 15: 17-18)

Temos a escolha, mas também temos as conseqüências do que escolhemos. A cada ação que fizermos, haverá sempre uma reação, de igual intensidade e sentido contrário. É assim com os fenômenos materiais grosseiros (físicos e biológicos) ou os gradativamente mais sutis (psicológicos e kármicos).

A reencarnação não é apenas uma hipótese religioso/filosófica. Do tema também se ocupam cientistas do mais alto prestígio. Suas pesquisas e conclusões são bastante aceitas nos meios acadêmicos.

 

   Ft 1    Dr. Ian Stevenson

Um dos pioneiros nessa abordagem científica é o Dr. Ian Stevenson, médico psiquiatra, ex-diretor do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Virgínia e agora é diretor da Divisão de Estudos da Personalidade da Mesma Universidade. Suas credenciais são impecáveis, com inúmeros artigos publicados em jornais e revistas científicas especializadas. Dr. Stevenson estuda diligentemente o assunto por mais de 40 anos e reúne em arquivos documentação científica de mais de 3.000 casos de memórias de uma vida passada, em crianças  de todas as partes do mundo. São lembranças espontâneas, isso é, sem utilização de recursos tais como hipnose, regressão etc. Muitas pessoas, incluindo cépticos, pesquisadores acadêmicos concordam que esses casos oferecem a melhor evidência (senão provas) da reencarnação. Nos anos 60, escreveu e publicou partes de seus trabalhos no seu famoso livro "Vinte casos Sugestivos de Reencarnação" que inaugurou a abordagem séria e acadêmica na pesquisa do fenômeno. Ele atuou conjuntamente com  o famoso pesquisador indiano N.H. Banerjee, com o qual participou de muitas pesquisas. O Dr. Stevenson não aparece em programas de Rádio ou TV, em jornais ou revistas populares, muito menos sensacionalistas, reservando-se apenas aos meios acadêmicos.

Entre seus casos de maior evidência estão os seguintes casos que passamos de forma resumida:

1-   Sam Taylor é um garoto de Vermont nascido um ano e meio após a morte de seu avô paterno. Quando Sam tinha um ano e meio de idade, enquanto seu pai trocava sua fralda ele disse; "quando eu tinha a sua idade eu costumava trocar suas fraldas também". Seu pai ficou atônito a medida que essas declarações de seu pequeno filho se repetiam. Ele comentou com a esposa (mãe de Sam) e ambos discutiram o assunto. Nenhum deles sequer tinha qualquer idéia sobre reencarnação, pois eram de famílias batista, embora não fossem eles próprios religiosos. Os fatos relembrados pelo pequeno Sam foram estudados pelo Dr. Stevenson, e todos provaram ser verdadeiros, embora o garoto nunca os tivesse ouvido, pois seus pais não costumavam conversar sobre  seu  avô  paterno.

 

2-   Kumkum Verma, uma garota da Índia  começou a falar de uma vida anterior quando tinha pouco mais de três anos de idade. 

        

        Kumkum Verma

Ela disse ter vivido na cidade de Darbhanga, num bairro chamado Urdu Bazar, cerca de 40 km da vila onde ela morava. Ela insistia que seu nome era Sundari e fez muitas declarações sobre sua suposta vida passada. Seu pai, um homem educado e culto, médico homeopata e dono de terras não conhecia ninguém, em Urdu Bazar. Kumkum falava de detalhes de sua vida passada, sobre o nome de seu filho, que o mesmo trabalhava como ferreiro artesão e o nome de  seu neto. Mencionou que havia um cofre de ferro na sua casa e que ela mantinha uma cobra doméstica próxima ao cofre e que alimentava-a com leite. Falou do lago próximo a sua casa. Narrou sobre seu pai anterior, o nome da cidade onde este morava e o fato de que a casa de seu pai era rodeada por um pomar de mangas. Sua tia atual anotou essas declarações uns seis meses antes que alguém tentasse identificar essa personalidade.  É digno de nota que Kumkum falava com um sotaque idêntico ao usado por essa família de Urdu Bazar, com termos típicos de uso dessa família, bem diferentes da maneira educada que sua família atual costumava falar. O Dr. Stevenson estudou esse caso e todas as declarações de Kumkum foram verificadas corretamente.

 

3-   O caso de Shanti Devi é um dos melhores casos de memórias de crianças acerca de uma vida passada. É notável também pelo fato de que o próprio Mahatma Gandhi designou um comitê de 15 homens proeminentes para estudar e acompanhar esse caso. Esse grupo incluía parlamentares, religiosos, estudiosos, homens da Ciência, médicos e jornalistas.

Tudo começou em 18 de Janeiro de 1902 em Chaturbhuj, distrito cidade sagrada de Mathura. Uma família local foi abençoada com o nascimento de uma menina, a qual deram o nome de Lugdi, que cresceu muito religiosa, tendo visitado muitos lugares de peregrinação desde muito jovem. Em uma dessas peregrinações ela feriu gravemente a perna e por isso, depois de tratamentos iniciais em Mathura, teve que ser levada para tratamento em Agra. Lugdi casou-se com um próspero dono de lojas de roupas e tecidos chamado Kedarnath Chaube, que tinha lojas em Mathura com uma filial em Hardwar, Em sua primeira gravidez, Lugdi perdeu a criança numa cesariana. Na segunda gravidez, seu esposo preocupado levou-a para um grande hospital em Agra, onde ela se submeteu a uma segunda cesariana, quando ela deu aà luz um menino em 25 de Setembro de 1925. Nove dias após, entretanto, a saúde de Lugdi deteriorou e ela veio a falecer em 4 de Outubro deste ano.
 

          

                      Ft 2    Shanti Devi

Em 11 de Dezembro de 1926, em Chirawala  Mahulla, um pequeno bairro de Delhi, Babu Rang Bahadur Mathur, foi abençoado com o nascimento de uma filha, a qual chamou de Shanti Devi. Ela era como qualquer outra menina, exceto pelo fato de que falava muito e aos quatro anos de idade começou a narrar acontecimento estranhos. Ela falava acerca de seu "esposo" e seu "filho" dizendo que ambos moravam em Mathura e que seu esposo tinha lojas de tecidos. Após narrar vários incidentes conexos com sua vida anterior, seus pais ficaram preocupados.

Depois de atrair a atenção local, Shanti Devi atraiu a atenção da imprensa de todo o país. Foi quando Gandhi interveio e designou um comitê para pesquisar os fatos. Shanti Devi foi levada à cidade de Mathura, onde mostrou conhecer todos os lugares e pessoas ligadas a sua vida anterior. Várias tentativas foram feitas para induzi-la ao erro, colocando-se pessoas ligadas a ela no meio de muitas outras, as quais ela imediatamente as reconheceu, ou quando apresentaram outro homem como sendo seu esposo, mas ela o identificou como o irmão de seu esposo. Ou quando seu pai permaneceu calado, quase anônimo no meio de outros homens e ela prontamente o reconheceu e o abraçou chorando. Contou detalhes de sua vida conjugal que só ela e seu antigo esposo conheciam. Ela indicou com precisão, detalhes da casa onde morou, mesmo antes de lá chegar, e da casa das amigas vizinhas. Tudo foi verificado e o caso foi re-estudado pelo Dr. Stevenson, baseado em documentos e reportagens de jornais da época, além dele entrevistar a própria Shanti Devi na década de 60.

Atualmente, muitos pesquisadores estudam esses casos, que são catalogados e objeto de estudos sérios e críticos.

 

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Flavius Josephus, historiador judeu que viveu no primeiro século da era cristã, escreveu que os Fariseus, fundadores do Judaismo Rabínico acreditavam na reencarnação. Ele menciona que a alma dos bons poderia ser "removida para outros corpos e (assim) teria o poder de viver novamente". Josephus ainda escreveu que os Essênios acreditavam em reencarnação.

Devido a posição geográfica, os judeus de Israel, eram constantemente envolvidos em diversas doutrinas e filosofias. Receberam  influência gnóstica da Tradição Platônica, da doutrina da reencarnação dos gregos e da ressurreição dos persas.
 

No Talmud, o termo "gilgul neshamot" que significa literalmente "o julgamento das revoluções da alma" é mencionado com freqüência. Um dos mais reverenciados rabbis de Israel, Rabbi Manasseh ben Israel (1604-1657) escreveu em seu livro intitulado Nishmat Hayyim: "A crença ou a doutrina da transmigração das almas é um dogma firme e infalível aceito em concordância por toda a assembléia de nossa igreja, de modo que não se encontrará ninguém  que ouse negá-la. Realmente, há um grande número de sábios em Israel que crêem firmemente nessa doutrina, de sorte que ela se tornou um dogma e um ponto fundamental de nossa religião. Nós temos, portanto, um compromisso de obedecer e aceitar aceitar esse  dogma com aclamação . . . pois a verdade dele foi incontestavelmente demonstrada pela Zohar (o mais importante texto da Kabbalah) e todos os outros livros dos Cabalistas".

Assim como a doutrina da reencarnação influenciou os judeus, ao longo dos anos, também influenciou, pela herança, o cristianismo na sua origem. Existem muitas passagens na Bíblia em que  se  faz  referências  à  reencarnação.

Temos em Mateus (16: 15-16) a seguinte passagem: Jesus estava na Cesaréia de Felipe e lá interrogou seus discípulos dizendo "Que dizem os homens a respeito de Mim?". E eles disseram "Uns dizem que és João Batista, outros que és Elias e outros ainda dizem que és Jeremias, ou algum dos profetas"                             (Uma clara referência à reencarnação!).

E Jesus disse-lhes: "E vós, o que dizes quem sou?". Ao que Simão Pedro respondeu: "Tu és o Filho de Deus".

Ora, essa era uma excelente oportunidade de refutar a reencarnação, caso esta fosse um conceito falso e pernicioso. Jesus, entretanto, apenas foi claro em se identificar como sendo Ele mesmo, e não um daqueles profetas, sem ao menos emitir  qualquer  comentário sobre a reencarnação.

No Evangelho de João (3:2-6) temos a narrativa em que Nicodemos foi ter com Jesus à noite e travaram o seguinte diálogo:

Jesus _ Em verdade te digo, que não pode ver o reino de Deus senão aquele que nascer de novo.

Nicodemos _ Como pode um homem nascer sendo velho ? Porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e renascer ?

Jesus _ Em verdade te digo, que quem não renascer por meio da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que nasceu da carne é carne e o que nasceu do espírito, é espírito.

Em primeiro lugar devemos notar que Nicodemos perguntou sobre a reencarnação, nascer de novo, como requisito para se entrar no reino de Deus. Jesus não se escandalizou nem negou este fato, apenas respondeu-lhe trazendo a conversa para um nível mais alto, renascer do espírito, visto que o mero renascimento (nascer da carne) não garante a ninguém um estado de pureza ou de graça diante de Deus, mas sim o desenvolvimento de virtudes (renascer do espírito). Afinal reencarnação é um fenômeno material (nascer da carne é carne), enquanto o renascer do espírito é o acordar, sair da ignorância, da escuridão, é a purificação e não ter mais que nascer (sair da carne). Isto é verdadeiramente espiritual (do espírito). Notemos que, novamente, em nenhum momento Jesus negou a hipótese levantada por Nicodemos de que um homem poderia voltar a entrar no ventre de uma mãe e renascer.

No episódio da transfiguração (o texto em grego fala em metamorfose), os discípulos (Pedro, Tiago e João) estando com Jesus em um monte, viram-no resplandecente, conversando com Moisés e Elias. Ao descerem, perguntaram a Jesus "Por que dizem, pois, os escribas que Elias deve vir primeiro?", ao que Jesus respondeu "Elias certamente há de vir, e restabelecerá todas as coisas. Digo-vos, porém, que Elias já veio, e não o reconheceram, antes fizeram dele o que quiseram". Então os discípulos compreenderam que lhes tinha falado de João Batista. (Mateus, 17:10-13)

Elias retornou como João Batista, e por isso não foi reconhecido. Temos aqui, outra inconfundível  referência  à  reencarnação!

Orígenes (185-254) nascido em Alexandria de pais cristãos, desde muito cedo foi incentivado por seu pai a estudar escritos que mais tarde comporiam os livros da Bíblia. Foi um estudioso, filósofo e pensador que muito contribuiu nos primórdios do Cristianismo. Foi ele o fundador da Teologia. Escreveu mais de 6.000 tratados, livros, estudos e cartas. Sua produção literária é impressionante. Foi ele quem desenvolveu interpretações das Escrituras, introduzindo a análise intelectual e filosófica e idéias que seriam aclamadas como dogmas da Igreja. Alguns de seus ensinamentos, entretanto, não foram bem aceitos. Entre estes podemos listar a pré-existência e imortalidade da alma, Salvação Universal e Reencarnação, entre outros. A doutrina da Salvação Universal assegura que todos serão perdoados, e se reconciliarão com Deus em algum tempo futuro, negando pois a doutrina da condenação eterna ao inferno.

Sobre a reencarnação Orígenes escreveu: "Toda alma nasce nesse mundo, fortificada pelas vitórias e enfraquecida pelas derrotas de sua vida anterior".

Em 325 o Império Romano estava enfraquecido. A doutrina da divindade dos Césares não mais entusiasmava os cidadãos e as legiões romanas. A Igreja também estava enfraquecida por muitas seitas, crenças, interpretações e grupos rivais. O Imperador Constantino, então, ofereceu um acordo: ele daria o apoio do império, se a Igreja se tornasse um credo unitário. Feita a unificação, a Igreja de Cristo tornou-se Católica Apostólica Romana, experimentando o poder de se tornar a religião oficial do Império Romano. Foi aí que começou as perseguições (à maneira dos romanos) a toda oposição e opinião contrária a dos bispos. Orígenes já tinha sido declarado herético ainda em vida. Suas idéias, porém, persistiam dentro da própria Igreja. No Concílio de Nicéia (345 dC) e no Concílio de Constantinopla (553 dC) as idéias de Orígenes e de outros foram declaradas anátema (condenadas), sendo eles excomungados. O Concílio produziu 14 anátemas (condenações), sendo a primeira um golpe fatal nos ensinamentos de Orígenes:

"Se alguém aceita a fictícia Pré-existência das almas, e defende a monstruosa (doutrina da) Restauração que dela resulta, que seja condenado (anátema)".

Restauração é a doutrina de que todas as almas, um dia, alcançariam a pureza (através da reencarnação para os Origenistas) e  retornarão  em  união  com  Deus. A pré-existência da alma é indiscutível em Malaquias 1:2-3 e Romanos 9:11-13. Em  ambos  é  dito que Deus amava Jacó, mas não a Esaú, mesmo antes de seus nascimentos. Como poderia Deus julgá-los mesmo antes de seus nascimentos? certamente por seus atos anteriores, e isso, não apenas denota a existência de reencarnação, mas a pré-existência das almas, visto que a doutrina do cristianismo atual é de que as almas são criadas no momento da concepção!

A Décima Primeira Anátema explicitamente indica o nome de Orígenes e sua danação (condenação) juntamente com outros heréticos. Embora Orígenes tenha sido um dos Patriarcas da Igreja, sua condenação e excomunhão, pretendeu apagar essa verdade histórica e com ela o fato de a reencarnação ser uma idéia naturalmente aceita, nos primórdios do Cristianismo.

Após isso, muito ênfase foi colocada na doutrina da Ressurreição de todos. Para Orígenes a Ressurreição se daria  como uma união com Deus, em corpo espiritual (Restauração). Para a Igreja se dará em corpo carnal, após o Juízo Final.

Quando Judah  foi  vencida em 586 aC., os  judeus  foram  levados  cativos, como  escravos, para  a  Babilônia. Em 539 aC. a própria Babilônia caiu diante da Pérsia que instalou uma teocracia com o Zoroastrismo como religião oficial. Os judeus receberam forte influência dos persas e quase perderam sua identidade religiosa e nacional. Quando retornaram a Israel, entretanto, trouxeram muitas doutrinas estranhas ao judaísmo: ressurreição, crenças em anjos, a idéia do anjo do mal, o após a vida, a doutrina de recompensas e punições, a imortalidade da alma e o juízo final. Essas foram  idéias repassadas dos persas aos judeus e desses foram herdadas pelos cristãos, que eram originalmente judeus (inclusive o próprio Jesus).

 

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Sabemos que Deus é justo e bom. Sua bondade é Sua justiça. Como então, pode Ele ser justo e bom se permite que uma pessoa, numa primeira e única existência sofra dores e castigos inimagináveis? !!! Acaso Deus é um tipo mesquinho, insensível e caprichoso a ponto de determinar aleatoriamente que esta pessoa vai ter uma vida saudável e feliz, e aquela outra nascerá cega, aleijada ou com debilidade mental?  Não há qualquer glória, bondade ou justiça para quem sorteie a felicidade de uns e infelicidade de outros; não pelo menos pra quem seja supremo, onisciente ou todo-poderoso!

Não tem cabimento a assertiva amoral de que podemos executar todo tipo de ignomínia, e depois, basta-nos o arrependimento e a mera conversão. Por outro lado, onde estaria a justiça de Deus para com aqueles que, na história ou mesmo agora, não conheceram ou não conhecem os ensinamentos cristãos: estarão eles eternamente condenados ao fogo infernal ?

Devemos nos opor em aceitar um Deus tão repleto de caprichos e de outros defeitos. A que nos serviria tal "divindade"?  Melhor acreditar em nós mesmos, melhor  sermos  ateístas !

Há, portanto, uma grande dificuldade em conciliarmos a idéia de um Deus justo e onipotente, com as tragédias humanas, a negação de múltiplas vidas e a conseqüente descrença na reencarnação. Quando não consideramos a reencarnação, ao menos como hipótese, resta-nos apenas a escolha natural pelo ateísmo. 

Felizmente esse não é o caso quando fazemos as seguintes considerações: Deus é a fonte de amor, de bondade, compaixão e justiça. Ele é Todo-poderoso e Onisciente. Ele nos permite agir  de acordo com nossos desejos, embora Ele nos oriente em suas diversas e compassivas inúmeras manifestações e Escrituras, conselhos sábios, ao nosso dispor. Temos a escolha (livre-arbítrio), e temos as conseqüências do que escolhemos (karma). A colheita será de acordo com nossa semeadura.

Melhor incluir a reencarnação como nosso instrumento de auto-perfeição gradual, de expiação de nossos próprios mal-feitos. E esquecidos das vidas passadas, possamos caminhar, entre antigos desafetos, agora tornados irmãos, ou entre antigos amados que temos de esquecer, visto que os laços amorosos do passado dificultam o bom proveito das novas oportunidades. No caminho que temos a trilhar, a reencarnação é o próprio caminhar: uma promissora oportunidade para uns, uma realidade para outros.

                                                                                   "Após  muitos  nascimentos  e  mortes,   aquele  que  tem 

                                                                                     verdadeiro conhecimento rende-se  a  Mim, sabendo que

                                                                                     sou  a  causa  de  todas  as  causas  e de  tudo que existe.

                                                                                     È  muito   raro   encontrar   semelhante  grande   alma"

                                                                                                                                           Bhagavad-gita ( 7: 19 )

 

Recife,

19/07/2006

 

Créditos pelas citações

 

Bhagavad-gita Como Ele É - Traduzido e Comentado por

A. C.  Bhaktivedanta  Swami  Prabhupada

Editado pela Bhaktivedanta Book Trust - 2001, Brasília

 

Bíblia  Sagrada - Traduzida  da Vulgata  e  anotada  pelo

Padre  Matos  Soares

Edições Paulinas - 1962, São Paulo

 

As fotos apareceram originalmente

no  site  http://childpastlives.org

 

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