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Religiões: Pluralidade & Coexistência J. R. Araújo
As Ciências Exatas, nada seriam sem o auxílio da Matemática. Esta é que nos auxilia no entendimento das quantidades. Sempre foi assim, desde quando éramos crianças e passamos a crescer, desenvolvendo mais e mais nossas relações no dia-a-dia com essa poderosa e interessante ferramenta. Vejamos como evoluímos: 1 - provavelmente nossa primeira noção de quantidade e operação de adição se deu com algo do tipo: Joãozinho tem duas maçãs e Maria tem duas maçãs. Quantas maçãs têm Joãozinho e Maria ?
2 - Um pouco mais adiante, nos foi introduzida a Aritmética com uma noção mais abstrata, e o uso de sinais: 2 + 2 = 4 !!! 3 - A Álgebra foi o passo seguinte, quando aprimoramos nossa capacidade operacional e de abstração, aprendendo a resolver equações: Seja 2x - 4 = 0. Calcular o valor de x. Resolvendo temos, 2x = 4 ou x = 4/2, que tem como solução x = 2 !
4 - O estudo das funções nos deu maiores habilidades: Dada a função
esta assume o valor f (x) = 4 para x = 2 ou f (2) = 4 ! 5 - Para quem conhece o Cálculo Diferencial e Integral, é fácil verificar que:
Se formos ainda mais adiante, fazendo uso da Análise Matemática Superior, das Equações Diferenciais Ordinárias ou das Equações Diferenciais Parciais, veremos que existe uma mesma verdade simples (2 + 2 = 4) subjacente a todos os níveis; é assim, devido à coerência do formalismo matemático, teórico ou operacional. Esta verdade está contida na introdução concreta, com o uso de contagem de objetos (exemplo das maçãs), na Aritmética, Álgebra, no Cálculo Diferencial/ Integral ou nos conceitos de Matemática Superior. No que diz respeito aos fundamentos, não existe um único nível mais certo que o outro, ou único verdadeiro. Ao subirmos na escala de complexidade, existe apenas níveis mais abrangentes. Certamente que não se fala em maçãs numa aula ou livro-texto de nível médio ou superior, da mesma forma que não se menciona derivadas e integrais nos níveis inicial e médio. Essas diferenças são inerentes à capacidade de compreensão da audiência, limitada por faixa etária, escolaridade etc. Isto é verdadeiro em diferentes áreas do conhecimento humano. Tomamos a Matemática somente como exemplo. Sabemos que as Leis da Física são universais e universalmente conhecidas, da mesma forma que (ao menos no nível básico) bondade, moralidade, amor ao próximo e a existência de Deus são conceitos e sentimentos universais e universalmente conhecidos e aceitos. A Transcendência, como experiência tangível, marca o indivíduo e a coletividade. Como bem disse Einstein "A coisa mais bela que se pode sentir é a experiência mística. Ela é a fonte de toda verdadeira Arte e Ciência". Religião é uma das mais importantes áreas da vida humana. È quase impossível encontrar ao longo da nossa história, um único aglomerado humano em que alguma referência ao sobrenatural, mesmo em seu aspecto mais primitivo, não tenha sido observada. A busca incansável do homem pela transcendência (em qualquer de seus aspectos) parece confirmar o que diz o Eclesiastes: "Deus colocou a eternidade no coração dos homens". No início o homem primitivo deparou-se com os fenômenos naturais tais como o Sol. a Lua em sua diferentes fases, estrelas, cometas, relâmpagos e trovões, arco-íris, tempestades, o escuro etc. A todos essas ocorrências, não as podendo controlar e entender, atribuíram-nas como sendo feitos de seres superiores. O grande mistério e medo, entretanto, era a morte e o que ela significava. Não demora muito e muitas culturas, de imediato, fazem essa conexão entre os fenômenos naturais misteriosos e o após morte pois sendo esse o grande enigma, nada mais natural que correlacionar tudo que pareça igualmente enigmático.
Surge, então, a idéia do lugar para onde foram os antepassados e entes queridos, dos deuses, seres que habitam este "outro lado", bondosos ou malévolos. Tudo que traz alegria, bem-estar e felicidade é devido aos seres amigáveis. O contrário é atribuído aos seres do mal. Daí, provavelmente surge a dualidade: o bem e o mal, representados por um ser superior bom, justo e compassivo e outro de qualidades e atributos contrários, respectivamente. A partir das grandes descobertas marítimas no Século XVI, o homem ocidental travou conhecimento com diferentes culturas, nativas do Novo Mundo. Ao estudar essas culturas, com uma abordagem de superioridade, não inspiraram a devida confiança desses povos, que não relatavam tudo de suas crenças religiosas. Guardavam como segredo, pois consideravam esses tópicos bastante pessoais. Falavam de diferentes deuses ou semi-deuses, todos de importância menor, só desvendando a existência do "Deus Superior" aos do mesmo grupo ou (raramente) a uns poucos iniciados estrangeiros, merecedores de confiança. Os estudiosos, com seus julgamentos estreitados por idéias pré-concebidas e desprovidos de verdadeiro espírito científico, escreviam relatórios apressados, livros de conteúdo tendenciosos ou chegavam a conclusões completamente equivocadas, no mais das vezes, com o único propósito de fazerem valer o ponto de vista e interesses das religiões a que eles mesmos pertenciam. Em geral sempre foi (e ainda é) assim, no que se refere às religiões ditas primitivas (de povos aborígines) e mesmo com as grandes religiões não-cristãs. Não existem culturas cuja religião seja politeísta, da mesma forma em que nenhuma dessas culturas tinha uma "poli-liderança" política. Em todas as sociedades do passado ou atuais, existe a classe política liderada por um único chefe, monarca, imperador, rei etc. Com a religião não poderia ser diferente. Dentre os muitos deuses e deusas de todas as religiões, há de destacar sempre um, considerado o Deus Supremo. Uma observação cuidadosa e liberal demonstra que há um fundamento comum a todas as religiões: a) a crença numa Deidade Suprema, criadora do mundo e transcendente às qualidades mundanas; b) o homem é mais que o corpo. É uma alma ou espírito que anima o corpo; c) a idéia de um lugar paradisíaco, além dessa vida, em que vivem os antepassados e um plano mais elevado onde habita o Ser. Supremo;. d) boas qualidades tais como amor ao próximo, bondade, honestidade, compaixão e valores morais elevados são encorajados como ideais a serem observados por aqueles que pretendam alcançar o paraíso. O enigma do após vida, é tão sombrio e misterioso quanto as trevas. Esta representa tudo que é misterioso e desconhecido. As trevas, o escuro, amedrontam, pois implica o encobrir de todo conhecimento, da verdade. É no escuro que se perde toda a orientação. A luz, por outro lado, dissipa as trevas, traz orientação e conhecimento. Permite a que se veja a si mesmo e ao que nos rodeia. Assim, o dualismo Luz (conhecimento) e Trevas (ignorância) está muito arraigado nas mentes das pessoas, até os dias de hoje. A cor branca simboliza pureza, limpeza, bondade. São essas algumas das verdades simples, subjacentes a todas as religiões. As diferenças e variações existem apenas em função de momentos históricos / culturais e que determinam a capacidade de compreensão de uma audiência em particular. Considerar uma religião superior às outras é ignorar esses fatores. Tome por exemplo gênios consagrados como Einstein, Shakespeare, Beethoven: em dado momento eles foram crianças e, nessa condição, não havia a menor lógica em discriminá-los como seres inferiores ou de capacidade inferior. Eles estavam apenas em seus respectivos desenvolvimentos e todo o conhecimento ou talento que viriam a manifestar, já existia potencialmente neles. Entre as religiões indígenas existe a figura do homem sábio, o xamã (shaman) que tem acesso a informações ocultas aos demais. È comum que ele também domine a arte da cura e o conhecimento do poder curativo das ervas. Sua preparação leva muitos anos de aprendizado com um xamã mais antigo e experiente. É imprescindível para o estabelecimento da identidade cultural e religiosa de seu povo. Por meio de sonhos e visões, o xamã pode orientar os caminhos a serem seguidos pelos membros da tribo. É comum entre os povos indígenas, a associação de animais com o lado oculto da vida. Assim, seres perfeitos e virtuosos são personificados como o Elefante Branco nas religiões primitivas da Ásia, o Cervo Branco entre os indígenas brasileiros. a Grande Águia e o Búfalo Branco entre os índios americanos. Estes seres entram em contato com os xamãs, e orientam os caminhos da tribo.
Ao contrário dos ocidentais, entre os chineses, o Dragão e um ser protetor, uma espécie de anjo. Isso é especialmente verdadeiro com o Dragão Branco.
Podemos definir dois tipos básicos de religiões. As salvacionistas e as evolucionistas. As primeiras têm como meta a salvação. Admitem que todos têm apenas uma vida e que é nesta própria vida que se deve atingir o Reino Celeste, caso contrário estarão perdidas para todo o sempre, tendo o inferno como destinação eterna. Fazem um forte proselitismo, com o intuito de converter o maior número possível de adeptos. Estão neste grupo, principalmente, os Cristãos (Católicos e Protestantes) e os diferentes grupos Muçulmanos. As religiões evolucionistas, como o nome define, aceitam o progresso gradual das pessoas, que pode ser alcançado em muitas vidas. Por esse entendimento não fazem proselitismo para simplesmente converter as pessoas, mas têm como objetivo principal a orientação. Não aceitam o inferno como destinação final e eterna, mas entendem que é no cultivo das qualidades que se obtém a necessária pureza para a elevação ao plano espiritual supremo. Estão neste grupo as diferentes seções do Hinduísmo, do Budismo e entre os Cristãos do Espiritismo Kardecista. Sem qualquer julgamento, apenas observando a História, vemos que os salvacionistas ao longo do tempo adotaram meios violentos como a coerção, as guerras e pressões diversas para converter os seguidores de outras religiões, aos quais se referem comumente como infiéis. É dessas religiões que vemos, infelizmente, as maiores demonstrações de intolerância. Entre os cristãos temos conflitos entre Católicos e Protestantes que culminou com a massacre de mais de vinte mil Protestantes em dois dias, no episódio conhecido como "A Noite de São Bartolomeu" ocorrido na França em 24 de agosto do ano de 1572. Tivemos as invasões muçulmanas em terras onde viviam cristãos e as sangrentas guerras denominadas "As Cruzadas". Temos as invasões do território indiano pelos muçulmanos e as tentativas de conversões em massa de hindus, sempre efetuadas pelos invasores de forma violenta e às custas de muitas vidas. Os muçulmanos têm um histórico de derrubar Templos Hindus famosos e construir sobre eles suntuosas Mesquitas. Os Judeus sempre foram perseguidos por cristãos, e mais recentemente, por muçulmanos. A perseguição mais absurda ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, quando os Judeus foram massacrados pelos nazistas com a total omissão das Igrejas Católicas e Protestantes. As diferenças religiosas são necessárias, visto que existem diferentes mentalidades moldadas por fatores histórico/ culturais. O que não se entende, entretanto, é a intolerância, o egoísmo e arrogância religiosos e a prepotência direcionada àqueles materialmente mais fracos. Existe, todavia, o milagre da pluralidade religiosa, que possibilita a que todos tenham a liberdade de escolha do caminho a seguir. Ao longo da História a Providência Divina, manifesta ensinamentos valiosos em diferentes Escrituras reconhecidamente sagradas. Temos a ocorrência de profetas, avataras e homens santos que orientam aos demais, com seus exemplos pessoais de amor a Deus e ao próximo.
Indígenas
Ìndio Kayapó
Xamã de tribo americana Entre os índios brasileiros e americanos, em geral existe a figura do Pajé ou Xamã que é dotado de grande sensibilidade para invocar e entrar em contato com as forças do "outro lado". Invocam os espíritos da floresta e os antepassados. Geralmente também têm habi-lidades curativas com muitos conhecimentos do poder curativo das ervas. Recebem ajuda de seres personificados como forças da natureza que se manifestam na forma humana ou animal. Admitem, entretanto, a existência do Grande Espírito, Supremo e Único.
Cultos Africanos
Cerimônia nas praias Os cultos da herança africana, são bastante intricados para uma religião dita primitiva. As Mães-de-Santo ou os Pais-de-Santo fazem o contato mediúnico com os espíritos. Existe uma hierarquia de espíritos chamados Orixás, que são guias orientadores dos adeptos. Os Orixás não são deuses, mas espíritos superiores. Olorun é o Deus Supremo do povo Yorubá. É o Criador do Universo e de todos os Orixás. Os Yorubás originalmente habitam a Nigéria, Togo, Lagos, Serra Leoa, Benin e existem populações significativas desse povo (ou descendentes) em Cuba e Brasil. Entre os principais Orixás estão:
Oxóssi - protetor da caça e da fartura; Xangô - protetor do fogo, do trovão e da justiça; Ogum - do ferro, da guerra e da tecnologia; Oxumaré - da chuva e do arco-íris; Oxum - entidade feminina dos rios, ouro e do amor ; Iansã - entidade feminina dos ventos, relâmpagos e tempestades; iemanjá - entidade feminina protetora dos lagos, mares, oceanos e da fertilidade.
Islam
Fundada em 600 aC. por Maomé (Muhamad) no local onde hoje é a Arábia Saudita, o Islam é a religião que mais cresce atualmente. Usa o Alcorão como Livro Sagrado, além do Hadith que narra sobre a vida e ensinamentos de Maomé. Pra o Islam (que significa submissão), Allah é o Deus Único e Maomé Seu profeta. Aceitam o Antigo e Novo Testamento da Bíblia como Livros Sagrados, e Abraão e Moisés como profetas. Aceitam também Jesus como o profeta que antecedeu Maomé. Existem duas divisões principais do Islam: os Sunitas, que são seguidores dos sucessores políticos de Maomé e os Xiitas que são seguidores dos familiares sucessores de Maomé. Estes foram todos martirizados nos primórdios do Islamismo.
Mullah Muçulmano
É enfatizada a irmandade entre os adeptos, e ausência de quaisquer diferenças entre a vida sacerdotal e secular. Todos são iguais perante Allah. Compaixão é a grande virtude. Todos devem viver uma vida reta, com total obediência aos preceitos do Alcorão e assim, alcançarão o Paraíso, onde viverão na presença física de Allah e todo os anjos e profetas. Para um muçulmano, seu dever sagrado é promover a conversão dos outros ao Islamismo, pois crêem que o Islam é a única e verdadeira Religião, acima de todas as outras. O objetivo social aqui neste mundo, é a transformação de toda a sociedade humana em uma teocracia islâmica.
Judaísmo
Rabino da tradição judaica Como Religião, o Judaísmo é inseparável do povo judeu. Fundado há uns 3.500 anos, por Abraão, que iniciou a linhagem de seu povo, e por Moisés que é considerado o maior profeta judeu. Moisés recebeu os Dez Mandamentos que foram entregues pelo próprio Deus, e liderou seu povo no deserto, tirando-o de anos de escravidão no Egito. Os Judeus têm a Torah (Lei) como Escritura Sagrada, que compreende o Pentateuco, que num sentido mais restrito contém os cinco primeiros livros do Antigo Testamento. Num sentido mais amplo contém todo o conteúdo do Antigo Testamento que narra os feitos e ensinamentos dos profetas. Usam também o Talmude (literalmente "Instruções"), relatos da tradição oral, codificados em duas vertentes, o Talmude de Jerusalém e o Talmude da Babilônia, mais conservador e de maior autoridade. O Judaísmo tem Yahweh como Deus único e tem como objetivo que se leve uma vida de retidão, até o advento do Messiah (Messias) que virá para destruir todo o mal e levar os justos para o Reino de Deus.
Cristianismo
O Cristianismo foi fundado há mais de 2.000 anos por Jesus de Nazaré, onde hoje se localiza Israel. Tem como Escritura Sagrada o Antigo e o Novo Testamentos. Dividido em três seitas principais: Católica Romana, Ortodoxa Oriental e Protestantes, esses com mais de 20.000 denominações. Toda a ênfase é colocada na fé de que Cristo é o Deus encarnado ou, segundo alguns, Filho de Deus, o Salvador. Os Cristãos têm uma fé inabalável de que a sua Religião é a única verdadeira e todo zelo é empregado na conversão dos outros.
Frade Franciscano Freira católica
O centro do Catolicismo é no Vaticano, um pequeno Estado independente encravado no centro de Roma. O Papa é seu líder espiritual e político. Existem os padres seculares e aqueles que levam uma vida consagrada, nos mosteiros. Há também mosteiros femininos, denominados Conventos, onde as freiras levam vida de recolhimento e oração. Há uma diferença entre o Católico sacerdote e o público laico. Os padres, as freiras e os frades, observam alguns votos, entre os quais o celibato. É assim também entre os ortodoxos. Entre os pastores protestantes, contudo, não se observa o celibato. O bom cristão, deve aceitar Jesus como seu salvador, levar uma vida de bondade e caridade, esperando pelo dia do Juízo Final, quando os bons e justos irão para o Céu (Paraíso) e os injustos ou pecadores serão enviados para o fogo eterno do inferno. O Cristianismo é a religião predominante nos países ocidentais. O amor ao próximo, a bondade e a justiça, são ideais a serem cultivados pelos adeptos.
Espiritismo
Entre os Cristãos, existe uma Religião relativamente recente. Trata-se do Espiritismo. A partir de 1855, um estudioso e pesquisador francês chamado Hippolite Léon Denizard Rivail, depois conhecido como Allan Kardec, iniciou seus estudos de um fenômeno bastante conhecido à época: as mesas girantes, que em seções mediúnicas serviam às mais diversas curiosidades. Depois de estudar exaustivamente o fenômeno, Allan Kardec (como muitos outros pesquisadores da época) concluiu que as informações coletadas nessas sessões tinham como fonte pessoas desencarnadas. Desejou, então, dar a esses fenômenos mais que um tratamento sobre uma curiosidade. Imbuído de ideais humanistas, ele compilou uma série de informações, dadas pelos espíritos que se comunicavam através dos médiuns, no uso dessas mesas.
Chico Xavier
Allan Kardec Sua primeira obra foi o Livro dos Espíritos (1857), O Livro dos Médiuns e o Evangelho Segundo o Espiritismo. A Doutrina Espírita, defende a existência e unicidade de Deus, a existência dos espíritos e a reencarnação como princípio de aprendizado e perfeição. Tem o amor e caridade como bens para com o próximo e o gradual aperfeiçoamento de todos, através de sucessivas vidas. No Brasil, grande impulso foi dado pela figura ímpar de Francisco Cândido Xavier, médium nascido em Uberaba e que muito contribuiu com obras psicografadas, ditadas por espíritos diversos.
Taoísmo
Monge Taoísta
Yin - Yang O Taoísmo fundado na China, há cerca de 2.500 anos, tem como Livro principal o Tao te Ching de Lau Tzu, seu fundador. Contém ensinamentos de boa conduta e de como se deve obter disciplina sobre si mesmo, para se alcançar a Paz e Harmonia, bases de uma vida feliz. Tem com princípio criador Universal o Tao, que não pode ser definido, entendido, apenas sentido por aqueles que estão em estado de pureza. O Tao a tudo sustenta, embora invisível. Toda a Criação desdobra-se segundo o Tao, pois Ele é o Princípio, enquanto a Criação é o processo. O Tao é Deus. Os monges taoístas vivem em mosteiros nas montanhas, ou lugares distantes da agitação das cidades, onde meditam e observam o celibato. Viajam, entretanto, entre os vilarejos para levarem os ensinamentos para as demais pessoas, aliviando-lhes assim seus sofrimentos, nascidos da ignorância. Como manifestação do Tao, na formação desse mundo, existem dois princípios complementares, o Yin e o Yang. Tudo que existe é uma combinação desses dois princípios, em diferentes gradações. É no equilíbrio desses dois princípios, que se obtém a harmonia e paz necessárias para se obter uma centelha, da felicidade de estar em consonância com o Tao. Nesse momento, toda a agitação inexiste, toda a miséria se extingue; existe apenas a verdadeira felicidade, eterna e imutável.
Buddhismo
O Buddhismo foi fundado por um príncipe: Siddhartha Gautama. Apesar de desfrutar de todos os confortos em sua vida pessoal, estava insatisfeito, todavia, com o sofrimento das pessoas em Geral. Após meditar por muitos anos sob uma árvore Bho, alcançou finalmente a iluminação (o estado de Buddha), ao entender que todo o sofrimento tem sua raiz no desejo. A eliminação dos desejos (inclusive pela adoção do celibato), levaria a um estado de total independência, total autonomia.
Suas principais Escrituras são o Dharmapada, Tripitaka, Angutara-Nikaya e outras. Hoje está dividido em três seitas principais: Therevada ou Hinayana (Sri Lanka, Tailândia, Burma e Cambodja), Mahayana (China, Japão, Vietnam e Coréia) e o Vrajayana (Tibet, Nepal, Mongólia e parte do Japão). No Japão também se encontra uma divisão bastante interessante, o Buddhismo Zen com suas características bem peculiares. Vale também mencionar o Buddhismo Tântrico, que floresceu no Tibet e tem como autoridade máxima o Dalai Lama. O objetivo da doutrina é o desapego, a eliminação dos desejos, a purificação de todo karma e a entrada do adepto no estado de nirvana, onde cessa toda a agitação, toda a existência nesse mundo impermanente e onde se experimenta toda a felicidade, da não-existência temporária deste mundo. É este o estado de tornar-se iluminado, tornar-se um Buddha.
Hinduísmo
A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada que introduziu o Vaishnavismo no Ocidente. Hinduismo é muito vasto, complexo, pois é mais que uma religião: é um estilo de vida. Ser hindu significa aderir às religiões, tradições e hábitos descritos e ensinados nos Vedas, Escrituras Sagradas. O Hinduismo é a mais antiga das religiões. Sua origem se perde no tempo e pré-existe aos registros históricos. Não tem um fundador, pois os próprios Vedas se definem como (apaurusheya) sem intervenção humana na sua origem. O Hinduismo tem quatro caminhos principais, Vaishnavismo (que adora Vishnu ou Krishna), Shaivismo que tem Shiva como Objeto de adoração, Shaktismo que procura a liberação (moksha) pelo controle e purificação das energias (shaktis) e Smartismo que visa o alcance da liberação com um mergulho no aspecto impessoal do Supremo (Brahman). Os Vedas se dividem em quatro, Rig Veda, Yajur Veda, Sama Veda e o Atharva Veda, além dos Puranas, Upanishads e os Smritis, Srimad Ramayana e Srimad Mahabharata. O Srimad Bhagavad-gita e o Srimad Bhagavatam, são as Escrituras mais estudadas. Muita ênfase é dada ao estudo das Escrituras, adoração nos Templos, meditação, austeridades e o cantar dos Santos Nomes do Senhor. Deus é único embora possa se manifestar em uma infinidade de aspectos e como tal tem infinitos nomes. A Religião Vaishnava procura a purificação através da adoração ao Supremo de forma amorosa (bhakti). Em um determinado estado da vida religiosa, o adepto é encorajado a entrar num estado de desprendimento, adotando os votos de castidade (celibato) ocupando-se no cultivo de conhecimento e renúncia, na busca pelo Amor Eterno por Deus.
Conclusão
Em sua canção "Imagine" o ex-beatle John Lennon exorta-nos a conceber um mundo sem qualquer tipo de religião, no pressuposto de que isso possivelmente traria a paz. Não é a ausência de religião que traria fim aos conflitos entre os religiosos, mas sim a ausência de desrespeito e intolerância para com as diferenças pessoais, de grupos, povos ou nações. Diferenças políticas, de etnias, diferenças de raças e condições socioculturais. Religião é mais um aspecto, dessas diferenças. O verdadeiro respeito é a base da coexistência. Por outro lado, analisemos o zelo e disposição dos "escolhidos" para com a conversão dos diferentes. Ora, qual o religioso ou aquele entre os que crêem, discordaria da declaração de que Deus é onisciente, justo, perfeito e completamente bom? Por Sua onisciência Ele sabe de tudo que aconteceu e de tudo que virá -- sem erros, sem qualquer esforço, sem suposições ou necessidade de empiricismos. Sua justiça se traduz por Sua maior demonstração de amor: Ele nos dotou de livre arbítrio. Sua bondade e compaixão faz dEle o Pai Supremo, o Amigo Supremo, o Amante Supremo. A suprema tolerância e paciência. Ele é Todo-Perfeito, pois tudo que fez, faz ou fará é livre de erros, defeitos e imprecisões. Ele também é a origem de tudo, a causa de todas as causas. E se Ele fez o mundo como é, com os indígenas, os aborígines, os seguidores das religiões de aparência e conteúdo simples, QUEM somos nós "missionários conhecedores da Verdade" para verificar e apontar esses "defeitos" e cheios de prepotência e arrogância querer "mudar ou melhorar" o que Ele permite ou o que Ele criou??? !!! Como podemos supor que a oração de um muçulmano é melhor que a de um judeu? Ou que a bondade de um cristão é superior à de um budista ? Acaso o amor sentido na Europa é superior ao sentido na Índia, ou na China, ou mesmo entre os africanos? Por que então supor que a devoção de um, em relação ao Deus Supremo, é mais verdadeira que a dos outros? Um pai e uma mãe zelosos e amorosos amam seus filhos de maneira igual, sem discriminar entre os que estão na Universidade, estudando Matemática Superior, daqueles que estão no Jardim de Infância, aprendendo com maçãs. O amor não faz distinções !
As mulheres acima, de diferentes etnias, culturas e religiões estão orando ao Deus Supremo. Cada uma a seu modo, segundo suas crenças. Qual delas tem maior devoção? Qual faz a oração correta? Deus sabe! Como uma pai amoroso e imparcial, Ele corresponde . . . sem discriminar. Melhor confiar que Ele está no controle, que Ele sabe o propósito de tudo e que Ele tudo permite. A nós, cabe apenas orientar aqueles que nos pedem direção, mas, sem lhes impor nossas crenças, sabendo que todos trilham um caminho e que esses caminhos, ao final, convergirão todos a um só destino: uns mais rápidos, outros mais lentos. Não há nenhum outro destino a se ir. Pois Ele é o centro gravitacional de tudo que existe. Ele é a Unidade subjacente à todas as operações, a todos os eventos pessoais ou universais. Ele é a fonte de todas as variedades, de todas as Religiões e de todos os caminhos. Ele é o Supremo Destino.
"O oposto de um fato é a falsidade. Mas o oposto de uma verdade profunda, pode bem ser outra verdade profunda" Niels Bohr, físico dinamarquês
Recife, 12/ 07/ 2006
J.R. Araújo e-mail - zecaro108@yahoo.com.br
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