Poesias

Uma  Rosa  no  Penhasco

                                                          J. R. Araújo

 

 

Nascida  na  fenda  de  um  rochedo, 

sob  si  apenas  o  vazio.

Tolerante  ao  escaldante  sol  do  dia

e  ao  cortante  frio da  noite.

Ninguém  a  lhe  admirar  a  forma,

ou  seu  perfume  por  demais  sutil.

De  si  jamais  se  saberia 

e  este  era  o  pior  açoite.

Talvez  um  dia  alguém viesse vê-la.

Um  passarinho,

quem  sabe  uma  borboleta...

que  certamente  a  todos  contariam

de  seu  perfume,  de  sua  beleza...

Ah  !   Mas  que  tristeza 

a  de  viver  sozinha ...

não  ter  alguém  com  quem  compartilhar

seus  sentimentos,  toda  sua  vida,

o  seu  carinho,  a  sua  alegria... 

 

Assim  se  quis  fazer  o  seu  destino ...

se  conformara  sem  mesmo  entender

que  o  Universo  por  demais  sentia

( mesmo  solitária  à  beira  de  um  penhasco... )

a  influência  de  toda  sua  nobreza,

de  seu  amor... gentil  sabedoria.

 

 

Recife, 

27/01/2002                                                                   Voltar