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Se me vestisse de poeta
J.R. Araújo Se me visse de repente um autodidata Cantaria o som do Sol e do luar. Teria como único amigo o mar, Contestaria a sociedade tecnocrata . . . E levaria uma vida de mistério, Sem me importar em escrever o que se sente E forçaria um semblante um tanto sério E me envolveria numa aura intransigente.
Diria viver um intenso amor . . . Um amor sem trégua ( e por ele sofreria ) Compraria roupa de poeta E rimaria água com égua . . . ( em exagero e simetria ). Dissecaria o sofrimento do passado, Elevaria o bem, mais que o mal . . . E no espelho me veria irreal Sem acreditar ser um poeta fracassado.
Recife, Junho 1974 |