|
|
Página Inicial Voltar para Ciências
Singularidade e Buracos Negros
Singularidade
No estudo das Funções Matemáticas, freqüentemente nos deparamos com funções com um comportamento peculiar. Quando as variáveis se aproximam de um determinado valor, essas funções tendem rapidamente a valores muito grandes tendo o infinito como limite.
Suponha
uma função do tipo Y = f (x) = -
1 .
x2
Tabela para valores da função acima
À medida que a variável “x” se aproxima de
zero, pela direita ou pela esquerda, isto é, para valores positivos ou
negativos, a função, tendo um denominador cada vez menor, assume
valores cada vez maiores, sempre com um sinal negativo conforme tabela ao lado.
Assim a função se aproxima rapidamente de infinito negativo, embora nunca
assuma exatamente esse valor, mas o tenha como limite. Funções que
apresentam esse tipo de comportamento são funções singulares
e o ponto onde
x =
0
é chamado de uma singularidade. A importância de funções singulares
é que elas se prestam muito bem para a descrição de alguns fenômenos físicos,
notadamente os que envolvem equações de potenciais elétricos ou
gravitacionais. Os valores negativos, ou o gráfico com singularidade
para baixo, indica, em física, que o potencial é de atração como no caso de
forças gravitacionais.
O gráfico referente à tabela acima é dado a seguir:
Notemos como no eixo (+Y,-Y) o gráfico tende para valores "negativo infinito" ou (-y) quando x se aproxima de zero, pela direita (+x) ou pela esquerda (-x).
Densidade
Todo corpo é constituído de matéria e esta ocupa um lugar no espaço, denominado volume. À quantidade de matéria num determinado volume chama-se densidade. Portanto, quanto mais matéria num determinado volume, dizemos que mais denso é o corpo. Se tivermos um quilograma (1 Kg) de algodão e chumbo, veremos que o algodão ocupa um volume maior. O chumbo se nos parecerá “mais pesado” embora tenham a mesma massa (1 Kg). Na verdade o chumbo é mais denso ou mais compacto, pois ocupa a mesma massa que o algodão em volume menor e isso nos dá a impressão do chumbo ser mais pesado. Sabemos que um edifício por ter uma enorme massa é também muito pesado. Lembremos que “peso” é a força com que a gravidade da Terra atrai a massa dos corpos. Assim próximo à superfície da Terra, quanto maior a massa de um corpo, maior será o seu peso.
Um
edifício não é um objeto muito compacto. Há muito espaço vazio entre
os cômodos dos seus andares, entre suas paredes, pisos e tetos devido à
porosidade dos materiais que o compõem e os pequenos espaços não preenchidos
entre esses materiais etc. Suponha que pudéssemos compactar todo o edifício,
eliminando todos esses espaços, porosidades e vazios, de tal maneira que o edifício
ficasse do tamanho de uma bolinha de ping-pong como na figura ao lado.
O edifício, todavia, embora pequeno, teria a mesma massa que antes
e, por conseguinte o mesmo peso. Ninguém o conseguiria levantar! Na
verdade, nossa bolinha (edifício) teria todo seu peso aplicado sobre uma
pequena área do solo, exercendo assim uma pressão tremenda e faria, no solo,
um buraco profundo! A densidade ou o peso, nesse caso, assemelhar-se-ia
à uma singularidade. Espaço
nos átomos
O atual conceito da Física Quântica, afirma que os elétrons circulam o núcleo dos átomos em órbitas e energias bem definidas. O átomo de Hidrogênio é o mais simples, composto de um elétron, de carga negativa, circulando um próton, positivo, no seu núcleo. O núcleo dos átomos dos demais elementos é composto de prótons e nêutrons, estes sem carga elétrica. No caso do átomo de Hidrogênio, o elétron circula o próton a uma distância de 0,0000000079 cm ou em notação científica, 0,79 x 10– 8 cm.
Para
se ter uma idéia, suponha
que, tomando o Hidrogênio como modelo, fizéssemos um elétron do tamanho de
uma cabeça de alfinete. O próton seria da ordem aproximada de 1,40 m (um metro e
quarenta centímetros) e estaria a uma distância (
R
) de quase oito quilômetros do
elétron. Essa distância aproximadamente duplica
para os átomos com muitos elétrons.
Há, portanto, muito espaço vazio nos
átomos. O mesmo ocorre no interior do núcleo, com muito espaço
vazio entre os prótons e os nêutrons. Imagine se no caso do edifício, além de compactar os espaços
vazios, como descrevemos acima, ainda eliminássemos o espaço dentro dos átomos
e dos núcleos. O volume do edifício ficaria microscópico !!! Curvatura
do Campo Gravitacional e
Singularidade
Quando um corpo tem uma enorme quantidade de massa, a Teoria Geral da Relatividade (TGR) de Einstein prevê uma distorção no campo gravitacional nas proximidades desse corpo. Essa distorção ou curvatura do campo gravitacional (espaço-tempo) em torno do objeto é tanto mais acentuada, quanto maior for a massa ou densidade do corpo.
Podemos
entender essa idéia, tomando como exemplo uma rede em duas dimensões como
mostrada na figura ao lado, representando o campo gravitacional. Ao
passar muito próximo à singularidade, um corpo é atraído e precipita-se em
direção ao centro. Vemos também que mesmo passando pelas vizinhanças
de uma singularidade, se um corpo tem uma grande velocidade, ele pode escapar à
força de atração formada pelo potencial gravitacional. Embaixo, temos a representação do espaço-tempo na
ausência de qualquer matéria (A). Neste caso não há qualquer deformação no
espaço-tempo, pois nenhuma massa existe capaz de deformá-lo. Nas
vizinhanças de uma estrela massiva (B), ocorre uma deformação no espaço-tempo causada pelo
campo gravitacional da estrela. Na
presença de um buraco negro (C) ocorre uma verdadeira singularidade
devido à força gravitacional desse objeto causada pela sua imensa
densidade (massa).
Um interessante efeito por demais conhecido é chamado de “Lentes Gravitacionais” e ocorre quando um corpo de grande massa, relativamente próximo da Terra, passa, em seu trajeto, entre nosso planeta e uma estrela ou galáxia distante.
Os
raios de luz, provenientes dessa estrela ou galáxia, são desviados pelo corpo
massivo, pela deflexão causada por sua força de gravidade
ou em outras palavras, sua distorção do espaço-tempo. A
imagem observada da estrela ou galáxia distante é significantemente ampliada,
por isso este fenômeno recebe o nome de lente gravitacional.
John Michell, em 1783,
usando as Teorias Corpuscular da Luz e da Gravitação Universal, ambas de Isaac
Newton, chegou à conclusão de que
uma estrela com a massa de 500 vezes a massa do Sol, poderia exercer uma força
de atração gravitacional sobre um determinado objeto, de tal forma que este só
escaparia à ação dessa força se
tivesse uma velocidade maior que a
da luz. Michell denominou uma estrela com esse comportamento de
“estrela negra”, visto que não emitiria luz. Trabalhando
independentemente, a mesma conclusão foi obtida
por Pierre Laplace em 1796. Somente em 1918, a Teoria Geral da
Relatividade de Einstein predisse que
objetos massivos e em rotação arrastam
o espaço e
o tempo
em torno
dele à
medida que
giram. Em 1997, a
NASA efetuou experimentos com equipamentos em espaçonaves encontrando evidências
que apóiam esse efeito. Em Novembro de 1915, Einstein publicou o artigo “As Equações do Campo Gravitacional” contendo as equações que viriam compor sua Teoria Geral da Relatividade. Imediatamente após a publicação, Karl Schwarzschild (1873-1916), um físico matemático alemão, encontrou as soluções dessas equações que correspondem ao campo de gravidade de um objeto massivo e compacto, fato esse que causou surpresa ao próprio Einstein, que em carta a Schwarzschild declarou: eu não esperava que alguém pudesse formular as soluções exatas do problema de uma maneira tão simples. Em termos gerais e usando a teoria dos tensores, a equação proposta por Einstein é dada pela expressão :
|