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Aeronaves na Antiguidade J. R. Araújo
Se o homem tivesse se convencido de que voar é com os pássaros, sequer teria sonhado em ser ele mesmo um pássaro, enquanto homem. Felizmente esse não foi o caso. De tanto sonhar, conseguiu voar, muito além do que imaginou ! Vem de muito longe, no tempo, esse sonho de voar. Quando o sonho se tornou realidade? Não sabemos ao certo, embora sonho e realidade se confundem na história do homem-pássaro. Modernamente se credita o primeiro vôo de um objeto mais pesado que o ar ao nosso Alberto Santos Dumont. Será que isso foi realmente assim ? Existem muitos relatos e registros de máquinas voadoras em diferentes culturas na antiguidade. Encontramos referências entre os indianos, chineses, tibetanos, incas, sumérios, egípcios, judeus e muitas outras culturas. Algumas representações e descrições são por demais realistas para que pensemos serem obra da imaginação muito fértil dos relatores e artistas de então. Entre os Incas da América do Sul, foram encontrados objetos confeccionados em ouro que a princípio pareciam figuras zoomórficas. Entretanto, numa análise mais cuidadosa, poderíamos perguntar: que tipo de animais são estes? Existiria algum pássaro com a cauda levantada na vertical ? Em verdade, esses artefatos muito se assemelham às aeronaves modernas; seja na disposição das asas, no formato vertical da cauda, no desenho de inconfundível aerodinâmica e até no que parece ser a cabine de um só piloto. Não é razoável, portanto, supor que esses sejam pássaros estilizados.
O conhecimento dos Incas é admirável. Construtores de pirâmides sofisticadas que bem mostra o quanto conheciam de geometria, com sofisticados sistemas de medidas, arquitetura e engenharia. Tinham conhecimentos de astronomia e entendiam os movimentos da Terra em relação ao Sol, o que permitiu que elaborassem um calendário bem preciso que muito os ajudava na agricultura. Por tudo isso, podemos deduzir que eram um povo por demais prático e que, ao que parece, não eram afeitos a eventuais perda de tempo. Os Incas, portanto, sabiam muito bem o que estavam fazendo, ao esculpirem figuras que mais se assemelham a objetos voadores.
Quanto a esses objetos, ninguém sabe ao certo a data em que os Incas os confeccionaram, muito menos o que os inspirou. Não há indícios de que estejam relacionados com algum ritual ou culto religioso. O que se sabe, todavia, é que existem objetos que representam pássaros, fabricados pelo povo Inca, e que em nada se parecem com os objetos acima. Na verdade eles sabiam muito bem como modelar uma ave, como bem demonstra o tucano ao lado.
No Templo do Novo Reino situado a alguns quilômetros ao sul do Cairo, Egito, cuja construção data de aproximadamente 3.000 anos, existem intrigantes gravuras, entalhadas nas paredes de pedra, retratando máquinas voadoras cuja semelhança com aeronaves modernas não as deixam passar desapercebidas. O mural hieroglífico, talhado na pedra, situa-se no alto, próximo ao teto, o que de certa forma o resguardou da curiosidade e proximidade daqueles menos cuidadosos. A localização do mural abaixo, no ambiente do Templo do Novo Reino 1 pode ser vista ao clicar no link.
Entalhe em uma das paredes de pedra de templo egípcio
Destacamos embaixo algumas das gravuras do mural do templo, comparando-as com aeronaves modernas. A semelhança é tão grande que dificilmente alguém permaneceria indiferente a essas possíveis máquinas do passado.
Helicópteros Aviões a jato-propulsão
Modernas aeronaves O que seria isso ?
Na China as descrições de veículos voadores remontam aos primórdios da história dessa que é uma das mais antigas civilizações. As máquinas voadoras são descritas como sendo confeccionadas de madeira leve e impulsionadas por meios mecânicos, embora ainda desconhecidos dos pesquisadores. Existem descrições de aparelhos onde "um conjunto de espadas ou lâminas" são acopladas e giram em altíssima velocidade fazendo com que "o pássaro" possa levantar vôos e viaje por longas distâncias. Embora não exista menção da peça motriz em si mesma, ou o motor, não resta dúvidas de que essas são descrições de um aparelho fabricado com a clara intenção de voar. É relevante notar que embora sejam narrativas que se assemelhem a fábulas ou estórias, contêm, não obstante, não apenas relatos da praticidade desses aparelhos em pleno vôo, mas freqüentes e interessantes instruções de como construí-los 2. Registros semelhantes existem na literatura da Coréia. Um dos textos narra um inventor chamado Jung Pyung Goo que criou um aeroplano dotado de hélices que giravam na parte de cima do seu aparelho, o qual podia viajar a longas distâncias e era capaz de levantar e baixar vôos na vertical à semelhança dos modernos helicópteros. Ele o construiu com base em instruções contidas em documentos antiquíssimos e utilizou seu invento durante a Guerra Im Jin (entre a Coréia e o Japão em 1592-1597) para libertar um amigo que corria perigo e era prisioneiro no Forte Jin Joo, resgatando-o e levando-o a salvo para um local situado a 48 Km de distância 3.
A Suméria foi uma das mais bem sucedidas civilizações da antiguidade. Situada na região que mais tarde seria conhecida como Mesopotâmia (atual Iraque). A civilização sumeriana teve início em torno de 4.500 anos a.C., atingindo o ápice cultural em torno de 3.000 a.C. Floresceu entre os rios Tigre e Eufrates, que lhes garantia terras férteis, no que puderam aproveitar no desenvolvimento da agricultura. Foram inventores da escrita cuneiforme, provavelmente um dos primeiros sistemas de registro. Tinham conhecimentos de Astronomia, baseados na observação, tendo reconhecido os cinco principais planetas, distinguindo-os das estrelas. Encontramos também referências entre os sumérios sobre máquinas voadoras, nos relatos das visitas de deuses e seres superiores. Embaixo, vemos um entalhe sobre pedra narrando a visita de Ea In, que descendeu dos céus numa aeronave.
No detalhe, vemos uma comparação entre a nave retratada no mural com um moderno avião a jato. Entre os judeus, não podemos esquecer o estranho episódio narrado no Antigo Testamento (Quarto Livro dos Reis), em que Elias foi arrebatado numa carruagem de fogo com cavalos de fogo e que subiu, levantando um imenso redemoinho. Ezequiel (1, 4-28) teve a visão de um globo de metal, brilhante, envolto numa nuvem como um redemoinho e que emanava fogo. Viu também umas "rodas brilhantes" que emanavam luz azulada (da cor do mar) e que tinham dentro de si outras "rodas menores" feitas de metal que giravam continuamente; tinham uma grandeza e altura nunca visto antes e tinham muitas lamparinas e muitos olhos em todos os seus lados (seriam janelas ?). Essas rodas pairavam acima de quatro objetos metálicos móveis que o profeta os compara com animais. Quando esses moviam, as rodas os acompanhava, quando os "animais" paravam, as rodas também paravam. Tudo brilhava como se fosse um cristal de brilho inigualável e (ao moverem-se) faziam um som como de muitas águas, ou como o murmúrio de uma grande multidão.
De todos os relatos antigos sobre a
ocorrência de máquinas voadoras em passado remoto, nenhum se compara com as
referências à Índia. Os Vedas, antigos tratados filosóficos e religioso da Índia
antiga, estão repletos de narrações sobre essas máquinas
voadoras. O termo utilizado é No Rig-Veda, o mais antigo dos textos védicos e a mais antiga escritura conhecida, há uma referência à chegada de Vata ou Vayu o semi-deus do vento.
Olhe a
grandeza da carruagem ( Irrompendo ela vai, Como um trovão é seu ruído, que toca aos céus e produz uma luz brilhante (um clarão avermelhado) num turbilhão de poeira sobre a terra. --- Rig-Veda
O Mahabharata, o Ramayana e o Srimad-Bhagavatam, que estão entre as Escrituras Sagradas mais reverenciadas da Índia, estão repletos de descrições várias sobre essas aeronaves. São descritas desde naves de transporte individual (para um só passageiro) até estruturas mais complexas compreendendo muitos andares e algumas são descritas como pequenas cidades. Umas, ao se moverem, fazem um barulho de trovão com descarga de fogo e fumaça, enquanto outras aeronaves produzem um som melodioso sem emissão de fogo e gases, e outras ainda são completamente silenciosas. Um comentário sobre Ayodhya, a capital do reino do Senhor Ramachandra, é reproduzido a seguir: "As sete maiores cidades do Reino
do Senhor Rama, eram conhecidas como 'As sete cidades dos Sábios'. De
acordo com os textos antigos indianos, as pessoas tinham máquinas voadoras
denominadas No Srimad-Bhagavatam entre inúmeras citações encontramos a seguinte passagem: "Certa vez, enquanto o Rei Citraketu estava viajando no espaço exterior em um brilhante e refulgente aeroplano que lhe foi presenteado pelo Senhor Vishnu . . . " 5 --- Srimad-Bhagavatam Sexto Canto , Parte 3 O Mahabharata descreve o aeroplano pertencente ao malévolo Salva, feito de ferro e que podia viajar a grandes velocidades, pairar, mover-se em qualquer direção em zig-zag, causar a ilusão de ser muitos ou ficar completamente invisível. Os
O Droanaparva
descreve um tipo de
No Samarangana
Sutradhara, diversos tipos de aeronaves são mencionadas com detalhes acerca
de seus usos e construções. Nesse tratado, a palavra
Os
Abaixo mostramos desenhos feitos em
12/02/1923 por T. K. Ellapal, em Bangalore, segundo instruções de Subbaraya
Bastry Pandit que traduziu e estudou textos relacionados aos
Clique nas imagens abaixo para ver os desenhos 6
Rukma-
Notemos que à época em que os desenhos foram
feitos, em 1923, estávamos ainda muito distantes da década de 60, quando
teve início a exploração espacial moderna em que o projeto Gemini e Apolo usavam
cápsulas espaciais de formato cônico para facilitar a reentrada na
atmosfera terrestre. O desenho do Shakuna-
Outros textos védicos antigos fazem
claras referências às aeronaves do passado. O Kautilya-Astrashastra
menciona várias classes de homens de negócio ou tecnocratas, entre eles os
kaubhikas "capazes de conduzir aeronaves com muita habilidade". Outro
termo significativo é akasha-yodhinah que signica "aquele que pode lutar
do céu". No Yuktikalpataru de Bhoja (300 a.C), nos versos 48-50, há
uma clara menção aos
Muitos desses textos eram
guardados no maior segredo, pois a tecnologia dos
Essas aeronaves eram dotadas de conjunto de lentes e espelhos especiais, que criavam a ilusão de que uma única nave parecesse ser um grupo de muitas, de parecerem paradas quando estavam em fuga ou de parecerem estar em movimento quando estivessem paradas. Às vezes podiam desaparecer por completo, saindo do campo de visão de qualquer potencial agressor, simulando truques de invisibilidade. Antes da eclosão da Segunda Guerra
Mundial, sabe-se que especialistas alemães visitavam com freqüência a
Índia e o Tibet, sempre a procura de textos relacionados com tecnologias da
antiguidade. O mesmo interesse foi despertado em especialistas soviéticos,
durante o período da guerra-fria, com finalidades de pesquisar tecnologias
referentes aos
As partes mais interessantes dos
tratados originais relacionados aos
Templos Hindus com suas
Parece que não há muita novidade, nos tempos atuais. Pelo menos, nada do que não
se tenha pensado antes. Assim como o termo nave, que se refere a um objeto de
navegação moderno, na verdade provém de um termo igualmente empregado em tempos
remotos ( É realmente muito bom olhar para o passado e perceber que muito da tecnologia da qual dispomos hoje parece ter sido, em algum momento, bastante comum. Pelo menos isso nos retira um pouco da vaidade e arrogância por sermos capazes de dominar tecnologias avançadas. Por outro lado, podemos imaginar que a civilização humana parece caminhar em círculos: criando e recriando, descobrindo e redescobrindo, conhecendo e esquecendo as coisas que nos facilite a existência. Isso não significa dizer que não somos realmente criativos, originais. Significa sim, que em todos os momentos em que estivermos diante de desafios, podemos encontrar soluções. As soluções podem ser semelhantes, em essência, mas diferentes nos detalhes; isso porque, estamos sempre diante dos mesmos desafios, dos mesmos obstáculos, não importa se estamos numa situação de utilizarmos nossos poderes intuitivos ou racionais. O que realmente importa é que tenhamos consciência de nossa incrível capacidade de inventar ou construir aquilo que nos sobrevém em sonhos.
Recife, 28/09/2006
Referências e Créditos
2- Dr. Benjamin B. Olshin, "Mechanical Mythology: Private Descriptions of Flying Machines as Found in m.mEarly Chinese, Korean, Indian, and Other Texts" 3- Kwon Tokkyu, em um texto coreano de 1923 4- D. Hatcher Childress, "Ancient Indian Aircraft Technology Anti-Gravity Handbook" 5- A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, "Srimad-Bhagavatam, Publicado pela BBT - Los Angeles, 1975" 6- Imagens originalmente publicadas no site -- www.atributetohinduism.com
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