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                  A  outra  vida  de  um  vira-latas

                                                                                             J. R. Araújo

 

 

Na  década  de  70,  um  indiano  muito  famoso,  Dr. Barnnejee, era  professor  universitário e  pesquisador  em  Parapsicologia,  sendo  presidente da  Sociedade  de  Parapsicologia  da Ìndia.  Ele  veio,  salvo  engano,  umas duas  vezes  a  Recife  e  suas  palestras  eram  de  muito sucesso, pois ele sempre  narrava  muitas histórias  sobre  reencarnação.  Essas  histórias  eram objeto  de  estudos  exaustivos e  ele    as  divulgava  como  casos  sugestivos de Reencarnação  após  ter  certeza  de  que  nenhuma  das  possíveis  explicações  se  aplicava aos  casos  estudados. Certa  vez  ele  narrou  uma  história  interessante . . .

         Uma  família  morava   num  vilarejo  no  interior,  na  Índia.  Atrás  da casa,  a uma  distância  de  uns  50  metros,  passava  a  linha   do  trem  e  após esta,  começava  uma  floresta.  A  família  costumava   reunir-se  aos  domingos, após  o almoço, nesta  área  do  quintal,  pois  era  muito  agradável.

 

 

Eles  tinham  um  cachorro, vira-latas  de  pêlos compridos, preto-e-branco,  com um  lado  da  cara  em  branco  e   um  círculo  preto   em   torno do   olho  e outro  lado  completamente   preto.  Este   animal   gostava   de atravessar correndo  quintal,  a  linha  do  trem   e  adentrar   na  floresta,  retornando horas  depois  ou  mesmo   no   outro   dia. Um  dia,  ao  tentar atravessar  a   linha do  trem  foi  atropelado,  tendo   tido  a  cabeça  decepada. Toda   família   ficou triste, especialmente  as  crianças.

O  tempo  passou,  as  filhas  e  filhos  mais  velhos  casaram,  os  netos  vieram  e   todos   haviam  esquecido  o  incidente... Numa  tarde  de  domingo, seguindo  o  costume  familiar, todos  estavam  na  área  do  quintal  quando alguém  notou,  do  outro  lado  da  linha  do  trem, um  cachorro,  muito parecido  com  que  eles  tinham  tido.  Ele  ficava  parado,    olhando em direção   a  casa.  Era  pouco  mais  que  um  filhote,  talvez  com  seis  meses  de  vida. Alguém  foi  lá, pegou-o  e  trouxe-o  para  o  meio  da  reunião familiar. 

 

 

Todos  ficaram impressionados   com  a  semelhança  entre  este animal  e  aquele  do  passado.  As  novas crianças  da  família  (os  netos) decidiram  ficar  com  ele.  Era  impressionante  como  ele  tinha todos  os hábitos  do   antigo  animal.  Dormia  no  mesmo  lugar  que  aquele, no  alpendre  da casa à  noite ou  embaixo  de  uma árvore  durante  o  dia.  Fazia  os  mesmos  trejeitos  e  até  as mesmas  brincadeiras  que  o  outro  animal.  Não  demorou  e  logo  foi  notado  que  ele   tinha uma  enorme  marca,  como  se  fosse  uma cicatriz,  circular,  em  torno  do  pescoço. Ele sempre  cruzava  o  quintal  em  direção  à  floresta,  mas  parava  de  súbito  na  linha  do  trem e nunca atravessava-a  por  si  mesmo, inclusive  após  tornar-se  um  animal  adulto. Apenas cruzando-a quando  alguém  o  carregava  para  o  outro  lado,  e  com  isso,  ele  ficava  muito alegre.  Entrava  na  floresta  e  voltava  ( como  antes )  horas  depois  ou   no  outro  dia. Mas quando  voltava,  ficava  do  outro  lado  da  linha  do  trem . . .  Ele  nunca  a  cruzava.  Era preciso  que  alguém  fosse  carregá-lo.  Todos  entendiam  que  ele  era  o  animal  antigo  que retornava  ao convívio  da  mesma  família;  conceito  este  visto  com  naturalidade  entre indianos.

O  Dr.  Barnnejee  não  apenas  soube  da  história,  como  foi  ao  vilarejo, entrevistou  as  pessoas  da  família,  os  vizinhos   e  conheceu  o  animal,  antes que  este  morresse,  dessa  vez  pacificamente, de  velhice . . .

 

Recife,

15/ 02/ 2003     

 

J.R. Araújo

e-mail - zecaro108@yahoo.com.br

                                                                

Pessoalmente eu nunca fui a quaisquer das palestras do Dr. Barnnejee (fato esse que, hoje, lamento muito). Entretanto, minha mãe  assistiu a todas as palestras do eminente pesquisador, em nossa cidade, e isso nos rendia, por  dias  a  fio, interessantes  e  demoradas  conversas.

 

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