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Mistério na Neve J.R. Araújo
Existem inúmeros relatos dando conta da existência de uma criatura humanóide, de grande estatura, que habita tanto as áreas florestais quanto nevadas da cordilheira dos Himalayas em territórios do Nepal, Tibet e Butão. Muitos desses relatos são de moradores locais, embora ocidentais também tenham tido alguma visão da criatura.
Monte Everest ponto culminante dos Himalayas Num artigo publicado em 1832 no Jornal da Sociedade Asiática de Calcutá, B.H. Hodgson escreveu que, em expedição no norte do Nepal, seus guias sherpas viram uma enorme criatura bípede. Hodgson pessoalmente não o viu, mas concluiu tratar-se de um orangotango, apesar da descrição dos guias indicarem um animal de estatura muitíssima maior. O relato mais antigo sobre pegadas foi feito em 1889, no livro "Entre os Himalayas" de autoria de L. A. Waddell, onde ele informa ter encontrado pegadas deixadas na neve, mas que eram muito grandes para que pudessem ser consideradas como tendo sido feitas por algum primata conhecido. Em 1921, o tenente-coronel Charles Howard-Bury comandou a "Expedição de Reconhecimento do Everest" patrocinada pela Royal Geographcal Society, respeitável instituição da Grã-Bretanha. Ele descreveu os eventos num livro intitulado "Monte Everest: O reconhecimento" publicado no mesmo ano. Nesse livro, ele relata que na local conhecido como Lhakpa-la, a 6.400 m de altitude, ele encontrou pegadas na neve e os guias locais contratados (sherpas) lhes falaram sobre o "homem selvagem das neves", como possível responsável pelas pegadas encontradas. Horward-Bury, preferiu achar que se tratasse de pegadas de um tipo de lobo local. As pegadas, todavia, eram de tamanho incomum, ele reconheceu. No livro Monte Everest (1938), H.W. Tilman também faz referências a relatos sobre visões dessa criatura.
Molde em gesso de uma pegada de Yeti A medida que mais ocidentais começaram a viajar pelos Himalayas, mais relatos foram aparecendo. No ano de 1925, N. A. Tombazi, fotógrafo e pesquisador da Royal Geographical Society, disse ter visto uma criatura, próximo ao Glacier Zemu. Ele a viu por cerca de um minuto e a descreveu como segue: " . . . de forma inquestionável, os contornos da figura eram como um ser humano, andar ereto, às vezes parando para arrancar touceiras de pequenas plantas. De aparência escura, em contraste com a neve, não usava qualquer vestuário, pelo que pude observar". Ao descer a montanha, duas horas depois, Tombazi e seu grupo encontraram pegadas muito semelhantes a de humanos. A partir de 1950, devido a muitos excursões para subir o Everest, os visões se tornaram freqüentes. Eric Shipton, em 1951, conseguiu fotografar muitas pegadas deixadas na neve numa altitude de 6.000 metros. Objeto de muita análise, essas fotos são consideradas a melhor evidência sobre o assunto. Na expedição de 1953, o neozelandês Sir Edmund Hillary e seu ajudante tibetano Tenzing Norgay foram os primeiros a conquistar o pico do Everest. Nessa ocasião, eles relataram terem vistos muitas pegadas na neve. O próprio Hillary tomou parte na expedição de 1951 comandada por Shipton. Apesar da aparência assustadora, não existe relato de qualquer ataque a pessoas por parte da criatura. Pelo contrário, muito arredia, mantém-se sempre distante, parecendo até mesmo temer os humanos. Discretamente curioso, está sempre na espreita, como que seguindo os grupos nas expedições sem ser notado e, ocasionalmente, age como se permitindo ser visto. Apesar disso, na região dos Himalayas, recebeu a denominação de 'Abominável Homem das Neves' que parece não combinar bem com seus hábitos.
Há relatos de seu aparecimento em várias partes do mundo e, em todos esses lugares, recebe nomes diferentes. Nas regiões da cordilheira dos Himalayas, no Tibet, Nepal e Butão, recebem nomes tais como Yeti, Jo-bran, Kang Admi, Mirka, Migoi, Dzu-teh, Meh-teh. Nos Estados Unidos, principalmente nas regiões próximas a Costa do Pacífico, e ao sul do Canadá, na Columbia Britânica e em Ontário é conhecido como Bigfoot (pé-grande) ou Sasquatch. Ocorre também nas matas da Austrália onde é conhecido pelo nome Yowie, em regiões remotas da Malásia e no outro lado dos Himalayas em território da China.
Mapinguari da Floresta Amazônia No Brasil, na floresta amazônica, nos estados do Amazonas, Pará e Acre, muitas visões têm sido relatadas por indígenas, seringueiros, garimpeiros, exploradores e guias da floresta, onde recebe o nome de Mapinguari. As descrições ora o identificam como um primata, ora à semelhança de uma preguiça gigante. Nos Estados Unidos, o fenômeno sempre chamou muita atenção. Desde muito cedo que se ouvem relatos dos índios ou de colonos com atividades ligadas à floresta. Em artigo publicado no dia 31 de Dezembro de 1885, o jornal The Morning Appeal, de Carson City, no estado de Nevada, trazia em destaque a manchete 'Homem Selvagem nas Montanhas' narrando avistamentos de caçadores e madereiros nas florestas daquele estado. Em 1958, contudo, houve um aumemto de interesse em relação aos Sasquatch. Jerry Crew, e seu grupo de trabalho faziam excavações na localidade de Humboldt County, na Califórnia, quando encontraram várias pegadas que se assemelhavam a pegadas humanas, exceto pelo enorme tamanho. Eles fizeram moldes em gesso de algumas dessas marcas deixadas no solo e ao divulgar as fotos em um jornal local, o nome 'Pé-Grande" foi utilizado pela primeira vez. Logo apareceram, como ainda hoje, diversos avistamentos em Washington, Califórnia, Oregon, Ohio e até no Texas, embora a maior parte das aparições sejam na região noroeste, na Costa do Pacífico. O assunto é um verdadeiro quebra-cabeça para a Criptozoologia, ramo da ciência que estuda animais extintos ou ainda desconhecidos. Criptozoologia, embora imbuída com todo o rigor científico, procura vestígios de espécies desconhecidas entre lendas e estórias de povos nativos em regiões remotas do mundo. Tem por objeto identificar a existência de animais tanto considerados extintos, quanto ainda desconhecidos. Tomemos dois exemplos:
Ceolacanth fóssil (acima) e atual (abaixo) 1. O Coelacanth, peixe conhecido apenas como fóssil, era considerado um animal pré-histórico, extinto desde o período Cretáceo, o mais longo dos períodos na escala geológicas, que durou entre 145 a 65 milhões de anos atrás e que sucedeu ao Jurássico. Os cientistas pesquisavam as possíveis razões e o período aproximado em que foram extintos. A partir de relatos de nativos, foi encontrado um espécime vivo, na Costa da África, em 1938. Antes disso, pouquíssimos cientistas admitiam ou acreditavam nesses relatos. Desde então, vários foram encontrados, e esse tipo de peixe equipado com mandíbulas deixou de ser considerado uma espécie extinda. O estranho animal de Baltimore 2. Em Julho de 2004, os noticiários de TV americanos divulgaram um vídeo feito por um amador, mostrando um animal desconhecido, que apareceu nas redondezas de Baltimore, cidade do estado de Maryland. O corpo lembra o de uma hiena, embora a cabeça pareça com a de um coyote. Logo o estranho animal foi apelidade de hyote, não sendo, todavia, nenhum desses animais, nem um possível cruzamento entre eles. Esses dois exemplos demonstram que nem sempre a ocorrência de uma espécie de ser vivo é totalmente conhecida. Como poderia um peixe sobreviver desde períodos pré-históricos sem aparente mudanças significativas em sua morfologia ? Criptozoologia é uma ciência importante, bem como o são seus métodos não ortodoxos de levantar informações. Quanto à criatura humanóide, os especialistas acham que talvez não se trate de uma mesma espécie espalhada por todo o mundo, mas de espécies correlacionadas. Poderia também ser um sobrevivente direto desde os tempos pré-históricos ? Somente o tempo dirá. O yeti é um animal de grande porte e corpo peludo, semelhante a um primata. Na América do Norte, aparece nas florestas temperadas que ficam cobertas pela neve durante os meses de inverno e, como vimos, nas geleiras dos Himalayas a altitudes acima de 4.000 metros, embora também seja visto nas florestas situadas ao pé dessa cordilheira.
Representação e montagem artística de um sasquatch Como o assunto envolve mistério e incertezas, muitos oportunistas inescrupulosos se aproveitam para inventar estórias, manipular fatos, misturando-os a lendas e relatos duvidosos. Fotografias do animal, de pegadas, filmes e até sons gravados são apresentados como provas da existência dos sasquatch, embora não resistam à uma investigação mais séria, sob o crivo da pesquisa científica. Tais "evidências" fraudulentas, estranhamente, ganham freqüente cobertura da mídia sensacionalista. Enquanto isso, trabalhos de pessoas responsáveis que devotam anos de pesquisa séria ao assunto, são, no mais das vezes, completamente ignorados ou, pior ainda, confundido com a bobagem dos não comprometidos com a verdade. Entre muitas pessoas sérias, podemos citar o pesquisador do fenômeno sasquatch, Loren Coleman que é bastante conhecido e respeitado. O professor de anatomia Jeffrey Meldrum da Idaho State University encontrou, fotografou e confeccionou os moldes de 40 a 50 pegadas do animal. Ele examinou, em primeira mão, as pegadas ainda frescas na localidade próxima a Floresta Nacional de Umatilla em Walla Walla, Washington. Ele conseguiu analisar cerca de 40 pegadas bem nítidas, impressas na lama de uma trilha. As pegadas mediam aproximadamente 35 cm de comprimento por 13 cm de largura, enquanto as passadas variavam entre 1,00 e 1,30 m.
Pegada 01 Pegada 02
Temos ainda Kathy Strain, arqueóloga e antropóloga, com mestrado na área, e que trabalha na reserva federal da Floresta National Stanislaus na Califórnia, onde pesquisa e define áreas de preservação arqueológica de índios nativos, sendo também coordenadora de assistência para a tribo Me-Wuk. Dedica-se também à pesquisa sobre os fenômenos sasquatch há muitos anos nas áreas da reserva, sendo muito respeitada como pesquisadora e considerada uma autoridade no assunto.
Famosa cena da curta-filmagem de Patterson Muitos filmes e fotos sobre os sasquatches são falsos. Esses podem ter a autenticidade facilmente negada. Um filme, entretanto, feito por Roger Patterson e Bob Gimlin resiste a análises, provas e testes efetuados por especialistas de vários países. Em 20 de Outubro de 1967, em Bluff Creek Riverbed, ao norte da Califórnia, Patterson filmou cenas impressionantes, vistas em todo o mundo. Os movimentos do animal são genuínos, atestou Dr. Jeffrey Meldrum, corroborado por outros especialistas que verificaram ter o animal um jeito característico (não humano) de andar, com as pernas dobradas. Há movimento muscular, mostrando que não se tratava de um homem vestindo uma roupa. Doram analisados quadro-a-quadro, utilizando-se várias técnicas e métodos ao longo dos anos. Altura aproximada, em torno de 2.00 metros e peso estimado entre 400 e 600 quilos. Apesar de muitas tentativas para desacreditar o filme, até mesmo os céticos admitem que as explicações contrárias à autenticidade do filme, não são totalmente convincentes.
Muitas expedições para encontrar o sasquatch, na America do Norte ou o yeti, nas florestas dos Himalayas foram e são organizadas, embora nada de realmente concreto tenha sido apurado até o momento. Toda a credibilidade da existência desse ser, repousa nos milhares de relatos de pessoas, muitas das quais gozando de ótima reputação local e que nada tinham a ganhar inventando estórias. Há uma grande coincidência nos relatos sobre a compleição física dos animais, nesses avistamentos, mesmo quando ocorrem em partes diferentes do mundo, envolvendo pessoas de diferentes culturas e etnias. Como comprovação, os moldes em gesso das pegadas, são levados em consideração, mais devido à notória reputação dos pesquisadores do que como provas em si. Isto porque, como disse um famoso pesquisador dos sasquatch - pegadas são fáceis de forjar -, mesmo tendo ele apresentado alguns dos moldes mais creditados entre os especialistas. Longe de ser considerado meramente lenda ou embuste, o assunto demanda pesquisa, principalmente devido às informações de nativos em várias regiões, com impressionante coincidência nos relatos de pessoas simples que não apresentavam qualquer interesse ulterior aparente. Isso numa época do passado, onde as notícias corriam de forma muito lenta para que houvesse propagação de alguma influência persistente, se criassem modismos ou histerias coletivas sobre o assunto.
Recife, 02/07/2007
Créditos pelas imagens Monte Everest - visitasiaguide.com Yeti na neve (1ª imagem) - www.chinadayly.com.cn Mapinguari - www.cdpara.pa.gov.br
Pegadas 01 e 02 - fazem parte do artigo Evaluation of Alleged Sasquatch Footprints and their Inferred Functional Morphology - Dr. Jeffrey Meldrum, Department of Biological Sciences - Idaho State University - http://www.isu.edu/~meldd/fxnlmorph.html Pegada 01 - foto de Peter Byrne
Face do Sasquatch na floresta - montagem artística - www.utsa.edu Coelacanth fóssil - academic.scranton.edu Coelacanth atual - comiya.net Animal de Baltimore - Wikipedia, the free encyclopedia Cena
do filme de Patterson - www.trueseekers.org/
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